Didi "Folha seca" (Foto destaque: Reprodução)

A coluna Papo Azteca dessa semana traz a passagem pelo futebol mexicano de um dos meias mais “classudos” que o mundo do futebol já viu. Um jogador que impressionou vários clubes por sua elegância e tranquilidade e encantou milhares de torcedores. No entanto, ele não teve o devido reconhecimento no Brasil, seu país natal. Estamos falando de Didi, o Príncipe Etíope. Saiba mais aqui da temporada que o Maestro fez pelo Veracruz.

Em toda sua carreira, Didi passou por grandes clubes. Fez parte do Botafogo, de Garrincha, e do Real Madrid, de Di Stéfano. Além disso, conquistou duas Copas do Mundo pela seleção brasileira e, como técnico, levou o Peru às quartas de final da Copa de 1970, realizada em solo mexicano.

Mas, como o criador da batida “folha seca” foi convencido a se juntar ao Tiburones Rojos? Após deixar Madri, o dono do Veracruz, José Lajud Kuri, viajou ao Brasil para conversar com Didi. Em seguida, para a surpresa de muitos, o mandachuva conseguiu levar o Maestro para passar uma temporada no México.

A equipe tinha acabado de subir na temporada 64-65 para a 1ª divisão e buscava o título. Por isso, Kuri também contratou os brasileiros Mariano Ubiracy e Franciso Gomes Batata. Aliás, os dois já haviam jogado pelo Fluminense, assim como Didi.

Didi no Veracruz - Reprodução
Didi no Veracruz – Reprodução

TEMPORADA NO VERACRUZ 1965-66

De fato, a ascensão à principal liga do futebol mexicano foi recebida com muita felicidade pela torcida jarocha. Tantos veteranos quanto novos torcedores se animavam, já que o time apresentava um grande nível em campo, mesmo na 2ª divisão. José Lajud Kuri, responsável por levar Didi ao Veracruz, manteve a posse do clube até o início da temporada, quando decidiu vendê-lo a Juan Lara Castilla e José Ajo Lozada. Os novos mandatários cuidaram da equipe até a temporada de 1968, ano em que José Mantecón assumiu o controle.

Assim, para a temporada de 65-66, garantiram a base do time que conquistou a ascensão no ano anterior, que contava com José Luis “El Loco” Aussín, Hugo Frank, Enrique Rivas, Pancho Montes, Tranquilino Velázquez, Hugo Herrera, Zárate Machuca, Jesús Puente e o peruano Jesús Pelaéz.

Na sequência, adicionaram os já mencionados Mariano Ubiracy e Francisco Gomez “Batata”, além do zagueiro MarcioDidi veio mais tarde, junto com a defesa central da seleção mexicana da época: Guillermo “El Campeón” Hernández e Jesús del Muro. Fica claro que o Veracruz tinha um time de muita qualidade, preparado para vencer o título.

Didi treinando - Reprodução
Didi treinando – Reprodução

CHEGADA E DÚVIDAS

Porém, antes da estreia, existiam dúvidas sobre o que Didi ainda poderia entregar. Muitos jornalistas mexicanos não acreditavam que o brasileiro teria “gasolina no tanque” para jogar como no passado. Apesar disso, sua contratação se tornou uma das mais importantes do Veracruz e da liga mexicana. Dessa forma, conseguiram um resultado expressivo na temporada de 1965: vice-campeões, apenas perdendo na final para o América.

NÚMEROS DA TEMPORADA

Mesmo sem conquistar o título, os torcedores tiburones podem dizer que tiveram um dos maiores da história em seu clube do coração. Em 29 jogos, Didi marcou 13 gols e, embora só tenha feito uma temporada pela equipe, deixou boas impressões. Depois de se despedir da equipe mexicana, encerrou sua carreira internacional e foi jogar no São Paulo antes de deixar o futebol em definitivo.

Lembrado mais como o meia cheio de classe que dominava o centro do campo, Didi nunca foi valorizado como deveria. Por vezes, julgaram-no como preguiçoso pelo seu jeito calmo de jogar. Porém, quem analisa o jogo além da superfície sabe quão bom o Maestro foi. Em diversos times, impressionou por sua visão, seu talento para cortar marcadores, além de seu chute, que colocava qualquer goleiro em desespero.

No México, isso não foi diferente. Muitos duvidaram de sua capacidade, mas, apesar da idade, o Príncipe Altive ajudou o Veracruz a ser vice-campeão do país. Se a técnica não era mais a mesma, ao menos o jeito de encantar persistiu. Com sua clareza e tranquilidade em campo, Didi abrilhantou o futebol mexicano. Certamente, influenciou também alguns torcedores a gostarem mais de futebol e a jogarem como ele. Sendo assim, feliz é o futebol mexicano que pôde tê-lo em suas canchas, mesmo que apenas por um ano.

Didi e companheiro de Veracruz - Reprodução
Didi e companheiro de Veracruz – Reprodução

Foto destaque: Reprodução

Rafael Sant'Ana
Escolhi o jornalismo porque sou apaixonado por informação e esportes desde sempre. Tenho o sonho de exercer a profissão no exterior. Dedicação e interesse por estudar são algumas de minhas marcas.

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