Hooliganismo na China (Reprodução/Sports Sohu)

Em 19 de maio de 1985, ocorreu o primeiro ato de hooliganismo na China, até hoje considerado pelo governo chinês a mais terrível e violenta revolta de torcidas que já ocorreu na história da China. Mas o que é hooliganismo e de onde surgiu? A coluna Escalando a Muralha desta semana, conta mais sobre o assunto.

ORIGEM E SIGNIFICADO

Hooliganismo refere-se a comportamento destrutivo e indisciplinado. Esse comportamento geralmente está relacionado a fãs de esportes, principalmente fãs de futebol.

Desde o seu surgimento, quando ainda aldeões da era medieval juntavam-se em épocas comemorativas para divertir-se chutando uma bola feita a partir de uma bexiga de porco inflada, o futebol e as brigas generalizadas em torno desse esporte dividiam o mesmo contexto. A partir de 1890, esses conflitos passaram a ser identificados como hooliganismo.

VIOLÊNCIA NO FUTEBOL

Em 1960, as segregações por classes foram instauradas nas torcidas. O renascimento do patriotismo e da xenofobia voltou a atacar o ambiente esportivo do futebol e de seus torcedores. Grupos que se identificam por origem ou ideologia veem oportunidades no futebol e nos torcedores, enfrentando adversários unidos a bandeiras e ideais comuns para buscar um sentimento de pertencimento, legitimidade ou simples domínio de outros grupos. O termo “hooligans”, que havia sido cunhado em 1890, era agora atribuído a esses grupos que se digladiavam em torno da cultura do futebol europeu.

Em 1960, os fãs de futebol europeus começaram a mostrar um nível de organização sem precedentes. Apareciam emblemas, bandeiras, slogans, hinos e músicas que sustentavam a torcida em vez da equipe. Os fãs pensam que são diferentes, e mesmo aqueles que apoiam o mesmo time têm diferenças e lutas entre si.

Hooligans na Itália, mostrando como a cultura da violência se espalhou pela Europa (Foto: Reprodução/Universo Retrô)

HOOLIGANISMO NA CHINA

Os primeiros atos de violência dos fãs chineses ocorreram em 19 de maio de 1985. A equipe chinesa perdeu para a equipe de Hong Kong por 2 x 1 em casa, em partida válida pelo grupo nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1986 e, assim, a China não se classificou.

Decepcionados e furiosos, torcedores chineses começaram a praticar atos de vandalismo após o jogo, destruindo instalações públicas próximas ao estádio, incluindo cabines telefônicas, cabines de transporte, carros e assim por diante. 

Como o número de torcedores, que assistiram ao jogo, chegou a 80.000, dezenas de milhares de torcedores participaram dos distúrbios e então, muitos carros próximos ao estádio foram destruídos e muitos eram de propriedade de estrangeiros.

A revolta 519 foi designada como o primeiro incidente de violência por fãs chineses, mas do começo ao fim, ninguém ficou ferido.

No entanto, uma semana depois, os tumultos de fãs finalmente se transformaram em incidentes violentos. Em 26 de maio, após a partida do grupo da Taça de Clubes Asiáticos da equipe de Liaoning e da equipe de Hong Kong Seiko, os tumultos começaram dos torcedores de Liaoning.

Os fãs de Hong Kong dão as boas-vindas ao triunfante time de futebol de Hong Kong no aeroporto Kai Tak. (Foto: Reprodução/Sports Sohu)

A revolta dos torcedores aconteceu  perto do Parque Zhongshan e do Teatro Zhonghua. Durante o tumulto dos fãs, várias mulheres ficaram feridas e houve destruição de instalações públicas, como ônibus, bancas e etc. Segundo o governo chinês, esse ocorrido foi o pior ato de violência em estádios que já ocorreu na história da China.

HOOLIGANISMO HOJE EM DIA

O hooliganismo era visto por seus participantes como um esporte em si mesmo. Hierarquias entre grupos e torcidas eram formadas de acordo com o sucesso de cada grupo em suas empreitadas violentas.

Ainda hoje os hooligans persistem, mesmo com os enormes esforços do governo para tentar frear e acabar com os embates. Contudo, a juventude confusa e perdida da nova classe média que se estabeleceu no decorrer das últimas décadas ainda vê um ponto de apoio e familiaridade dentro desses grupos.

Foto em destaque: Reprodução/Sports Sohu

Maria Sofia Aguiar
Maria Sofia, ou simplesmente Sofia, é apaixonada pelo jornalismo e grande fã de futebol. O jornalismo esportivo certamente conquistou seu coração. Ainda estudante de 1º ano de jornalismo na PUC SP, faz parte do jornal laboratorial da faculdade “Jornal O Contraponto” e da página “O Contra-Ataque”, um página que discute o futebol além das quatro linhas. Agora, com muita felicidade, uma nova redatora para o Futebol Na Veia.

Artigos Relacionados