Consumo determina o perfil do torcedor de futebol

Estudo abrange as 27 capitais brasileiras e busca medir o comportamento e atitudes das pessoas que possuem algum tipo de interesse pelo futebol

O SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgou a Pesquisa de Mercado de Consumo do Futebol Brasileiro (set/2016), que estabeleceu um indicador inédito, o perfil do torcedor no país. Os dados identificaram três perfis, o aficionado, o fã intenso e o simpatizante. Para indicar essas informações os órgãos responsáveis analisaram o comportamento de consumo dentro de todas as capitais brasileiras.

A ideia de o Brasil ser o “país do futebol” faz o torcedor ser uma pessoa que tem “amor à camisa” e uma “paixão incondicional” pelo time. Para a especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva, Maria de Lourdes da Cunha Sola, “todos temos gostos e preferências e gostar quer dizer se sentir reforçado por algo. Gostar de um time, comprar uma camisa do meu time é um comportamento perfeitamente normal”.

Ser apaixonado ou amar o futebol, assistir todos os jogos do time, ir com frequência ao estádio e acompanhar sempre as notícias sobre futebol e do time de coração é o perfil do torcedor aficionado que representa 8,4% do total dos entrevistados. “Me identifico perfeitamente com o aficionado, não perco nenhum jogo e quando perco deixo gravando para assistir posteriormente. Em relação aos produtos eu tenho o hábito de comprar produtos sim e algumas vezes já fiz loucuras para tê-los, portanto já me endividei, vou ao jogo pelo menos uma vez por mês e sou sócio torcedor do clube”, afirma Maviel Santos Silva (31), que é torcedor do Palmeiras. Danilo Scalli (30) que é sócio torcedor do São Paulo, vai a quase todos os jogos já se endividou “mas não a ponto de negativar meu nome”, acrescenta.

Os números chamam a atenção dentro desse perfil: 53,9% admitiram já terem feito dívidas para viajar e assistir aos jogos do time; 43,6% já deixaram de guardar dinheiro para comprar produtos e serviços relacionados ao futebol; 21,8% já ficaram com o nome sujo; 21,3% já ficaram com o orçamento descontrolado e 10,1% declarou que deixou de pagar contas como: fatura de cartão de crédito (34,7%); telefone (25,8%); cartão de loja (22,8%); e conta de luz (19,3%).

Outro perfil identificado na pesquisa é a do torcedor fã intenso que representa 36,6%. Caracterizado pelo o fato de gostar de futebol, assistir aos jogos do time, ir ao estádio, mas sem uma frequência certa e acompanha de perto as notícias apenas do time de coração. Ou tenta ver a maioria dos jogos e quando tem um tempo ler as notícias.

Esse número vem aumentando por vários fatores, os torcedores param de ir ao estádio por medo de brigas e confusões (46,1%) que muitas vezes são relacionados a torcidas organizadas, buscam o conforto de casa ou do bar (34,4%), que são locais mais tranquilos e o fato de não ter dinheiro para pagar os ingressos (11,3%, aumentando para 13,2% na Classe C/D/E). A torcedora Tatiana Santos (32), se considera uma fã e diz que “o futebol não é mais visto como antes, mudaram muitas coisas e não é tão divertido ver futebol e nem saber de futebol”.

Marcelo Costa também é um fã, que parou de ir aos estádios e não tem o hábito de comprar produtos do seu time, o Corinthians. “Assisto aos jogos, especialmente aos domingos, pois relaxa e é terapêutico, mas nunca deixei de pagar nenhuma conta por causa do meu time”. Outro fator que pode ter diminuído a participação efetiva dos torcedores nos estádios é a violência e as punições às torcidas organizadas em que tornaram jogos de duas torcidas, como jogos de torcida única”, relata Marcelo. A especialista Lourdes Sola explica esse comportamento “um torcedor comum gerencia as diversas áreas da vida de maneira satisfatória já o fanático sofre prejuízo seja nas relações pelo tempo dispensado à sua paixão, nas finanças, por não avaliar prejuízos e em todas as áreas da vida”.

O terceiro perfil, que tem o segundo maior indicador da pesquisa 43,5%, é do torcedor simpatizante que tem um time e que acompanha os jogos para valer apenas quando começam os jogos importantes e as finais dos campeonatos ou só fica sabendo de alguma coisa sobre o time se ele ganha algo. No total, 22,4% dos torcedores que participaram da pesquisa preferem consumir produtos e marcas que patrocinam o seu time e em média o torcedor compra 4,4 produtos por ano.

Em modalidades esportivas de massa, como o futebol, é comum encontrar pessoas verdadeiramente passionais, dispostas às maiores demonstrações de apreço pela equipe para a qual torcem. O fator biológico é associado a estímulos ambientais que tornam os torcedores mais vulneráveis “é um tema complexo e não daria para explanar tudo e tem a mesma dinâmica de qualquer dependência e entra a questão do autocontrole que seria a capacidade de avaliar as consequências de um comportamento e aficionados não apresentam tal capacidade”, conclui Lourdes.

Na vida do torcedor, o time sempre terá um lugar importante e isso se reflete nos hábitos de consumo. O desafio é quando esses hábitos criam desequilíbrios, desde uma compra aleatória a um endividamento que leva a restrição nos serviços de proteção ao crédito. O torcedor precisa estar ciente do seu orçamento e de sua realidade financeira.

Maria Angélica Andrade

Sobre Maria Angélica Andrade

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Sou Maria Angélica Andrade, moro em São Paulo, tenho 27 anos. Faço Jornalismo e amo esportes em especial futebol. Escrever sobre um esporte tão querido pelos brasileiros é motivo de orgulho e muita responsabilidade.

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