O zagueiro Dedé conseguiu, por meio de uma liminar, a rescisão do seu contrato com o Cruzeiro. A decisão foi emitida pela 48ª vara do Trabalho de Belo Horizonte, nesta segunda-feira (22). Assim, o atleta de 32 anos está livre para acertar com outro clube, no momento.

O juiz Fábio Gonzaga de Carvalho deferiu pela liberação do arqueiro porque a Raposa não apresentou negativas às reclamações de Dedé por conta do atraso no repasse do FGTS. Desse modo, na decisão a justiça declarou a “mora contumaz” do clube. A saber, na petição inicial o jogador alegou que está dez meses de atraso de salário. Além de seis meses sem receber salário fixo na carteira e mais quatro meses sem receber o depósito do fundo de garantia.

Declarar, liminarmente e em sede de tutela antecipada, a mora contumaz do reclamado, com consequente declaração da rescisão indireta do contrato de trabalho desportivo. Liberando-se o reclamante de qualquer vínculo trabalhista e federativo para com o reclamado. Declarando-o o livre para exercera sua profissão, consoante disposto no artigo 5º, XIII da CF”, lê-se na liminar.

DEDÉ E AS BATALHAS JUDICIAIS COM O CRUZEIRO

Anteriormente, Dedé teve o pedido indeferido pela justiça. Em 28 de janeiro deste ano, o desembargador Paulo Maurício Ribeiro Pires não só indeferiu o mandato de segurança solicitado pelo jogador. Bem como, determinou que ele arcasse com as custas do processo, no valor de R$277.813,33. O valor foi calculado sobre R$13.890.666,70, referentes a soma de verbas rescisórias e cláusula compensatória. Em suma, o zagueiro pleiteava R$35.258.058,64 no total, de acordo com a petição inicial de 4 de janeiro.

Paulo Pires ainda refutou duramente o argumento dos advogados do jogador, que citaram que a decisão estava submetendo Dedé a “permanecer como um escravo”. Conforme Pires, ao longo dos anos a remuneração de R$750.000,000 foi paga ao reclamante, ao menos parcialmente. Além disso, o magistrado citou a crise financeira que a população brasileira tem enfrentado em meio à pandemia de COVID-19.

Lamenta-se a afirmação inicial de que o impetrante, cuja remuneração aduz corresponder a R$750.000,00 (…), esteja sendo submetido a permanecer como um ‘escravo’”. Lastimável comparação. Notadamente em se considerando o crítico momento socioeconômico por que passa a esmagadora maioria da população brasileira. Em razão das consequências da pandemia (…) com muitos almejando meramente obter um emprego em que receba o salário mínimo. No ano corrente reajustado para o montante de R$1.100,00“, escreveu.

HISTÓRICO

O zagueiro chegou ao Cruzeiro em 2013, custando R$14 milhões. Assim, com a camisa estrelada foi fundamental na conquista do Bicampeonato Brasileiro 2013/2014. Depois passou um período longo fora dos gramados. Com a lesão em dezembro de 2014, o jogador só retornou no início de 2016. Contudo, após cinco partidas voltou a sentir dores. A segunda alta do Departamento Médico foi em 2017. Da mesma forma, atuou somente em sete jogos e foi afastado, ficando fora o resto do ano.

Ao contrário dos que diziam sobre aposentadoria, o arqueiro se recuperou e fez uma ótima temporada em 2018. Com isso, naquele ano não só conquistou a Copa do Brasil, mas também chegou a ser pré-convocado para a Seleção Brasileira.

Por fim, em 2019 viu o cenário mudar drasticamente. Assim, com a baixa no rendimento e novas lesões passou a ser alvo de críticas da torcida azul e branco. A gota d'água foi após o rebaixamento do clube mineiro para a Segunda Divisão. Desse modo, o jogador não entrou nos planos de 2020, principalmente, também devido aos altos salários. Assim sendo, ele não atua desde 19 de outubro de 2019.

FOTO DESTAQUE: Reprodução/Instagram/ Anderson Vital

Izabela Avelar
Izabela Avelar
Izabela Avelar, mineira de 22 anos. Estudante de Jornalismo na UNA, em Belo Horizonte. Amo esportes e em especial a paixão dos brasileiros: o futebol. Tenho apreciado esta arte pelas arquibandas. Agora me aventuro também pelos bastidores. Para as mulheres, não é fácil entrar nesse mundo. Eu decidi enfrentar. Estou em busca do meu espaço. Levar a alegria de forma imparcial. E provar que mulher entende sim de futebol.

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