O movimento

Sabemos as dificuldades que muitas mulheres têm para adentrar no ramo do jornalismo, principalmente o esportivo. Devido à uma parte de quem está nesse meio considerar que mulher não entende do assunto. Que mulher não deve falar de esporte. Se a mulher gosta de torcer nas arquibancadas, já deve ter ouvido também muitas piadinhas sobre o lugar dela não ser lá, porque é algo de “homens”.

E para ajudar nessa luta, 52 mulheres que são desde apresentadoras até mesmo atletas, se reuniram para dar um basta contra qualquer tipo de preconceito com as mulheres. #DeixaElaTrabalhar

O início

No começo deste mês, a repórter Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, que fazia a cobertura da estreia do Vasco na fase de grupos da Libertadores, foi assediada por um torcedor. Ele tentou beijá-la, durante uma passagem ao vivo. Sem reação no momento, Bruna expôs mais tarde as situações de assédio e machismo pelas quais as mulheres passam. “Ontem, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs ou até mesmo andando pelas ruas”, desabafou em seu Instagram.

Foto: Reprodução

Três dias antes, em Porto Alegre, um torcedor do Inter insultou e agrediu, fisicamente, a repórter Renata Medeiros, da Rádio Gaúcha. Ela cobria a partida entre Grêmio e Inter. “Sai daqui, sua puta”, disse o torcedor à jornalista.

Isso são apenas dois exemplos de assédio e machismo, que as mulheres encontram nesse meio.

#DeixaElaTrabalhar: o objetivo

Conforme Bibiana Bolson, jornalista da ESPN W e uma das participantes do manifesto, o objetivo é para chamar atenção não somente sobre as agressões que ocorrem as mulheres, não somente dentro do estádio.

“A ideia é dar uma resposta aos assédios e às situações recentes da Bruna e da Renata, que é também um pouco a história de todas nós, que já fomos assediadas nas redações, nos estádios e sofremos violência nas redes sociais”, diz ela.

E deixar claro, que apesar da campanha ter surgido de episódios vivido no jornalismo esportivo, a campanha não é somente nessa editoria.

“É feita por jornalistas esportivas, mas queremos dar voz para mulheres de todas as esferas”, diz. “É uma maneira de incentivar as mulheres a relatarem os abusos que sofrem, a buscarem seus espaços”

Apoio dos clubes

Diversos clubes começaram a se manifestar a favor das mulheres também. Na semana do Dia da Mulher, o Atlético-MG entrou em campo contra o Cruzeiro com faixas chamando a atenção para a violência contra a mulher. Junto a isso divulgou o serviço de denúncia 180. Maria da Penha Maia Fernandes, esteve no gramado do Independência. Ela foi homenageada pelo clube. Nas arquibancadas naquele dia, as torcedoras posaram com cartazes para marcar um território cada vez mais reivindicado por elas: “Meu lugar é aqui”.

Além de muitos clubes, terem se manifestado com a tag #DeixaElaTrabalhar, que chegou aos Trendings Topics em poucos minutos no Twitter.

O Futebol na Veia apoia à causa e está junto com as mulheres contra a cultura do estupro e repudia qualquer tipo de machismo

Marcella Azevedo
Marcella Azevedo
Marcella Azevedo, 22 anos, leonina, nascida no dia 17 de Agosto de 1994. Não tem frescura, quando o assunto é futebol, tanto que para ela o domingo perfeito é com amigos, futebol e cerveja. Completamente apaixonada, cursa Jornalismo com a inteção de ser uma Jornalista Esportiva e poder mostrar a todos como esse mundo é maravilhoso e que mulher entende de futebol sim. É daquelas mulheres que sempre está na rodinha dos homens na faculdade, comentando sobre o lance polêmico que rolou no final do semana. Daquelas que xinga muito ao ver um escanteio curto e que espera trazer várias novidades para vocês.