Cruzeiro: o que podemos esperar do centenário?

Ano que vem o Cruzeiro vai se juntar ao grupo de times brasileiros que já chegaram na casa dos 100 anos . Sendo assim, é inevitável não imaginar como será a passagem desse momento único na história do clube mineiro. Certamente, tudo que um centenário precisa para ser celebrado em grande estilo é de títulos. Contudo, o atual momento da Raposa é, no mínimo, conturbado. De forma que o torcedor cruzeirense não consegue ter um dia de paz. Em suma, o time está afundado em uma grave crise  financeira. Além disso, como determinou a FIFA, antes de iniciar a disputa inédita na Série B  a equipe já tem menos seis pontos. Não dá para ser pior, torcedor? Sinto informar que dá sim! Dessa forma, a coluna Rasgando o Verbo de hoje vai abordar a situação do time Celeste, que já não era boa e só piorou com a pandemia do novo coronavírus.

O que era ruim, só piorou com a pandemia

Claro que pelo andar da carruagem, qualquer amante do futebol brasileiro quer que 2020 acabe logo e, se possível, fique no esquecimento. Contudo, para um amante específico, o ano está sendo desastroso em dobro. Dessa forma, o torcedor do Cruzeiro não apenas precisa vivenciar o dia a dia da pandemia que assola o país, como ainda lida com  a crise infindável que rodeia seu time do coração. Se no início do ano existia a perspectiva de escapar da Série B na temporada 2020,  agora tudo virou um emaranhado de incertezas. Afinal junho já chegou e o futebol no Brasil segue paralisado.

A crise na Toca da Raposa é de uma gravidade sem precedentes, mas que não iniciou agora. Pois, enquanto os títulos dos últimos anos eram comemorados a situação financeira da equipe só piorava. Dessa forma, para um time que até então desconhecia a 2ª divisão, só o fato de disputar uma Série B já torna tudo delicado. Além disso, aliado ao momento frustante, durante a pandemia problemas relacionados a falta de dinheiro nos cofres da Raposa se tornaram cada vez mais evidentes. Afinal, assim como outros times brasileiros, o Cruzeiro sentiu a paralisação das atividades por conta do avanço do novo coronavírus. Para infelicidade da Nação Azul, o cenário hoje é  de um time correndo atrás do prejuízo para quitar pagamentos de jogadores e funcionários, bem como contas rotineiras com água e luz. Além do mais, a Polícia Civil move investigação por relatórios internos que evidenciam irregularidades.

Punição da FIFA

Como o que é ruim sempre pode piorar, em maio, a FIFA determinou que o Cruzeiro vai iniciar a  Série B do Campeonato Brasileiro desta temporada com menos 6 pontos. De acordo com a entidade, a punição é por conta do não pagamento de 5 milhões ao Al Wahda, dos Emirados Árabes. A saber, a perda é irreversível, portanto o clube não pode mais recorrer. Além disso, para não perder ainda mais nesse processo, a equipe teve o prolongamento do prazo, por mais 5 meses, para quitação do valor. Caso não pague tudo o que deve, a FIFA poderá impor sanções ainda mais rígidas que podem culminar, inclusive, na queda  para Série C.

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Centenário na segundona?

Tudo que se espera de um centenário: títulos. Dessa forma, quando o Cruzeiro chegar aos 100 anos, no dia 2 de janeiro de 2021, ele terá motivos para comemorar? Hoje, o que se vê é uma corrida do clube para se reestruturar. Já com uma nova gestão em curso, a tentativa logo de cara é negociar todas as dívidas existentes. E enquanto o futebol está parado, a Raposa também se articula para montar um elenco que leve a equipe de volta à elite. Claro que a perspectiva do cruzeirense é de que todo esse cenário se dissolva logo e o time volte aos dias de glória.

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Todavia, nem tudo é tão simples. Se tudo o que está acontecendo não for passageiro, existe a possibilidade de um centenário na segundona. Afinal, mesmo que o clube consiga superar as dívidas e se reerguer internamente, a volta do futebol em solo brasileiro permanece indefinida. Enfim, não somente para torcida da Raposa como também para quem vive o dia a dia do futebol, é triste pensar que um clube gigante e com uma trajetória tão rica, possa viver um dos momentos mais marcantes da sua história da pior maneira possível.

Foto Destaque: Douglas Magno/AFP/Getty Images

Dara Oliveira
Amapaense. Jornalista. Atualmente divido meu tempo entre a redação esportiva e assessoria de imprensa. Além disso, tento assistir jogos de futebol, ler livros e dormir nas horas vagas.

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