A Coluna Papo Azteca dessa semana traz a história de Cuauhtémoc Blanco Bravo ou “Temo“, como ficou conhecido o atacante que nasceu no dia 17 de Janeiro de 1973, na cidade do México. Nesse dia nascia uma lenda do futebol mexicano. Seu primeiro nome, Cuauhtémoc, vem do dialeto asteca Nahuatl e significa águia que cai. Além disso, foi o nome do último imperador da civilização Asteca. Inesperadamente, Blanco também seguiu para a carreira pública e se tornou político, sendo eleito Governador na estado de Morelos, vizinho a capital do país, em 2018.

CARREIRA

Blanco iniciou sua carreira aos 17 anos de idade no América, seu clube de coração. Aliás, esteve no clube de 1992 a 2007, embora tenho sido emprestado algumas vezes quando jovem. Foram três empréstimos, sendo dois para equipes do México e outro para uma equipe espanhola: Necaxa, Veracruz e Real Valladolid, respectivamente. No entanto, foi pelo América que o atacante se tornou ídolo e começou a deixar sua marca no futebol do país. Em 396 partidas, Temo marcou 152 gols. Ademais, foram três títulos conquistados com a camisa das Águias: Copa dos Campeões da Concacaf, Liga MX (Clausura) e Campeão dos Campeões, todos em 2005. Antes de encerrar a carreira, o atleta ainda passou por Chicago Fire, Veracruz, Dorados de Sinaloa, Lobos de la BUAP e Puebla.

SELEÇÃO MEXICANA

Suas boas atuações logo despertaram o interesse de convocá-lo para a seleção principal. Então, em 1995, Blanco passou a ser convocado constantemente. Logo no ano seguinte a sua estreia, já veio o primeiro título: a Copa Ouro. Posteriormente, em 1998, Temo conquistava novamente o mesma copa, sendo seu segundo título com sua seleção. Em 1999, foram ainda mais longe, vencendo a Copa das Confederações. Como resultado, Blanco terminou como artilheiro da competição.

Quando o assunto é Copa do Mundo, Blanco possui três em seu currículo. O atleta foi convocado para as copas de 1998, 2002 e 2010, ficando de fora da competição em 2006 devido de uma briga com o então técnico da Seleção Mexicana na época: o argentino Ricardo La Volpe. Depois disso, Temo ganhou a fama de “bad boy”. Com uma técnica apurada, ousadia para enfrentar os adversários e personalidade, Blanco marcou 38 gols pelo México e foi protagonista de um dos dribles mais inusitados das Copas ao prender a bola entre os pés e passar com um salto por dois marcadores sul-coreanos no torneio disputado na França. O movimento, apelidado de “Cuauteminha“, foi repetido pelo atacante em outras oportunidades.

POLÍTICA

Em 2016, algo inesperado aconteceu. Blanco deixou para trás a fama de “bad boy” e se tornou político. Eleito pela maioria dos habitantes de Cuernavaca, capital do estado de Morelos, Temo se tornou prefeito. O mandato do ex-jogador não foi muito diferente do de vários políticos profissionais. O ex-atacante apareceu em mais de um escândalo de corrupção. Blanco foi investigado por supostamente ter pago uma mesada com dinheiro público para oito familiares. Além disso, foi indiciado pelo recebimento do equivalente a R$ 1,1 milhão do PSD (Partido Social Democrata), seu partido na época, para participar da eleição municipal, o que é considerado crime no país.

Os escândalos, no entanto, não prejudicaram a popularidade do antigo camisa 10 da seleção mexicana. Nas eleições governamentais de Morelos, o candidato do PES (Partido Encontro Social), de centro-direita, teve 52,69% dos votos. Para o novo cargo, Blanco montou um gabinete cheio de nomes que, assim como ele, construíram sua história no mundo do futebol. O empresário José Manuel Sanz, que foi seu representante durante a maior parte da carreira e o acompanhou até a aposentadoria, foi nomeado chefe de gabinete do Governo. Já o ex-árbitro Gilberto Alcalá virou secretário de Desenvolvimento Social.

Ex-assessor de imprensa do América (MEX), último clube defendido por Blanco, o jornalista Francisco Reyes é o porta-voz do governo. Pelo menos outros dois ex-companheiros de gramados do ex-atacante também fazem parte do governo: o ex-meia Germán Villa ganhou o comando do Instituto do Esporte e da Cultura Física, enquanto o ex-lateral Isaac Terrazas é o novo administrador do maior estádio da região.

Foto destaque: Reprodução/Terceiro Tempo – UOL

Alexandre Vieira
Alexandre Vieira
Sou Alexandre Vieira, 31 anos, estudante de Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e apaixonado por esporte, principalmente futebol. Quando moleque, sonhava em ser jogador, porém não tive oportunidade. Daí nasceu a paixão pelo jornalismo e a esperança de assim poder ficar famoso, realizar o sonho de me aproximar de ídolos, estádios e cobrir competições históricas. Tenho um senso de humor gigante e sou legal até quando meu time perde.

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