Saint-Étienne

Ao ouvir falar em equipes vitoriosas na França, logo pensamos em PSG, Olympique de Marselha, até mesmo o Lyon, de Juninho Pernambucano. Porém, nenhuma dessas equipes detém o recorde de maior campeão nacional. Hoje, a coluna traz a história do Saint-Étienne, o único decacampeão francês.

COMO TUDO COMEÇOU

Apesar de ser conhecido como Saint-Étienne, o clube já teve outro nome. Assim, o clube nasceu em 1919, com o nome Association Sportive Stéphanoise, oriundo do grupo de empresas Casino. Assim, a cor do clube passou a ser a verde, a mesma do grupo que o fundou. No entanto, em 1933, a equipe passou a ter o nome dos dias de hoje, Association Sportive Saint-Étienne Loire, devido ao ingresso ao futebol profissional francês.

Após cinco anos de existência, os Les Verts conquistam o acesso a elite do futebol francês na temporada 1937/38. Ademais, em sua temporada de estreia (38/39), a equipe conquistou a 4ª colocação. Porém, essa temporada foi a última antes da Segunda Guerra Mundial, e o futebol francês voltou só em 1945.

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A CASA DO SAINT-ÉTIENNE

O grupo de empresas Casino queria construir um complexo esportivo para a sua Association Sportive Stéphanoise. O presidente do grupo, Geoffroy Guichard, adquiriu o terreno e construiu um campo de futebol, com uma pista de atletismo ao seu redor, além de outras instalações esportivas que compõem o complexo.

Assim, a inauguração do estádio ocorreu em 13 de setembro de 1931, e nomeado em homenagem ao seu proprietário Geoffroy Guichard. O crescimento do estádio foi ocorrendo conforme a ascensão do clube, com a primeira ampliação ocorrendo em 1938, com o acesso dos Les Ierts para 1ª Divisão.

Hoje a casa do Saint-Étienne possui capacidade para 42.000 torcedores. O estádio já sediou eventos importantes como a Eurocopa (1984 e 2016), a Copa do Mundo de 1998, a Copa das Confederações de 2003 e o Mundial de Rugby de 2007.

O estádio é conhecido como Le Chaudron (o caldeirão) e L'enfer Vert (o inferno verde).

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AS GLÓRIAS NACIONAIS

Em 1955, os Les Verts levantaram o seu primeiro caneco, o Troféu Charles Drago. Dois anos depois, em 1957, o Saint-Étienne conquista o primeiro título da liga, o que coloca o clube em evidência no futebol nacional. Porém, é nas décadas de 60 e 70 que tem os seus períodos mais vitoriosos, na presidência de Roger Rocher.

Na temporada 63/64, a equipe conquista o segundo título francês. Tal período continuou com o tetra campeonato consecutivo nas temporadas 66/67, 67/68, 68/69 e 69/70. Entretanto, esse feito foi superado pelo heptacampeonato consecutivo do Lyon de Juninho Pernambucano e igualado por Olympique de Marselha, no começo da década de 90, e PSG, na atual.

Na década de 70, continua a estabelecer o seu peso no âmbito nacional conquistando o tricampeonato consecutivo nas temporadas 73/74, 74/75 e 75/76. Contudo, o seu 10º título nacional veio na temporada 80/81, inaugurando o hall dos campões da década de 80 e o seu jejum de títulos da 1ª Divisão, que dura até os dias de hoje.

Em termos de Copa da França, os Les Verts são bem vitoriosos também, tendo 6 conquistas no seu currículo nas temporadas 61-62, 67-68, 69-70, 73-74, 74-75 e 76-77. Ademais, a equipe é tetracampeã da Supercopa da França e as conquistou em 1957, 1962, 1967, 1968 e 1969. Além disso, venceu a Copa da Liga Francesa uma vez, na temporada 2012/13.

A equipe já caiu para a 2ª Divisão e conquistou a Ligue 2 em três oportunidades, nas temporadas 62/63, 98/99 e 2003/04.

AS CAMPANHAS DE DESTAQUE NA LIGA DOS CAMPEÕES

Com os títulos nacionais, o Saint-Étienne participou da Liga dos Campeões, e conseguiu se destacar em algumas edições. Na temporada 74/75, a equipe comandada por Robert Herbin chegou as semifinais do torneio. Na oportunidade os franceses enfrentaram o Bayern de Munique, liderado pelo Kaiser Franz Beckenbauer.

