Portugal sediará fase final da Champions League (Foto: Reprodução / Reuters)

Depois de muita celeuma, nesta quarta-feira (17), a UEFA definiu a nova sede da final da Liga dos Campeões 2019/2020, após desistência de Istambul, na Turquia. Assim, o país que receberá, inclusive as quartas de finais e semifinais, será Portugal. Logo, algo que ressalta uma mudança de patamar do futebol português perante a Europa.

Isso porque, sendo um dos países menos prejudicados com a pandemia da Covid-19, Portugal foi eficaz no controle da proliferação da doença. Além disso, não foi detectado nenhum caso nos clubes após a retomada da principal competição do país. