Complexo de vira-lata

Neste sábado, em pleno Itaquerão, o Audax Osasco, comandado por Fernando Diniz, deu mais um exemplo de futebol bem jogado. Diante de quase 42 mil torcedores, o time do interior não se intimidou, impôs seu estilo de jogo contra o time de melhor campanha do futebol paulista e mesmo pressionado não abdicou de sua filosofia, proposta há três anos, mas que vem se destacando este ano. O trabalho feito por Fernando Diniz cala a boca dos críticos e escancara um problema de muitos brasileiros: o complexo de vira-lata.
Aplaudimos o tik-taka de Barcelona e Bayern de Munique; elogiamos a postura de Ter Stegen e Neuer por jogarem, com primazia, com os pés; encantamo-nos com a posse de bola, a ausência de chutões e a compactação entre os três setores dos catalães e bávaros. Somos receptivos com tudo aquilo que vem de fora. O futebol europeu é invejado e tido como modelo a ser seguido. O acachapante 7 a 1 deveria servir como exemplo.
Pois bem…
No futebol, nem tudo é teoria, pois na prática, muitos dos torcedores e comentaristas brasileiros mantêm-se presos ao arcaico, burocrático e ultrapassado futebol apresentado por muitas equipes desse país chamado Brasil. Não há nada mais feio – e que comprova o quão limitado são muitos de nossos jogadores – que os inúmeros chutões dados por zagueiros e goleiros, a falta de aproximação entre zagueiros, volantes e meias, e a expres00siva quantidade de passes errados.
Mas aí vem um time como o Audax, com uma proposta audaciosa e diferente, e Paulo Roberto Martins, comentarista da Rede Bandeirantes, taxa a equipe do interior como varzeana. Ronaldo Giovanelli, por sua vez, defende que a filosofia de jogo do time de Osasco é ineficiente, pois trás o perigo para dentro de sua área.
Rebater essas críticas é fácil: qual time, além do Audax, tem proposto algo de diferente dentro do futebol brasileiro? Se o método é ineficiente, o que explica os triunfos do time do interior diante de Palmeiras, São Paulo e Corinthians? Quem é o time que mais troca passes e finaliza dentro do campeonato paulista? Por que aplaudimos Guardiola e Luis Enrique e criticamos Fernando Diniz?
O Audax, quando troca passes dentro da área corre riscos, de fato. Os zagueiros tocam para o goleiro Sidão que as vezes erra, é verdade. A saída de bola do time nem sempre é feita de modo tranquilo, outra verdade. Mas quando pressionado, o time não muda. Ao contrário, os jogadores aproximam-se e os passes são feitos todos no pé. Torna-se um jogo vistoso, bem jogado.
Agora digam-me: quem é o jogador mais conhecido do Audax? Sidão? Velicka? Tchê Tchê? Camacho?
Outro mérito de Fernando Diniz, que com orçamento reduzido e jogadores desconhecidos, insistiu em uma proposta totalmente avessa ao estilo do futebol brasileiro, mas que jogo após jogo, tem colhido os merecidos frutos. É necessário elogiar a diretoria do clube de Osasco, presidido por Vampeta, velho conhecido do torcedor corintiano, já que mantiveram o treinador no comando da equipe mesmo sem resultados satisfatórios durante as duas temporadas anteriores. O resultado é visto agora: o Audax está na final do campeonato estadual mais disputado do país e já desbancou São Paulo e Corinthians.
Se os entendedores do futebol brasileiro realmente defendessem a mudança dentro do futebol brasileiro, apoiariam e aplaudiriam de pé o Audax-ioso espetáculo proposto por Fernando Diniz.
Dizer que esta filosofia de jogo não pode ser implantada em uma equipe grande do Brasil e aplaudir esta mesma filosofia nas grandes equipes europeia, só me faz ter a certeza de que o complexo de vira lata do Brasil atinge também o nosso futebol.
André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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