Alemanha Ocidental x França - Copa do Mundo 1982

A princípio, a Copa do Mundo de 1982 é considerada como uma das melhores de todos os tempos. Isso se deve pela presença de tantos craques do futebol na mesma edição. De antemão, todos sabemos que a seleção brasileira tinha Zico, Sócrates, Falcão e muito mais. No entanto, a França tinha um dos melhores do mundo, Michel Platini. Além do craque, no elenco continha um dos melhores e habilidosos defensores da época Marius Trésor.

Por outro lado, a Alemanha Ocidental contava com o duas vezes vencendo da Bola de Ouro, Karl-Heinz Rummenigge. Além de craques como Horst Hrubesch, Manfred Kaltz, Felix Magath, Paul Breitner e Klaus Fischer.

Dessa forma,  a coluna Quebrando Muros dessa semana conta a história desse confronto entre alemães e franceses, que até hoje é considerado como um dos maiores jogos da história do futebol mundial.

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O PERCUSO ATÉ O EMBATE – ALEMANHA OCIDENTAL

A princípio, a Alemanha Ocidental não teve vida fácil na competição. A equipe de Jupp Derwall ficou no Grupo B, juntamente com Argélia, Áustria e Chile. De antemão, a estreia foi com derrota, a Argélia venceu os favoritos por 2 x 1, tornando-se assim a primeira seleção africana a vencer um europeia na competição. Posteriormente, ambas as seleções venceriam o Chile, porém os alemães aplicaram 4 x 1 nos chilenos, com três gols de Karl-Heinz Rummenigge. Sendo assim, o saldo de gols seria um fator importante na disputa. Ademais, definição do grupo ficou para última rodada.

ALEMANHA OCIDENTAL X ÁUSTRIA – O JOGO DA VERGONHA

Dessa forma, uma simples vitória por 1 x 0 classificaria a Alemanha e também  a Áustria, na qual era seu adversário. Aos 11 minutos, Horst Hrubesch marca o gol da vitória e ambas os times estão classificados. Vale ressaltar, que após o tento, nenhum dos lados finalizaram mais na partida e mostraram-se sem vontade nenhuma de jogar futebol, queriam apenas que a partida acabasse. Fato esse que fez a torcida no estádio começar a vaia ambos os times.

Dessa maneira, após muitas críticas dos jogadores da Argélia e da própria imprensa, ficou decidido que a última rodada de cada grupo na copa do mundo ocorreria ao mesmo tempo, evitando combinação de resultados. Ainda mais, o confronto entre Alemanha Ocidental e Áustria ficou conhecido e lembrado até hoje como “O jogo da vergonha”. Em suma, Alemanha, Áustria e Argélia tinham quatro pontos, porém os alemães tinha saldo de três gols e os austríacos de dois, já os argelianos tinham zero de saldo e davam adeus ao torneio.

Alemanha x Áustria 1982: o jogo da vergonha
Alemanha x Áustria 1982: o jogo da vergonha. Foto: Reprodução/Trivela    

Posteriormente, na segunda etapa da copa do mundo, que na época era novamente em fase de grupos, a Alemanha ficou no Grupo B, junto com Inglaterra e Espanha. Primeiramente, enfrentou a Inglaterra e empatou em 0 x 0. Logo depois, encarou a Espanha, na qual venceu por 2 x 1. Desse modo, com quatro pontos avançou para a semifinal, uma vez que os ingleses somaram dois pontos e os espanhóis apenas um. Com isso, o próximo confronto seria o contra a França de Michel Platini.

O PERCURSO ATÉ O EMBATE – FRANÇA

Por outro lado, os franceses também começaram mal na competição. De antemão, no Grupo D continha Inglaterra, Tchecoslováquia e Kuwait. A estreia foi contra os ingleses que venceram por 3 x 1. No entanto, após essa derrota a França venceu por 4 x 1 o Kuwait e na última rodada empatou em 1 x 1 com a Tchecoslováquia. Dessa forma, a Inglaterra passou com seis pontos, na primeira posição e a França avançou para segunda etapa ocupando a segunda posição com quatro pontos.

Agora na segunda fase, o Grupo D ficou com França, Irlanda do Norte e Áustria. A princípio, o primeiro jogo foi contra os austríacos. A partida terminou em 1 x 0 para os franceses. Por outro lado, o segundo encontro foi com uma vitória tranquila por 4 x 1. Dessa forma, com seis pontos a França passou sem dificuldades para a semifinal, na qual o adversário seria a bicampeã mundial, a Alemanha Ocidental de Karl-Heinz Rummenigge.

O CONFRONTO – ALEMANHA OCIDENTAL X FRANÇA

Em 8 de julho de 1982, Alemanha Ocidental e França definiriam quem passaria para grande final. O confronto ocorreu no Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilla. De antemão, com dores musculares Rummenigge começou o duelo no banco de reservas.

No entanto, mesmo com a ausência de seu melhor jogador na equipe titular, os comandados de Jupp Derwall saíram na frente. Logo aos 17 minutos do primeiro tempo, Klaus Fischer foi lançado e ficou na cara do goleiro Jean-Luc Ettori, que saiu do gol para evitar o tento. No entanto, a bola sobrou com Pierre Littbarski, que encheu o pé para abrir o marcador. Porém, assim que o jogo foi iniciado, Rocheteau sofreu pênalti. O camisa 10, Michel Platini cobrou muito bem, sem chance para o goleiro Harald Schumacher.

