Alemanha, quando você escuta o nome desse país, qual é a primeira lembrança que vem em mente? Em termos futebolístico, obviamente. Espero que não seja o 7 x 1. No meu caso, vem a Bundesliga. A partir da competição local, algumas características aparecem com mais evidências, por exemplo, a organização e a estrutura. Dessa forma, a Coluna Quebrando Muros vai tratar justamente desse tema, abordando a história do CEO do Campeonato Alemão, no caso, Christian Seifert, e o crescimento da Bundesliga nos últimos 10 anos.

Christian Seifert

Christian Seifert nasceu em 8 de maio de 1969 em Rastatt, na Alemanha. Ele tentou seguir carreira como jogador no FC Rastatt 04, mas não durou muito e decidiu seguir o caminho da comunicação. De 1991 a 1995, Seifert estudou ciência da comunicação, marketing e sociologia na Universidade Duisburg-Essen.

Logo após a graduação, de 1995 a 1998, Seifert trabalhou para a MGM MediaGruppe, um serviço que analisa os avisos de registro comercial e outras publicações obrigatórias de empresas alemãs, com o objetivo de obter informações comerciais, em particular sobre índices financeiros e relações entre empresas e pessoas. Além disso, de 1998 a 2000, ele foi diretor de marketing na Europa Central da saudosa MTV.

Sobretudo, somente em 2005, Seifert voltou ao mundo do futebol. Em fevereiro do ano citado, ele ingressa como membro do Conselho da Liga Alemã de Futebol (Deutsche Fußball Liga em alemão, ou simplesmente DFL).  Em 1 de julho ainda do mesmo ano, Seifert sucedeu Wilfried Straub como presidente do Conselho e Artigos da Associação e como vice-presidente da Deutscher Fußball-Bund (Federação Alemã de Futebol – DFB)

A DFL é responsável pela organização e marketing da Bundesliga e Bundesliga 2 e, juntamente com suas subsidiárias. Com Seifert na posição de CEO, o Campeonato Alemão é considerado uma das organizações esportivas mais inovadoras e profissionais do mundo em diversos campos.

Estratégias

Uma das grandes sacadas de Seifert foi transformar a DFL em uma empresa global que junta um conglomerado nas áreas de produção de TV, vendas globais e tecnologia digital e esportiva. Esse modelo é a única top Liga europeia para cobrir toda a cadeia de valor de uma empresa de mídia. Dessa forma, desde 2005, o Grupo DFL gerou mais de € 10 bilhões em vendas de direitos de televisão, o que corresponde a um aumento de 287% (os dados são de 2019).

Contudo, Seifert anunciou em outubro de 2020 que não vai prorrogar seu contrato como CEO da DFL para além de 30 de junho de 2022, quando se encerrará o atual acordo. Sobretudo, para se entender melhor o crescimento da Bundesliga, a seguir vai ser mostrado alguns comparativos com outras grandes ligas e explicações de fatores que fez o Campeonato Alemão crescer ainda mais nos últimos anos.

Bundesliga no cenário mundial

Para os amantes de futebol é fácil dizer qual é a atual liga mais badalado do mundo. Então, a Premier League é onde se concentra a maior quantidade de jogadores valiosos. Esse posto de liga mais visada já foi da Itália, não é nenhuma loucura pensar que pode acontecer uma rotação de campeonato mais valioso e esse “título” cair no colo da Bundesliga.

Contudo, é fato que não há grandes sinais de uma mudança no atual cenário do futebol mundial. Mesmo assim, a Bundesliga tem um grande valor de mercado. Confira o top cinco. Todos os dados foram tirados do site Transfermarkt.

  • Premier League – € 8,84 bilhões (R$ 59,4 bilhões)
  • Serie A Tim – € – 5,11 bilhões (R$ 34,3 bilhões)
  • La Liga – € 4,85 (R$ 32,6 bilhões)
  • Bundesliga – € 4,52 (R$ 30,4 bilhões)
  • Ligue 1 – € 3,55 (R$ 23,8 bilhões)

* Cotação do euro no dia R$ 6,73

Com exceção a Premier League, que parece viver uma realidade a parte, a distância entre os outros campeonatos não é tão grande. A diferença do valor de mercado da La Liga para Bundesliga é de € 133 milhões, contudo, vale lembrar que a competição da Alemanha tem apenas 18 equipes.

