Palmeiras flerta com o perigo ao eleger Leila Pereira como presidente

Pela primeira vez em 107 anos de história, a Sociedade Esportiva Palmeiras será comandada por uma mulher. Leila Pereira, presidente da Crefisa e Faculdade das Américas, principais patrocinadoras do clube, será a mandatária do Verdão entre 2022 e 2024.

Antecipadamente é preciso dizer que relação entre Leila Pereira e o Palmeiras possui contornos polêmicos e vitoriosos.

Igualmente é inegável que os quase R$ 100 milhões investidos anualmente no Alviverde ajudaram a construir o sucesso que culminou em duas Copas do Brasil, dois Campeonatos Brasileiros, um Campeonato Paulista e o título da Libertadores da América 21 anos após a primeira conquista.

Leila Pereira e a escalada na política usando o peso do dinheiro

Por outro lado, Leila Pereira subiu casas na política palmeirense de modo não muito convencional. Foi nomeada conselheira em meio a acusações de que teria burlado o estatuto do clube.

Ao mesmo tempo, opositores afirmavam que a empresária não possuía o tempo mínimo de sócia para concorrer ao Conselho.

Para isso contou com a chancela, do agora adversário político e ex-presidente do Verdão, Mustafá Contursi.

A nova chefona do Palmeiras também cortou laços com Paulo Nobre, presidente que assinou a parceira com a Crefisa, em 2015. Nobre era crítico veemente da nomeação de Leila ao Conselho Deliberativo do clube.

Isso levou ao rompimento entre os outrora parceiros, em 2017, quando a patrocinadora ascendeu ao cenário político palestrino. De lá para cá não foram poucas as festinhas regadas a pipoca e pizza;

Assim também, ocorreram viagens de conselheiros em jatinho particular e as benesses à maior organizada do Verdão. Tudo isso para angariar mais apoio na escalada eleitoral que culminou na eleição da empresária, em chapa única, no último sábado (20).

A nova presidente do Palmeiras assume o clube no próximo dia 15 de dezembro. Transparência, modernidade e aproximação com a torcida, na forma de ingressos e camisas mais baratas. Essas foram as principais promessas da candidatura da empresária.

O que esperar da nova gestão

Contudo, o conflito de interesses é claro e nunca é cedo para questionar se a patrocinadora, credora e presidente do maior campeão do Brasil vai se comportar com isenção.

Por exemplo, caso receba uma proposta maior de outro patrocinador para o clube, qual será a postura adotada?

Bem como, caso tenha uma proposta de venda por um jogador que chegou ao Verdão, pensará no bem do clube ou em recuperar seu investimento?

Por certo, apenas o tempo dirá se a eleição da nova presidente marca um avanço ou um retrocesso em um dos clubes mais modernos do país.

Entretanto. a falta de força da oposição dentro do clube é preocupante. De maneira idêntica, a relação umbilical com a organizada é alarmante. Quem vai cobrar Leila Pereira? Quem vai investigar a sério os contratos firmados na nova gestão?

Em síntese, oxalá que o Palmeiras não deixe de ser o clube da quarta maior torcida do país e passe a ser o clube de uma pessoa só. Espero que a nova presidente faça um bom mandato.

Desde já, pelo futebol brasileiro em geral. Por consequência, pela representatividade feminina. Dessa forma, que seja de fato, uma gestão moderna e eficaz e não mais do mesmo que vemos por aqui. Boa sorte à nova presidente.

Boa sorte ao Palmeiras!

Foto Destaque: Fábio Menotti / Palmeiras

Paulo Henrique Araújo
Apaixonado por futebol desde antes do que possa lembrar. Comentarista esportivo por amor e constante aprendiz do maior esporte do mundo.

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