Conheça um pouco sobre Daniel Ferreira, o jovem torcedor do Angra dos Reis Esporte Clube

Daniel Ferreira de Oliveira tem apenas 19 anos e é torcedor fanático do Angra dos Reis Esporte Clube (time que está na terceira divisão do Campeonato Carioca) desde 2008. Gente como a gente, Daniel trabalha como ambulante, vendendo picolé pelas ruas de Angra e a noite estuda. Na manhã de segunda-feira (5), teve um dia de folga pra lá de especial. Ele acordou disposto a encarar algumas boas horas de viagem, várias baldeações e ir apoiar ao Tubarão. Valeu a pena, afinal ele viu de perto a goleada de 4×0 contra o Ceres, era o único torcedor presente no estádio, teve uma volta esplendida no ônibus dos jogadores e comissão técnica e ainda viralizou na internet.

Com muito bom humor, ele concedeu uma entrevista para o Futebol na Veia. Falou um pouco das loucuras já cometida pelo Angra, o que deseja para o futuro do clube e fez um pedido especial.

Marcella Azevedo: Primeiramente, conte um pouco sobre você. Além de ser torcedor fanático do Angra, o que mais você gosta de fazer?

Daniel Ferreira: Gosto de trabalhar, sair com a minha namorada à noite, ir a praia, curtir as ilhas de Angra, assistir futebol ou jogar vídeo game (desde que seja de futebol, risos). Tudo que seja relacionado a futebol eu gosto.

MA: E o que sua família e amigos falam sobre esse fanatismo?

DF: Meus amigos me chamam de maluco, querendo mexer comigo, isso é o que mais me motiva, porque eu sei que quando for colocado os “pingos nos is”, o Angra vai crescer. Basta apenas as pessoas que podem ajudar, querer ajudar, por exemplo: empresários e comerciantes da cidade, se quiserem ajudar, eu creio que não vai demorar muito tempo para a gente disputar o brasileiro. Quando eu falo isso, ai que meus amigos em chamam de maluco, minha família fala que eu preciso parar um pouco, que meu tempo é quase todo do Angra, que eu falto em serviço, falto em escola por causa do Angra, mas é isso que me motiva.

MA: Além de ser o único torcedor nesse jogo, qual outra loucura você já fez ou faria pelo Angra?

DF: Outra loucura que eu já fiz foi sair de casa às 5h da manhã, sem avisar ninguém. Comprei a passagem e fui a São João da Barra. Não tinha nem dinheiro pra voltar. Voltei no ônibus com os jogadores. E são 9 horas de viagem daqui pra lá. O Angra ganhou de 1×0.

MA: Você tinha alguma noção de que séria o ÚNICO  torcedor do Angra a ir ao estádio acompanhar o jogo? Qual foi o momento que você parou e refletiu que só tinha você ali?

DF: Não, até o momento eu achava que teria o jogo dos juniores antes e por isso teria os familiares dos juniores lá, e falei pra mim mesmo: “vou me controlar porque posso xingar um jogador lá e a mãe ou pai dele estarem lá, e eu não quero arrumar tumulto, porque não tô dentro de casa”. Mas na hora, nem me toquei, o momento que eu parei  e vi que só tinha eu ali, foi quando isso viralizou na internet, eu estava ligadão no jogo, não prestei atenção nos outros. Tinha o presidente lá do Ceres, que queria arruma confusão comigo, porque eu estava apoiando, porque eu falei que foi pênalti e o juiz não marcou, isso fez me motivar ainda mais para torcer. Só em casa refleti que eu era o único, após ver eu em vários sites, reportagens de TV e muita gente comentando sobre mim.

MA: Algum jogador ou alguém da comissão foi falar com você ao fim do jogo?

DF: Todo mundo veio falar comigo, foi um momento que acho que nunca mais vou viver na minha vida. Desde a hora que cheguei foi emocionante, porque no momento em que cheguei, o ônibus parou bem longe e tive que andar por quase 3km da Avenida Brasil até o estádio e quando vi, cheguei junto com os jogadores. Aí teve um jogador que até tirou uma foto minha andando, de dentro do ônibus; outros não acreditaram que eu estava ali. O primeiro a me receber foi o técnico Leandro e falou: “Na volta, você vai vir com a gente no nosso ônibus”, me deu um abraço e um salve para o vídeo que eu estava fazendo.

