O passado recente do Sport Club Corinthians Paulista traz algumas questões e um certo grau de incerteza quanto ao futuro do Timão. 12º colocado no último Campeonato Brasileiro, o clube ficou de fora da edição atual da Copa Libertadores. O crescimento da dívida e o desempenho medíocre preocupam a torcida corintiana. Em suma, o objetivo desse texto é projetar o momento atual do Corinthians.

Era Mancini e um novo ciclo no Corinthians

De antemão, quero destacar que a continuidade do trabalho de Vagner Mancini é fundamental para o futuro do Corinthians. Em contrapartida, a campanha fraca no certame nacional exerce uma pressão considerável sob os seus ombros. Apesar de ainda não ter perdido na temporada de 2021, o time tem atuado de modo relativamente questionável. Afinal, a classificação suada sobre o Retrô expôs as limitações do elenco.

No Paulistão, o Timão soma três vitórias (Ponte Preta, São Caetano e Mirassol) e dois empates (Bragantino e Palmeiras). Na Copa do Brasil, um triunfo sólido (Salgueiro) e um empate decidido nos pênaltis a seu favor (Retrô). O fato de não conseguir derrotar os adversários da mesma divisão é um indicativo de alerta. O próprio futebol que o Corinthians apresenta coloca dúvidas na cabeça da torcida.

Dono de um currículo invejável na década passada, o Corinthians vive um ciclo de pulverização. Entretanto, hoje o principal desafio de Duílio Monteiro Alves é buscar uma ruptura que permita ao Alvinegro do Parque São Jorge restabelecer sua potência em um curto intervalo de tempo. Nesse sentido, acredito que a recuperação da equipe de Mancini depende de um resgate do DNA da escola corintiana nos anos 2010.

O crescimento da dívida corintiana

A princípio, o fator econômico não era necessariamente um problema para o Corinthians. Sobretudo em função das receitas oriundas da colaboração de sua imensa torcida. Contudo, o Timão se afundou em dívidas que hoje equivalem a quase R$1 bilhão. Por outro lado, esse montante aumenta quase 50% se considerarmos as pendências referentes à compra da Neo Química Arena.

A presidência de Andrés Sanchez é um divisor de águas na história do Corinthians. Responsável pela remontada após o rebaixamento em 2007, o dirigente reergueu o Timão e construiu a base para o sucesso nos anos posteriores. Hoje é mal visto pela torcida devido ao seu envolvimento na Operação Lava Jato, e na própria gestão dos recursos do clube. Por outro lado, fez o seu sucessor e segue influente nos bastidores.

Nesse sentido, a montagem do elenco nas últimas temporadas deixou muito a desejar. Afinal, o Corinthians não conquistou nenhum dos principais títulos durante esta passagem de Sanchez. Até bateu na trave em 2018 quando perdeu a final da Copa do Brasil para o Cruzeiro. É razoável dizer que a realidade de ambos é semelhante. Pelo menos em termos econômicos, já que a Raposa passa por um interregno no 2º escalão.

O futuro do Corinthians em 2021

Pressionado por uma dívida sufocante de R$949 milhões, o Corinthians carrega o fardo de ser o último clube sul-americano campeão mundial. Dessa forma, é natural que exista uma pressão por grandes resultados. Em sete anos o Timão venceu o Brasileirão (2011, 2015 e 2017), a Libertadores (2012), o Mundial (2012) e a Recopa Sul-Americana (2013). Esse desempenho sensacional certamente deixou a Fiel mal acostumada.

No entanto, um time não pode viver de passado. O presente do Corinthians preocupa demais e o futuro não parece tão promissor por enquanto. Afetado pela pandemia – assim como os outros times –, o Coringão se articula para impedir que aconteça com ele o mesmo que houve no caso do Cruzeiro. Recentemente, Botafogo e Vasco da Gama se juntaram à Raposa. A princípio, os três prometem a Série B mais disputada da história.

Desde já, acho que é cedo para se falar em rebaixamento. A meu ver uma discussão produtiva após o término do 1º turno. Evidentemente estamos um pouco distantes desse momento. Enfim, a caminhada do Corinthians está só começando. Precisamos dar tempo ao tempo. Porém, a cada ano que passa aumenta o nível técnico do campeonato. Um descuido pode custar a vaga na elite. A punição que sem sombra de dúvida nenhum torcedor quer.

Foto destaque: Divulgação/Rodrigo Coca

Avatar
André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.

Deixe uma resposta