“SE É SÓ ISSO, EU PAGO PELAS COROAS”

Após o empate, a França dominou o restante da primeira etapa, com Platini tendo duas boa oportunidades e jogando muito bem. Já na segunda etapa, logo no início Michel Hidalgo colocou o até então titular Patrick Battiston no lugar do já amarelado Bernard Genghini. Logo mais, nove minutos após entrar, Battiston é lançado, desvia a bola que vai para fora, porém é atingido brutalmente por Schumacher. Até hoje não o lance é discutido, se foi intencional ou não o choque de Schumacher com Battiston. Em suma, o francês perdeu dois dentes, fraturou três costelas e danificou algumas vértebras, além de sair desmaiado e sem pulso do campo.

“Pediu desculpa, perdoei-lhe, mas não quero falar mais disso. Não quero encontrar-me com ele. Senti que ao longo dos anos ele ficou marcado por isso, mas acabou. Passou. Foi um acidente em campo, nunca saberemos se foi propositado ou não”, contaria o antigo futebolista do Bordéus, em 2012, em declarações à RTL.
Entretanto, em quanto Battiston estava no jogado no campo, Schumacher não expressava nem um sentimento, apenas mascava seu chiclete e esperava autorização para bater o tiro de meta (isso mesmo, o juiz nem se quer deu falta).  No final da partida,  contaram sobre os dentes do francês ao goleiro alemão, sua resposta foi: “Se é só isso, eu pago pelas coroas”. O comentário do alemão saiu muito mal para todos e o guarda-redes ficou marcado pelo lance por toda sua carreira. Após ser levado ao hospital, o atleta francês entrou em coma, mas recuperou-se rapidamente.
Battiston é carregado de maca para fora do gramado, ao seu lado Michel Platini. Foto: Reprodução/Getty Images)
Battiston é carregado de maca para fora do gramado, ao seu lado Michel Platini. Foto: Reprodução/Getty Images

VAMOS PARA A PRORROGAÇÃO!

A princípio, a França sentiu o choque do lance de Battiston e a Alemanha cresceu tendo boas chances. No entanto, o confronto foi para prorrogação. Logo aos três minutos, Platini faz boa jogada pela direita, sofre falta. Como resultado, o cruzamento veio no pé de Marius Trésor, que sem deixar a bola cair no chão acertou um belo chute, sem chances para o goleiro Schumacher. Desse modo, atrás do resultado, Jupp Derwall coloca finalmente Rummenigge.

Um minuto depois da entrada do craque, após boa jogada de Platini, a França ampliou para 3 x 1, com Alain Giresse. Posteriormente, Rummenigge recebe cruzamento na pequena área e faz malabarismo para fazer o tento, diminuindo a diferença para os alemães.

Já na segunda etapa, logo aos três minutos, Klaus Fischer acerta uma meia bicicleta e incrivelmente a partida está empatada. Ademais, sem grandes chances a confronto vai ser decidido nos pênaltis.

AGORA É NOS PÊNALTIS!!

Fica claro, portanto, que na partida não faltou emoção, porém pra entrar na história o confronto seria decidido nos pênaltis. Primeiramente, Alain Giresse marcou para França, logo depois Manfred Kaltz igualou as cobranças. Manuel Amoros e Paul Breitner marcaram para suas respectivas seleções. Dominique Rocheteau balançou as redes, porém o alemão Uli Stielike perdeu sua cobrança, uma vez que Ettori executou boa defesa.

Desse modo, podendo ampliar para quatro a dois, Didier Six foi para cobrança, porém parou em Schumacher. A quarta cobrança ficou sob responsabilidades dos craques Michel Platini e Karl-Heinz Rummenigge, ambos converteram a penalidade. No último pênalti para França, Maxime Bossis chutou e mais uma vez o goleiro alemão brilhou, defendendo a cobrança. Por fim, Horst Hrubesch chutou na direita e Ettori ficou parado no meio do gol. Dessa forma, Alemanha Ocidental em mais uma final de copa do mundo, porém  Paolo Rossi e a azurra passaria facilmente pelos alemães.

Ademais, o confronto é inesquecível e sempre será lembrado no meio esportista. Além disso, é considerado como um dos maiores jogos da história do futebol, para alguns até o melhor. Nada resume melhor esse encontro do que as próprias palavras de Michel Platini: “Foi meu jogo mais bonito. O que aconteceu naquelas duas horas reuniu todos os sentimentos da própria vida. Nenhum filme, nenhuma peça, conseguiria capturar tantas contradições e emoções. Foi completo. Tão forte. Fabuloso”.

Foto Destaque: Reprodução/ Lance

 

Gustavo Domingos
Olá amigos! Um garoto do interior de Alagoas, na qual, sempre sonhou em levar informação ao povo. Dessa maneira, escolhi o jornalismo pra ser minha profissão e meu prazer diário. Uma vez que mostrar o que se é procurado, é muito gratificante e realizador. Estou cursando a graduação de jornalismo na Universidade Federal de Alagoas. Já tenho muitas coisas em mente nesse universo de informações. Além do Futebol Na Veia, sou redator do portal Lab Dicas Jornalismo, na editoria cultural. Considero que esportes, bons filmes, boas músicas e bons livros, fazem a vida ser melhor. Logo, não abdico desses quatro aspectos.

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