Na última terça-feira (1) completou 70 anos do Partido Comunista no poder na China. Atualmente, o presidente Xi Jinping tem como objetivo principal melhorar o futebol do país. Mesmo assim, há uma atual característica de ter times bilionários que pagam salários altíssimos em seus contratos pois, até 2017, era um mercado livre de impostos. Por outro lado, a Seleção Chinesa é muito fraca, sem expressão alguma no futebol mundial.

Isso tudo começou em 2014 com a ida do Elkeson, ex-botafogo, para o Guangzhou Evergrande. No ano seguinte, o poder de aquisição do futebol Chinês ganhou maior notoriedade no Brasil. Isso foi motivado pelo desmanche no Campeão Brasileiro, Corinthians, contratando Ralf, Gil, Jadson e Renato Augusto, pilares do da equipe naquele ano. Posteriormente, no mundo, com a ida de diversos jogadores do futebol europeu como Hulk (tendo a transferência mais cara do futebol da China), Osar, Mascherano entre outros.

Com empresas chinesas e o presidente da China, Xi Jinping, interessados na ideia de buscar novas fontes de renda para o país nos setores de serviço, tecnologia e inovação optaram por investir no futebol. Por isso, desde de 2013, os clubes chineses gastaram cerca de US$ 1 bilhão e 364 mil (na cotação atual R$5 bilhões e R$500 mil) em reforços estrangeiros para a temporada. Mas uma questão fica em aberto: de onde vem tanto dinheiro para os clubes chineses gastarem?

INVESTIMENTO BILIONÁRIO DA INICIATIVA PRIVADA

Conforme a maior parte das equipes chinesas serem administradas por empresas nacionais, na maioria das vezes, o nome da empresa aparece no nome do clube ou pelo menos lembra a mesma. Por exemplo, o Guangzhou Evergrande, atualmente é comandada Evergrande Real Estate Group, o segundo maior promotor imobiliário da China em vendas e pela Alibaba Group que é grupo de empresas de propriedade privada chinesa.

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Outro exemplo disso é o Shandong Luneng que é comanda pelo Luneng Group. Sendo assim, esta última é a maior fornecedora de energia elétrica da província de Shandong. Além disso, conquistou a Copa da China em 2014 e recentemente contratou o Roger Guedes e Moisés, do Palmeiras, e Fellaini, do Manchester United.

INFLUÊNCIA DO GOVERNO NO FUTEBOL DA CHINA

A República Popular da China aprovou um projeto de lei para desenvolver o futebol no país em 2015. O Plano de Desenvolvimento do Futebol Chinês foi apresentado pelo Comitê para a Reforma e foi idealizado e incentivado pelo presidente Xi Jinping. O plano estabeleceu futebol na grade curricular do ensino médio, além de construir 20 mil campos de futebol por todo o país. Foi exigido aos clubes da primeira divisão chinesa que investisse pelo menos 15% nas categorias de base. Além disso, eles naturalizaram alguns jogadores brasileiros, como Goulart e Elkeson.

O plano também estabelece metas para a Seleção Chinesa ser campeã asiática até 2030 e que conquiste uma Copa do Mundo até 2050. Por isso, o governo  limitou aos clubes chines somente três estrangeiros em campo ao mesmo tempo e cinco em seu elenco. Além da obrigatoriedade de um titular chinês sub-23 nas equipes da Super Liga da China. Assim também, foi proibido a contratação de goleiros estrangeiros.

Em 2016, os chineses investiram US$ 450 milhões em contratações, sendo US$ 200 milhões em brasileiros, como Paulinho, Hulk e Ramires. Para frear estes gastos, a Federação Chinesa de Futebol (CFA) aprovou em maio de 2017 um imposto de 100% para as contratações de jogadores estrangeiros pelas equipes da primeira divisão, a Superliga Chinesa.

SOFT POWER

De acordo com o especialista britânico Mark Dreyer, dono do site China Sports Insider. O soft power (influência) do futebol chinês é um gesto de aproximação entre o público chinês e estrangeiro. Para ele, a China tem uma necessidade de crescimento e também possui muitos fãs do futebol que há anos se decepcionam com uma seleção tão ruim. Atualmente, a seleção chinesa ocupa a 82ª posição no ranking, o que não coincide com o status da segunda potência do mundo.

Foto destaque: Reprodução / china vistos.

Kaliel Serafin
Kaliel Serafin
Kaliel, 19 anos, estudante de jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi.

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