Desastre aéreo de Munique: uma lição para os alemães

- Em 2020, o acidente que vitimou 23 membros do Manchester United completa 62 anos. Nesta semana, a Quebrando Muros traz um pouco da história do incidente
O Desastre Aéreo de Munique

Ao longo da história, a Alemanha foi palco de inúmeras tragédias da humanidade. Entretanto, os alemães sempre se dispuseram a aprender com os erros do passado. Nesta semana, a Quebrando Muros viaja para anos depois da Alemanha Nazista a fim de relembrar o desastre aéreo de Munique. Após a tragédia, que lição perdurou no imaginário do povo alemão?

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O DESASTRE

Sob o comando de Matt Busby, o Manchester United tornara-se um dos maiores clubes da Inglaterra no pós-guerra. Assim, a equipe ostentava dois títulos – 1948 e 1957 – da FA Cup e foi o primeiro time inglês a disputar a Copa da Europa. Os denominados ‘Busby Babes' cativavam os amantes de futebol e traziam emoção à cada partida que disputavam.

Busby Babes
Busby Babes/ Reprodução: Getty Images

Em fevereiro de 1958, o United viajara à Iugoslávia para disputar a Liga dos Campeões. Após empatar em 3 x 3 com a equipe do Estrela Vermelha de Belgrado, o clube inglês e alguns dirigentes embarcaram no voo BE609 da empresa British European Airways. Enfrentando um mau tempo, o avião precisou fazer uma parada na cidade de Munique. Assim, como havia muito gelo na pista, a aeronave taxiou para decolar, mas não obteve sucesso. O mesmo aconteceu uma segunda vez.

Ao que tudo indicava, o piloto não estava conseguindo energia suficiente dos motores. Contudo, o comandante estava determinado a prosseguir com o voo, e na terceira tentativa o avião conseguiu levantar-se alguns metros do chão. Como esperado, não foi o suficiente, e então, a aeronave colidiu-se com uma cerca de madeira. Logo em seguida, o avião pegou fogo.

“Foi uma sensação rolante e todo tipo de coisa começou a cair sobre nós. Não havia tempo para pensar. Ninguém gritou. Ninguém falou; apenas um silêncio mortal pelo que só poderia ter sido segundos”, declarou Peter Howard, fotógrafo do Daily Mail, que estava a bordo

Reprodução: Getty Images
Reprodução: Getty Images

AS VÍTIMAS

Ao todo, 44 pessoas estavam embarcadas no voo BE609. Dessa forma, 21 acabaram falecendo – quase metade da tripulação. Dentre as vítimas estavam oito jogadores do United e três oficiais – o treinador, treinador e secretário do time – além de sete jornalistas esportivos. Enquanto isso, os sobreviventes tentaram a todo custo salvar o maior número possível de passageiros. Bobby Charlton, Dennis Viollet e o goleiro Harry Gregg foram alguns dos resgatados. O piloto James Thain sobreviveu, mas o co-piloto Kenneth Rayment morreu cinco semanas depois.

Após ter sido salvo, Gregg retornou duas vezes aos escombros salvando um bebê de 20 meses e a mãe – gravemente ferida e grávida – Vera Lukic, a esposa de um diplomata iugoslavo. Posteriormente, a coragem do atleta foi homenageada tanto na Alemanha, quanto na Iugoslávia.

“Alguns se perguntavam se o United ainda existiria após a tragédia de Munique. Eu não tenho nenhuma maneira de pensar sobre as coisas em perspectiva. Eu só sei que me causou a morte de meus colegas, agora eu entendo que eles eram crianças. Isso me marcou para sempre”, palavras de Bobby Charlton, um dos únicos atletas sobreviventes

FATALIDADES

Atletas

  • Geoff Bent
  • Roger Byrne
  • Eddie Colman
  • Duncan Edwards
  • Mark Jones
  • David Pegg
  • Tommy Taylor
  • Liam “Billy” Whelan
Memorial no Old Trafford / Reprodução:  Wikimedia Commons
Memorial no Old Trafford / Reprodução: Wikimedia Commons

Funcionários do clube

  • Walter Crickmer – secretário do clube
  • Tom Curry – treinador
  • Bert Whalley – treinador principal

Equipe técnica

  • Capitão Kenneth Rayment
  • Tom Cable

Jornalistas

  • Alf Clarke
  • Donny Davies
  • George segue
  • Tom Jackson
  • Archie Ledbrooke
  • Henry Rose
  • Frank Swift
  • Eric Thompson

Outros passageiros

  • Bela Miklos
  • Willie Satinoff

RESPONSABILIDADE PELO DESASTRE

Uma investigação inicial responsabilizou James Thain pelo incidente, tendo em vista a insistência em decolar – mesmo ciente dos riscos. Além disso, as autoridades aeroportuárias alemãs também tentaram mover um processo contra o comandante pelo acontecido. Por muito tempo, Thain permaneceu culpado pelo crime. Contudo, só uma década depois o profissional pôde ser liberado. Nesse momento, as investigações concluíram que o acidente fora causado pela lama na pista, que desacelerou a aeronave.

James só conseguiu provar sua inocência com auxílio de autoridades britânicas. Por outro lado, a cidade de Munique jamais admitiu sua culpa no desastre. Foi comprovado que as condições do aeroporto eram precárias, mas isso não foi suficiente para punir os verdadeiros culpados. Durante o período de averiguação, o governo alemão chegou a omitir depoimentos a fim de incriminar Thain. Até os dias atuais, o crime permanece sem solução.

Manchester Platz, praça em Munique em homenagem às vítimas / Reprodução: Reuters
Manchester Platz, praça em Munique em homenagem às vítimas / Reprodução: Reuters

RECUPERAÇÃO

Muitos questionaram se o Manchester algum dia se recuperaria do desastre. Ao passo que Busby se reabilitava, o técnico assistente, Jimmy Murphy, levou uma equipe improvisada à final da FA Cup na temporada de 1958. Contudo, o clube foi derrotado pelo Boston Wanderers. Matt cogitou deixar o futebol, mas impressionantemente reergueu a equipe do United em cerca de cinco anos. Assim, neste período, o plantel venceu a FA Cup duas vezes e a Copa da Europa – 10 anos depois de Munique. Foram os gloriosos anos 1960 para os Red Devils, que hoje consagraram-se como um dos maiores clubes da Inglaterra. Mesmo sem punição, o crime jamais foi esquecido.

Foto destaque: Reprodução

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