Depois foi descendo a galera toda, todo o time, comissão, todos tocando na minha mão, me abraçando, um até me beijo no rosto (risos). Até o goleiro Gabriel, do Ceres que foi revelado no Angra, veio falar comigo e falou para o Leandro (técnico do Angra), que eu era doido, fanático, que eu era o melhor (não nessas palavras, mas por ser um palavrão não irei falar, mas acho que você entendeu, risos)

MA: Qual foi a sensação após ver a goleada de 4×0, com direito a Hat-trick do Saci e sendo o único a estar lá?

DF: Nossa… Depois que fez 2×0 e o jogador do Ceres foi expulso, eu comecei a gritar: “Já era, vai virar passeio”. E eu pedindo “VAMOS, VAMOS, FAZ MAIS UM, MAIS UM…”, gritando lá de cima pra fazer mais. E quando estava quatro eu gritava “CABE SEIS, VAMOS!”. E o time não parava de atacar, se não fosse o goleiro Gabriel, eu tenho certeza que seria uns 6 ou 7, certeza. E esses três gols do Saci… Cara… Saci fazia gol e virava pra mim e agradecia, batia palma, normalmente ele vai pra galera e dessa vez ele veio até mim e agradecia. Saci é um cara muito humilde, sempre apoia o pessoal da torcida, sempre recebe todo mundo bem, ele merece ser artilheiro esse ano.

MA: Você é um dos assuntos mais comentados essa semana no meio de diversos torcedores. Muitos até te chamaram de “O verdadeiro torcedor raiz”, por estar presente em um jogo da Série B2, em plena segunda-feira, às 15h. Você se considera mesmo um torcedor “raiz”?

DF: Não… Assim… Eu me considero comum. Torcedor normal, porque não é a primeira vez que eu faço isso e creio que não vai ser a última, é normal pra mim isso. Igual o pessoal está falando: você é maluco, é muito longe. Eu não ligo para a distância. Eu até cheguei a pensar: nossa dava pra vir de moto (eu tenho uma BIS 125), mas o pessoal fala que eu sou maluco indo de ônibus, imagina de moto? As pessoas falam que eu fui muito longe e eu não vi que era tão longe. Não sabia a distância exata, mas não imaginava o quão longe era.

Eu não me considero um torcedor raiz, porque isso é normal eu fazer. Eu não sei nem mesmo o que é ser um torcedor raiz. Quem eu falo que é torcedor raiz é um rapaz que eu respeito muito, o Capitano, do Flamengo. Eu acompanho muito ele e o cara viaja o mundo todo atrás do Flamengo, isso sim é torcedor raiz. Eu só vou até o Rio de Janeiro, por enquanto, porque o Angra só disputa o estadual.

MA: Quando o Angra chegar a série A e jogar contra o Flamengo, como ficará o seu coração?

DF: O Flamengo tem 40 milhões de torcedores. O Angra tem eu e mais alguns, então, se chegar a séria A, eu deixo de ser Flamengo para ser Angra. Eu sou Flamengo mesmo, porque o Angra não disputa o ano todo de campeonato, e eu gosto muito de futebol. Quando eu conheci o Angra, ele era o meu amante, mas hoje em dia com certeza é meu fiel (risos).

E aqui tem o pedido especial de Daniel, que mesmo com esse “momento de fama”, não esquece o carinho que tem pelo Tubarão: “Queria que todas as pessoas que têm grandes condições, empresários da cidade, ajudassem meu time. É um clube carente, sem condições de pagar os jogadores, mas com um time de qualidade, uma diretoria com sabedoria e um técnico excelente. Se chegar alguém investindo, acho que não vai demorar muito para chegarmos até a um campeonato nacional. Aí, vou poder olhar na cara de cada um que me chamou de maluco e dizer: “obrigado por me motivar, hoje sou ainda mais feliz”. Vou poder me olhar no espelho e dizer que valeu a pena. Queria fazer um apelo para as pessoas que podem investir, para acreditarem no Angra. Se nos organizarmos, temos capacidade de chegar longe”.

Daniel tem uma página sobre o Tubarão: https://www.facebook.com/esporteangrense/

Marcella Azevedo
Marcella Azevedo, 22 anos, leonina, nascida no dia 17 de Agosto de 1994. Não tem frescura, quando o assunto é futebol, tanto que para ela o domingo perfeito é com amigos, futebol e cerveja. Completamente apaixonada, cursa Jornalismo com a inteção de ser uma Jornalista Esportiva e poder mostrar a todos como esse mundo é maravilhoso e que mulher entende de futebol sim. É daquelas mulheres que sempre está na rodinha dos homens na faculdade, comentando sobre o lance polêmico que rolou no final do semana. Daquelas que xinga muito ao ver um escanteio curto e que espera trazer várias novidades para vocês.

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