Conmebol, arbitragem e clubes brasileiros: a relação abalada pelo apito

A final da Libertadores não terá equipes brasileiras ou argentinas após 25 anos. Além disso, o Independiente Del Valle conseguiu uma classificação inédita. Por fim, é a primeira vez que colombianos e equatorianos enfrentar-se-ão em uma final de Libertadores. Mas nenhum destes dois fatos chama tanta atenção quanto à polêmica envolvendo a arbitragem no torneio continental.

O São Paulo não jogou bem em casa e foi derrotado pela melhor equipe da Libertadores, mas o protagonista da partida foi o árbitro argentino Mauro Vigliano. Maicon foi imprudente e infantil, mas o assoprador de apito foi rigoroso. Ademais, o goleiro da equipe, Armani, fez cera até não poder mais e não ganhou um cartão amarelo sequer. Na semana seguinte, jogando na Colômbia, o primeiro tempo do São Paulo foi exemplar. O Tricolor jogou em 45 minutos o que não jogou nos noventa anteriores, mas novamente, um árbitro foi protagonista. O chileno Patrício Molic não marcou pênalti claríssimo em Hudson no minuto derradeiro da primeira etapa. Ainda, expulsou Lugano e Wesley em uma situação nada esclarecedora.

Engana-se, entretanto, quem acredita que decisões no mínimo duvidosas são exclusividade desta edição da competição. Investigações comprovam a relação inescrupulosa entre árbitros e a Conmebol.

Em junho de 2015, a emissora argentina América revelou escutas envolvendo Julio Grondona, ex-presidente da Associação Argentina de Futebol, e Abel Gnecco, diretor da Escola de Árbitros da AFA. A conversa revela que o Independiente ganhou roubado do Santos na semifinal de 1964 e que Carlos Amarilla prejudicou intencionalmente o Corinthians no jogo de volta, no Pacaembu, nas oitavas de final da edição de 2013.

Antes disso, em 2001, Ubaldo Aquino prejudicou claramente o Palmeiras contra o Boca Juniors. Quatro anos depois, em 2005, a vítima foi o São Paulo. Na ocasião, o Tricolor eliminou o River Plate, mas a arbitragem foi tendenciosa outra vez. No Morumbi, uma série de faltas foi invertida e os jogadores chegaram a ser ameaçados pelo árbitro Gustavo Méndez. Na Argentina, Rubén Selman anulou um gol legítimo marcado por Mineiro e não expulsou Mascherano em falta duríssima. O volante, inclusive, já se direcionava ao vestiário quando notou que não havia sido expulso. Descobriu-se posteriormente que o árbitro Gustavo Méndez recebeu vinte mil dólares do empresário Jorge Chijani.

Na época em que o São Paulo foi bicampeão sul-americano, em 2004, o então presidente do clube, José Eduardo Mesquita Pimenta, foi claro: ‘’Era preciso ter relacionamento próximo, que servia basicamente para impedir que o time fosse roubado quando jogava fora de casa”, referindo-se a sua amizade com o presidente da Conmebol, Nicolás Leoz. A conjuntura explicita algo escancarado: a Conmebol não possui credibilidade alguma e as atuações de árbitros em partidas envolvendo equipes brasileiras é, no mínimo, estranha.

Às equipes brasileiras, que totalizam 17 títulos, restaria o boicote ao torneio. Tal medida, entretanto, não é nada simples. Os clubes nacionais ambicionam veementemente a chegada ao torneio, através da classificação entre os quatro primeiros do Brasileirão. Além disso, a CBF não daria o respaldo necessário aos seus filiados, já que poderia ser punida pela Conmebol.

Embora seja uma tarefa árdua, os clubes brasileiros têm motivos de sobra para boicotar a Libertadores: além da questão envolvendo a arbitragem, há uma taxa abusiva a ser paga pelos clubes à Conmebol e às Federações regionais.

As partidas entre São Paulo e Atlético Nacional de Medellín foram apenas mais um capítulo da novela envolvendo arbitragens temerárias e equipes brasileiras. A Confederação Brasileira de Futebol, que atende pelo nome de CBF, deveria tomar uma medida drástica, a fim de mitigar as consequências negativas as quais os clubes brasileiros estão submetidos. É uma pena que o presidente da entidade máxima do nosso futebol não pode sequer viajar.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

BetWarrior


André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

    Artigos Relacionados

    Topo