Valores dos times

Assim, ainda com o paralelo da La Liga e a Bundesliga, existem semelhanças e diferenças nos valores dos elencos das ligas. Dessa forma, vamos começar pelas semelhanças. É importante destacar que os três elencos mais caros de cada liga estão bem acima do restante das equipes. Na Bundesliga, segue a seguinte ordem: Bayern de Munique (€ 829 milhões), Borussia Dortmund (€ 592 milhões) e RB Leipzig (€ 558 milhões). Na La Liga: Barcelona (€ 805 milhões), Atlético de Madrid (€ 769 milhões) e Real Madrid (€ 745 milhões).

Pode-se notar que apesar do Bayern ter o elenco mais caro entre os seis clubes, no entanto, a diferença dos espanhóis para os outros dois alemães são bem grandes. Além disso, dos 20 clubes que disputam a La Liga, 13 possuem um valor de mercado acima de 100 milhões de euros. Sobretudo, na Bundesliga, de 18 times quase 15 possuem um valor acima dos 100 milhões de euros – o elenco do Werder Bremen vale € 98,20 milhões.

Dessa forma, é possível concluir que os três times mais valiosos da La Liga puxam para cima o valor de mercado da competição, enquanto na Bundesliga existe uma melhor distribuição de valor entre as equipes.

Valorização da Bundesliga

Então, um outro dado importante está na evolução do valor de cada elenco. Assim, nos últimos 10 anos, os times da Bundesliga cresceram bem mais do que os da La Liga, o que possibilitou em mais investimento para o plantel.

Em 1 de janeiro de 2011, o elenco do Barcelona valia € 528 milhões, na cotação da primeira semana de março de 2021, o elenco do time catalão valia € 805 milhões, um crescimento de 52,3%. O Real Madrid em 2011 tinha o elenco de € 516 milhões. Em 2021 € 745 milhões, um crescimento de 44,2%. No entanto, o Atlético de Madrid foi o que mais valorizou entre essas três equipes. Em 2011 o plantel era de € 175 milhões, em 2021 é de € 769 milhões, um crescimento de 339,4%.

O Bayern de Munique teve um crescimento de 192,6% de 2011 (€ 283,3 milhões) para 2021 (€ 829 milhões). O Borussia Dortmund saiu de € 131 milhões em 2011 para € 592 milhões em 2021, o que dá um aumento de 352,5%. O crescimento mais absurdo foi do RB Leipzig. Em 2011 a equipe tinha um elenco que valia € 6,18 milhões, em 2021 chegou a € 558 milhões, um aumento de 8949%. Óbvio que essa expansão se deve a compra e o investimento da Red Bull.

A Bundesliga tende a crescer mais com o passar dos anos. Créditos imagem: BeIN SPORTS
A Bundesliga tende a crescer mais com o passar dos anos. Créditos imagem: BeIN SPORTS

Dessa forma, é perceptível a evolução da Bundesliga ao longo do tempo. Os clubes considerados grandes na Alemanha conseguiram dar um salto financeiro significativo, o que fez a liga crescer ainda mais. Além disso, equipes menores também conseguiram aumentar e valorizar o próprio plantel, criando mais competitividade local. Alguns fatores explicam o porquê desse aumento.

Arrecadação e distribuição de dinheiro na Bundesliga

A Bundesliga é um exemplo de boa organização e serve como modelo a ser seguido. Os clubes alemães possuem a melhor média de público no mundo, o que contribui significativamente para as receitas das esquipes. Além disso, como sempre, a Alemanha é uma das grandes potencias nas competições entre seleções, inclusive, ganhou a Copa do Mundo de 2014. Mesmo que a campanha do Mundial de 2018 tenha sido pífia, a nova geração tem muito potencial.

Dessa forma, a tendência da Bundesliga é crescer ainda mais. No Relatório Econômico de 2020 que representa a temporada de 2018/19, a Bundesliga bateu os 4,2 bilhões de euros em faturamento com os 18 clubes da elite. Esse é o 15º ano consecutivo que o futebol alemão registra recorde de receita. Em relação a temporada 2017/18, o crescimento foi de 5,4%. O relatório da temporada 2019/20 ainda não foi divulgado, mas é de se imaginar que a renda tenha caído devido a pandemia do coronavírus.