No jogo de ida, um empate sem gols no Geoffroy Guichard levou a decisão para o estádio Olímpico de Munique. Porém, no jogo de volta, um gol de Beckenbauer logo aos 2′ melaria os planos de Herbin. Sem conseguir igualar o placar, o sonho dos Les Verts de chegar a final foi por água abaixo quando Dürnberg marcou para os Bávaros aos 35′ do 2º tempo, fechando o placar em 2 x 0.

Assim, na temporada seguinte (75/76), o Saint-Étienne chegou a tão desejada final da Liga dos Campeões. Entretanto, o outro finalista seria o algoz da temporada passada, o Bayern de Munique. A partida foi disputada no Hampden Park, em Glasgow, na Escócia, e os Les Verts eram considerados mais fortes que na temporada anterior.

Contudo, mesmo fazendo uma boa partida, o Saint-Étienne foi derrotado novamente, após Franz Roth, em uma pancada após uma cobrança de falta, marcar o único gol da partida aos 12′ da 2ª etapa. Quando os Les Verts voltaram para casa, os torcedores fizeram uma linda festa de recepção, mesmo com o vice campeonato.

Ademais, a equipe chegou as quartas de final da próxima edição, mas padeceu diante do Liverpool. Apesar de ter vencido em casa a primeira partida por 1 x 0, os Les Verts acabaram perdendo em Anfield por 3 x 1. Aliás, os Reds, liderados por Kevin Keegan, seriam os campeões da edição 76/77.

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GRANDES JOGADORES QUE VESTIRAM A CAMISA DOS LES VERTS

Em passagens vitoriosas, muitos jogadores se destacaram, viraram ídolos e deixaram a sua marca na história do clube. A começar pelo maior artilheiro, Hervé Révelli que marcou 204 gols com a camisa do Saint-Étienne. O atacante teve duas passagens no clube, jogou de 65 até 71, e retornou duas temporadas depois, ficando de 73 até 78. É o artilheiro e o quinto jogador com mais partidas pelos Les Verts, totalizando 398 partidas.

Ademais, o detentor do maior número de jogos com a camisa do Saint-Étienne é o volante francês René Domingo, com 530 partidas, atuando de 1949 até 1964. No entanto, o segundo colocado no ranking Robert Herbin, foi importantíssimo para os Les Verts.

Le Sphinx (A esfinge), como era conhecido, atuou de 1957 até 1972, disputando 490 partidas. Sua versatilidade em campo, atuando no meio do campo e no miolo da zaga, e liderança foram fundamentais para a conquista do tetracampeonato consecutivo (1967/1970).

Depois de sua aposentadoria em 1972, assumiu o cargo de treinador. Triunfou também na beira do campo, conquistando quatro campeonatos franceses e levando a equipe para a final da Liga dos Campeões. Infelizmente, faleceu em abril deste ano, aos 81 anos de idade.

Assim, outros nomes também tiveram destaque, como o atacante Salif Keita. O malinês atuou de 1967 até 1972, e é o terceiro maior artilheiro da equipe, com 140 tentos marcados. O vice é o meia atacante argelino Rachid Mekhlouifi, que marcou 150 gols em duas passagens, de 1954 à 1958 e de 1962 à 1968.

Além disso, o meia Michel Platini, um dos maiores jogadores da história da França, atuou pelos Les Verts de 1979 até 1982. Dessa forma, Platini marcou 82 gols em 145 partidas, conquistando a Ligue 1 na temporada 80/81, a última do Saint-Étienne.

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O SAINT-ÉTIENNE NOS TEMPOS ATUAIS

Na última temporada, os Les Verts ocuparam a 16ª colocação da Ligue 1, duas posições acima da zona de rebaixamento. No entanto, a equipe foi vice campeã da Copa da França, perdendo para o PSG pelo placar de 1 x 0. Ademais, o zagueiro Loic Perrin aposentou, após 17 anos no Saint-Étienne e 470 jogos pelo clube. Com isso, é o terceiro jogador que mais vestiu a camisa verde, atrás de René Domingo e de Robert Herbin.

Entretanto, na temporada atual, o Saint-Étienne começou bem na Ligue 1. Ocupa a 4ª colocação depois de cinco rodadas disputadas, totalizando 10 pontos. Portanto, a equipe do técnico Claude Puel busca permanecer na parte de cima da tabela. Além de brigar pelas vagas dos torneios continentais.

Foto destaque: Reprodução/ASSE/Instagram

Arthur Brunello
Bacharel em Direito, apaixonado por futebol e cinema. Creio no poder de transformação do esporte, da informação e da cultura.

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