Documentário "Justo y Nico"

Os torcedores brasileiro dificilmente entenderão a rivalidade . Para se ter uma noção do tamanho da rivalidade, os torcedores de ambas as equipes preferem ser rebaixados do que perder o Clásico de la Villa. A relação entre os torcedores rivais, que vivem no mesmo bairro, Villa del Cerro, é boa durante todo o ano. Exceto em dias de Derby. O clássico uruguaio é o segundo mais importante do futebol uruguaio, perdendo apenas para o Nacional x Peñarol, insuperável. Mas esta não é mais uma história daquelas que circulam entre o mundo do futebol de glória esportiva ou o fanatismo berrante. Nada de grandes jogadas, dribles ou algo assim. Trata-se da história de Nicolás Martin Sánchez: o Nico. Sua história foi contada no documentário “Justo y Nico”.

Uma história poderosa e autêntica, que tem suas raízes no amor entre um pai e um filho. Tão real quanto as imagens e histórias que a ilustram, esta história deriva de uma decisão irracional que brota da alma transformando em uma homenagem. Um dos bairros mais importantes de Montevidéu, duas equipes populares e uma história que atravessa todas as barreiras para se tornar uma mensagem positiva. “Justo y Nico” é um documentário que vai além do futebol. Justo, apaixonado pelo Cerro, viu seu filho o “trair” e começar a torcer para o rival.

Justo y Nico

“Justo y Nico: más allá de los colores” é um comovente documentário que conta a história de um pai (Justo) e seu filho (Nicolás). Justo é um pai apaixonado pelo Cerro e que levou seu filho desde que nasceu para ser sócio do clube (com 72 horas de vida). Onde ia Justo levava Nico, em jogos, peladas e também jogava bola com seu filho. Na adolescência, Nico conheceu e se apaixonou pelas cores rubro-verdes do Rampla Juniors, rival de bairro do Cerro e do qual fazem o Clásico de la Villa. Assim, Nico virou torcedor do Rampla e ia nos jogos de sua equipe onde quer que o duelo acontecesse. Então, no dia 6 de março de 2016, Nicolás Sánchez retornou a Montevidéu depois de ver sua equipe contra Atenas San Carlos, no Campus Maldonado, e morreu em um acidente na estrada.

Logo que soube da notícia, Justo sofreu muito e imediatamente pensou em queimar a bandeira do Rampla Juniors que ficava no quarto de Nico. Porém, ante de realizar tal ação, pensou mais uma vez e viu que o Rampla era a razão de viver de seu filho. Então tomou uma outra decisão: tornar-se sócio do Rampla. Desde então começou a seguir o clube rival em todos os jogos. Da arquibancada, Justo sempre pendura uma faixa com os dizeres: “Nico Siempre Presente”, nas cores verde e vermelha, do Rampla. As cinzas de Nico foram jogadas na arquibancada do Estádio Olímpico de Montevideo. Uma história de amor que supera uma grande rivalidade uruguaia, de dois times que fazem o segundo mais importante clássico do Uruguai. Torcedor do Cerro e do Rampla Juniors ao mesmo tempo. Como pode?

“Os torcedores pensavam: “Ele é torcedor do Cerro e do Rampla? Como assim?”. Mas a resposta de Justo era simples: “Eu digo e sustendo: meu sangue vai ser cerrense até eu morrer. Mas meu coração é Rampla. Eu represento ele (Nico)”.

Documentário "Justo y Nico"
Documentário “Justo y Nico”

A homenagem e a produção

O amor por seu filho é expresso em cada palavra e em todo lugar que Justo vai. O bairro se juntou após a tragédia através de diferentes homenagens, mas acima de tudo, através do respeito pela família. Nico era um jovem muito querido na família dos Picapiedras, como são conhecidos os torcedores do Rampla Juniors. Todos os testemunhos, de colegas e amigos próximos, mostram que ele era um jovem humilde, mas solidário. Justo e sua esposa não faltam a um jogo sequer, independente de chuva, gripe ou qualquer evento que seja. E comemoram, gritam, pulam e abraçam outro torcedores. Realmente abraçaram o time. Mesmo sendo torcedores do Cerro. Agora é “hincha del hijo” (torcedores do filho).

A agência da Câmara TBWA promoveu o documentário. O trabalho foi realizado com a produção de “La Granja Films”, “Zinc Sound”, “YouUruguay” e “Whitebear”. Envolveu mais de 20 pessoas que trabalharam por dois meses honrosamente para poder especificar a iniciativa. O que começou como um formato audiovisual de alguns minutos, tornou-se uma curta de quase nove minutos e uma “foto documental” com mais de 1.500 imagens ao longo do processo.

Através da história de Justo e Nico, a Secretaria Nacional do Esporte comunica uma mensagem de tolerância. Também de compreensão das dimensões transcendentes que envolvem fenômenos esportivos, sociais e culturais. Mas, principalmente, de amor entre pai e filho. Todos os envolvidos testemunham um “Clássico da Vila” bem compreendido e com competição saudável. A campanha foi lançada com dois trailers de um minuto em que parte da história é contada e convidam a assistir ao documentário em www.justoynico.com.

Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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