“Nos últimos anos, trabalhamos com nossos parceiros para transformar o futebol profissional alemão em um setor econômico de grande sucesso. A Bundesliga e a 2 desfrutam de sólida estabilidade econômica. Há perspectivas adicionais de crescimento, inovações digitais e na frente internacional”, analisa Christian Seifert.

Cotas televisivas

Sobretudo, a receita das cotas de transmissão é importante para todos os clubes do mundo. Mas vale destacar que, por conta da pandemia, ocorreu uma redução nos contratos de comercialização nacional e internacional das competições. Para a temporada 2020/21, a DFL repartiu pouco mais de 1,4 bilhão de euros entre os 36 clubes da Bundesliga e da Bundesliga 2 – 80% dos ganhos foram para os clubes da primeira divisão.

Dessa forma, a divisão das receitas nacionais é feita com quatro variáveis: desempenho nas cinco últimas temporadas (70%), desempenho dos últimos 20 anos (5%), utilização de jovens alemães de até 23 anos -estrangeiros entram na balança se estiverem registrados no clube antes de terem completado 18 anos – (2%), e o resultado na temporada anterior (23%) – sendo que os seis primeiros recebem o mesmo valor.

A repartição dos ganhos com o comércio internacional é feita com ganhos fixos e variáveis: 25% são divididos de forma igual entre as equipes da primeira divisão, 50% são repartidos de acordo com os desempenhos nas competições da UEFA nas cinco últimas temporadas e os outros 25% são divididos baseado nos resultados internacionais num período de 10 anos.

Assim, as equipes da Bundesliga 2 recebem valores fixos que aumentam 1 milhão a cada ano – em 2020/21 foram destinados 8 milhões para serem repartidos entre os 18 clubes. A seguir veja quanto cada clube faturou na temporada 2019/20. Os valores estão em euros.

Quanto cada time vai receber

1) Bayern de Munique – 105,4 (74,3 nacionais e 31,1 internacionais)

2) Borussia Dortmund – 94,95 (73,34 nacionais e 21,65 internacionais)

3) Bayer Leverkusen – 88,07 (70,05 nacionais e 18,02 internacionais)

4) RB Leipzig – 81,69 (69,3 nacionais e 12,39 internacionais)

5) Borussia Mönchengladbach – 77,6 (67,95 nacionais e 9,65 internacionais)

6) Eintracht Frankfurt – 75,69 (63,85 nacionais e 11,84 internacionais)

7) Schalke 04 – 75,25 (59,3 nacionais e 15,95 internacionais)

8) Hoffenheim – 71,98 (66,78 nacionais e 5,2 internacionais)

9) Wolfsburg – 69,02 (58,38 nacionais e 10,64 internacionais)

10) Hertha Berlin – 66,51 (61,97 nacionais e 4,54 internacionais)

11) Freiburg – 57,76 (54,09 nacionais e 3,67 internacionais)

12) Werder Bremen – 55,92 (52,9 nacionais e 3,02 internacionais)

13) Mainz 05 – 54,76 (48,92 nacionais e 5,84 internacionais)

14) Augsburg – 49,73 (45,18 nacionais e 4,55 internacionais)

15) Colônia – 47,04 (43,14 nacionais e 3,9 internacionais)

16) Stuttgart – 45,71 (41,4 nacionais e 4,31 internacionais)

17) Union Berlin – 37,07 (34,69 nacionais e 2,38 internacionais)

18) Arminia Bielefeld – 34,31 (31,93 nacionais e 2,38 internacionais)

foto destaque: Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Images)

Jonathan Luiz Souza
Jonathan Luiz Souza
Quando comecei a faculdade de jornalismo não sabia o que esperar, entrei cheio de ressalvas, mas só após um semestre me encontrei no curso, e acabei me apaixonando. O futebol me fez escolher a área da comunicação, e pelo menos, até o momento, acho que acertei em cheio, aquele golaço no ângulo. Como grande objetivo profissional, espero que um dia trabalhe na mídia esportiva. O futebol é igual Rock’n’roll, começa com um belo solo de guitarra, depois de um pequeno tempo as coisas começam a agitar, chega na metade que é o seu clímax, e termina cheio de emoção. Viva o futebol, a maior criação do homem!

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