Futebol Feminino

O futebol surgiu na Inglaterra no ano de 1898. No Brasil, em 1908 e 1909, como há registros aconteciam partidas mistas, homens e mulheres jogavam juntos. No entanto, por um longo tempo um evento beneficente ocorrido em 1913 foi considerado a primeira partida de futebol feminino no país. Mas na verdade, eram jogadores do Sport Club Americano vestidos de mulher que disputaram a partida. Eles foram campeões paulista daquele ano. Sendo assim, a primeira partida oficial da modalidade feminina ocorreu em 1921 no Brasil. Uma partida entre atletas do bairro Tremembé contra as do bairro Cantareira, na zona norte de São Paulo.

Antigamente o futebol era visto como um esporte exclusivamente masculino por ser considerado bruto demais para uma damas. O preconceito era tanto que a primeira mulher a arbitrar um jogo masculino aconteceu somente em 1941, após o arbitro passar mal e a atleta da partida anterior assumir seu lugar.

Foto Destaque Acervo Araguari Atlético Clube/ Museu do futebol

Fotos: Reprodução/Acervo Museu do Futebol/Futebol Feminino

A Proibição

Tudo começou mudar em 1940, após a modalidade feminina disputar jogos no Pacaembu. Ao invés de estimular as mulheres em campo, essa visibilidade gerou revolta em parte da sociedade. Mulheres jogando futebol não agradava as famílias conservadoras e a opinião publica junto com as autoridades da época juntaram esforços para conseguir que a prática fosse proibida.

As mulheres passaram a serem proibidas de jogarem futebol em 1941, através de um processo de regulamentação do esporte no Brasil. Na ocasião, havia um grande debate sobre a profissionalização e amadorismo, e foi assim que a pauta sobre esportes femininos entrou na dança. O CND (Conselho Nacional de Desportos) instaurou decreto-lei 3199, art 54, no dia 14 de abril de 1941. Onde dizia que de forma geral as mulheres não deveriam praticar esportes que não fossem adequados a sua natureza.

Foto Destaque: reprodução Museu do Futebol

Fotos: Reprodução/Acervo Museu do Futebol/Futebol Feminino

Em 1965, já no governo militar, um novo decreto foi publicado. Apesar de proibido, as mulheres continuaram a disputar de forma clandestina. Não há muitos registro da época por causa da proibição, desta vez, a decisão foi específica e as mulheres estavam estritamente proibidas de jogar bola. A lei foi revogada no fim dos anos 70, e isso foi o inicio de uma nova jornada para a modalidade feminina.

O Recomeço do Futebol Feminino

A modalidade feminina foi regulamentada apenas em 1983. Contudo, foi permitido competir, criar calendários, utilizar estádios, ensinar nas escolas. Clubes como o Radar e SAAD, eram alguns dos times competitivos da época. Portanto surgiram como pioneiros no profissionalismo. Aliás, a equipe carioca Radar conquistou muitos títulos nacionais e internacionais, já O SAAD de São Paulo também surgiu com bastante força afermentando a rivalidade no esporte.

Em 1988, a Fifa realizou na china, um Mundial como uma versão teste chamado Women's Invitational Tournamet. Foi quando a primeira Seleção Brasileira de Futebol Feminino foi convocada. Na verdade, a maioria das atletas foram cedidas pelo Radar, 16 garotas ao todo, para disputar o torneio. Como resultado, o time venceu seleções como Portugal, França e Espanha. O primeiro time internacional da Seleção, apesar de preparadas para jogar um Mundial, não houve um investimento na modalidade. As jogadoras sequer tiveram confecção de uniforme próprias para elas, viajaram para o Mundial com as sobras das roupas do time masculino.

Foto destaque: Antonio Gebhardt

Fotos: Reprodução/Acervo Museu do Futebol/Futebol Feminino

Depois disso, o futebol feminino cresceu e a Fifa passou a organizar os eventos da modalidade, inclusive a primeira copa do mundo de 1991. A CBF assumiu o time oficialmente, mas o tratamento ainda era muito amador. O Brasil teve menos de um ano de preparação e foi eliminado logo na primeira fase. A zagueira Elane marcou o primeiro gol do país em torneios Fifa, na vitória diante do Japão. A equipe, no entanto, perdeu jogos para Estados Unidos e Suécia.

Medalha de Bronze

Em 1999, veio a primeira medalha da Fifa, depois da seleção se consolidar nas olimpíadas em 96. A Seleção Feminina ainda tratada com muito amadorismo venceu a Seleção Norueguesa nos pênaltis e garantiu o terceiro lugar e a Medalha de bronze. A primeira Copa do Mundo da Rainha Marta veio quatro anos depois. Quando ainda garota e sem imaginar se tornar a melhor jogadora do munda já atraia a atenção entre as jogadoras mais experientes. Alias, aquele, seria também o primeiro Mundial da atacante Cristiane.

Embora o futebol feminino tenha enfrentado poucas e boa para chegar a modalidade que conhecemos, ainda é preciso superar muita adversidade apesar das vitorias conquistadas. Afinal o preconceitos é uma realidade, ao passo que as meninas sofrem com a falta de visibilidade, investimentos e direitos. No entanto, há times se mobilizando a favor dos times femininos, como o caso do Palmeiras após aplicar a inclusão com a jogadora Stefany deficiente auditiva.

Foto Destaque: Reprodução Globo Esporte/Acervo Museu do Futebol

 

Caroline Leal
Meu nome é Caroline Leal, tenho 23 anos e estudo jornalismo na Universidade São Judas Tadeu (USJT). O jornalismo para mim, é o privilégio de fazer tudo o que amo de maneira cada vez mais desafiadora. Sou apaixonada por futebol e basquete, e acredito que através da escrita, podemos transpassar esse amor aos leitores. Como objetivo tenho: Ser uma das melhores jornalistas e sonho em ser correspondente esportiva. Faço jobs voluntário na área de comunicação e mídia e as vezes me arrisco como fotógrafa amadora.

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