A delícia de ser mulher e amar futebol

Durante muito tempo ser mulher e futebol eram, basicamente, opostos. Assim como a preto era oposto de branco. Lugar de mulher era em casa, no shopping, igreja e afins. Estádio era templo dos homens e futebol uma religião exclusiva masculina.

Depois começou a onda de que homem que não curte futebol é gay e mulher que aparentava gostar era lésbica. Nada a ver! Ainda bem que o mundo evoluiu e continua indo.

Depois futebol virou uma coisa de “família”, apesar de ainda ser bem segregado e ser coisa de menino ou coisa de menina. E com a evolução no mundo, claro que isso incluiria o futebol. Cresci com uma mãe que ia ao Maraca toda semana com meu avô e meu tio. Cresci com uma mãe apaixonada pelo time dela e por futebol. Se hoje, eu e minha irmã temos essa paixão, sem dúvidas veio de herança dela.

Vivemos um momento de colher muitos frutos de escolhas de gerações anteriores de mulheres que lutaram muito e foram pioneiras. Ainda, também, estamos rompendo cada vez mais limites. Já somos engenheiras, médicas, presidimos empresas e até países, além de termos ido até a Lua. Corremos maratonas, jogamos vôlei e sim, o tão amado futebol e agora teremos nossa primeira treinadora mulher comandando a seleção canarinho feminina.

Bem, agora deixamos os estádios, cada vez mais belos, falamos e discutimos sobre futebol, porque sabemos e entendemos tanto quanto os caras. Amamos assistir os jogos, não gostamos de trocar nossos jogos, e vidramos e xingamos mesmo em cada lance. Dizem que mulher que gosta de futebol é a artigo de luxo. A questão que podemos escolher o nosso gosto e se isso agrada iremos fundo nessa paixão. Afinal um ser tão emotivo não seria razão justo no esporte mais apaixonado do planeta.

Ser torcedor é algo meio irracional, às vezes, e é paixão, e no final dá quase a mesma coisa. Não estou levantando bandeira, apenas dizendo que é uma delícia ser mulher e amar futebol, afinal ser mulher é questão de gênero, mas futebol é universal. Que delícia que sou mulher e tenho um caso de amor eterno com o futebol.

Paula Barcellos
Eu tenho 24 anos e cresci vendo meu avô, que faleceu esse ano, sua torcida apaixonada pelo Flamengo. Lembro de quando era pequena e estar na casa deles e quando o Flamengo ganhava o campeonato a alegria que era. Minha mãe também sempre foi apaixonada por futebol, flamenguista doente também. Quando minha mãe casou de novo, o primeiro programa que meu padrasto fez comigo e com a minha irmã foi nos levar para conhecer o Maracanã. E que emoção! Entrar e ver aquela torcida gritando, eu com 15 anos me apaixonei por futebol. E virei fanática e continuo assim. E meu coração fica um pouco vazio quando o futebol entra de férias mesmo que seja as minhas férias também. E a escrita também é uma paixão desde que me entendo por gente, já que desde novinha lá estava eu escrevendo e sonhando em lançar um livrou e na adolescência virou uma coluna em uma revista. A vontade de juntar as duas veio quando decidi fazer jornalismo, afinal nunca tinha tentado mesclar. E quando escrevi o texto sobre isso me vi amando ainda mais escrever. Foi natural, pois eu sempre escrevia sobre o que sentia e futebol é também o que sinto. Enfim para não me alongar mais, acredito que escrever é minha visão do mundo e o futebol é a minha visão apaixonada da versão miniatura dela, já que a bola também é uma esfera.

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