Covid-19 no futebol: de onde virá o dinheiro?

- No futebol, pandemia, que também adoeceu sistemas econômicos, se dissemina
Futebol brasileiro sofre com a paralização devido ao Coronavirus

Desviar da crise se estruturando em saídas criativas não é algo tão simples para o futebol, que tem suas atividades paralisadas indefinidamente. Sem jogos, o silêncio que ecoa das arquibancadas e gramados se transforma, a cada dia, em prejuízos gigantescos para camisas dos mais variados quilates. Tudo isso não se restringe aos limites das quatro linhas. Segundo um relatório divulgado pela CBF, em 2019 (contendo números referentes ao ano de 2018), o futebol representa cerca de 0,72% do PIB brasileiro. Isso equivale a R$ 53 bilhões na economia do país.

Outros dados apontam que os mais de sete mil clubes registrados na entidade colaboram com a geração de mais de 156 mil empregos (diretos) e com o registro de mais de 360 mil atletas, dentre todas as séries licenciadas. Isso sem contar os trabalhadores informais que atuam desde as categorias de base até as portas de grandes estádios, como ambulantes, equipes de transporte e tantas outras.

Perspectivas de soluções

Grupos de mídia e patrocinadores também ganham peso nessa equação. Valores altos empregados por essas partes são pontos extremamente relevantes nesse sentido. Por exemplo, quando se pondera a redução das competições nacionais como uma resposta viável para esse problema, se desconsideram as cotas de transmissão pagas aos clubes pelos jogos de 2020.

Uma apuração feita por Bárbara Sacchitiello, para o Meio&Mensagem, revela os números de parte dessas negociações. Ao todo, Ambev, Casas Bahia, Chevrolet, Hypera Pharma, Itaú e Vivo desembolsaram R$ 307 milhões cada para renovar seus contratos com as transmissões futebolísticas do Grupo Globo. Projetos de compensação para essas marcas estão em discussão.

Em entrevista, Bárbara afirma que fazer qualquer previsão, no quesito dos direitos e da transmissão e calendário, depende muito do tempo que toda a situação do COVID-19 vai durar. Ela reforça que “a gente tem pela frente uma quarentena de mais uma semana que deve se estender aqui em são Paulo, por mais algumas, no mínimo. Mas é difícil fazer um prognóstico de como as coisas vão ficar quando tudo estiver estabilizado. O que eu vejo é que esse primeiro semestre do calendário esportivo já está comprometido, o que inevitavelmente compromete o segundo semestre”.

O economista Manfred Back revela que equipes de pequeno porte serão as mais prejudicadas pelos atuais acontecimentos. Isso porque, nesses casos, muitos contratos são mais curtos e duram uma ou duas temporadas, resultando, futuramente, em um desmanche coletivo. Back questiona sobre “quais medidas existem para a sobrevivência dos clubes, caso a paralisação dure uns 45/50 dias? Os clubes ricos têm mais caixa, pois receberam o dinheiro dos patrocinadores e da televisão. Mas, a partir de certo ponto, não entra mais dinheiro”.

Futebol-emprego

A geração de empregos e a gestão dos clubes passam por estágios muito semelhantes aos de empresas comuns. Grandes, médios e pequenos clubes participam ativamente da economia do país. Em 2018, o futebol representou R$ 761 milhões em arrecadações de impostos, segundo dados fornecidos pela CBF. Apesar disso, a Confederação mostra que dentre os 4,7 mil atletas registrados, mais de 50% recebem aproximadamente um salário mínimo. Pouco mais de 5% deles fazem parte da chamada “elite do futebol”, com salários maiores que R$ 100 mil por mês.

Por isso, Manfred explica que, assim como as empresas, os clubes provavelmente precisarão de investimento e liquidez para fechar as contas:

“A situação que acontece no futebol não é muito diferente do que acontece na economia. As empresas grandes aguentam o tranco até determinado tempo. As empresas menores estão mandando embora. As médias, ou estão em férias coletivas ou em home office. E no futebol não é diferente. Os grandes times do país estão dando férias coletivas, os times menores estão dispensando”, afirmou.

Pensando desse modo, é possível prever um colapso econômico no futebol, se nada for feito. Atualmente, clubes em todos os continentes propõem a redução salarial para seus atletas. Existe resistência por parte de alguns deles, no entanto, essa pode ser uma das alternativas mais viáveis em um primeiro momento.

Próximos passos

Em questão de calendário, hipóteses a respeito de adequação ao formato europeu já entraram em debate, mas é preciso lembrar que essa alteração impactaria, também, nas cotas de transmissão e patrocínio já fechadas em 2020, o que também atravessa uma possível negociação para 2021. No entanto, essa alteração poderia auxiliar, no futuro, a solucionar problemas antigos que já atingiam o futebol brasileiro referentes ao calendário e as datas que conflitavam e culminavam na acumulação de competições. Para o empasse financeiro, a FIFA já confirmou uma injeção de dinheiro para tentar salvar o futebol financeiramente. Não especificou, porém, como esse processo será feito. A medida está em votação e, se aprovada, deve entrar em vigor o quanto antes.

O futebol é paixão. Algo que move e encanta torcedores das mais variadas faixas etárias, diferentes crenças políticas e religiosas. Sua ausência deixou lacunas para os brasileiros, e não só nos quesitos econômicos e sociais. O torcedor está procurando novos modos de direcionar sua paixão. Na última terça-feira (31), por exemplo, o Big Brother Brasil registrou seu recorde máximo em votações. A mesma contou mais de 1,5 bilhões de interações e a mobilização de inúmeros jogadores de futebol.

Confira o vídeo do canal VSR sobre as ações da FIFA:

Texto produzido por Tiago Souza e Valeria Contado

Foto destaque: Reprodução/Instagram

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Valéria Contado
Valéria Contado
Eu sou a Val Contado, finalmente jornalista (uhul!), apaixonada por futebol há 24 anos, desde quando meu pai colocou em mim o uniforme do nosso time do coração. Adepta da arte da resenha, falar e respirar futebol é o que eu mais gosto de fazer.

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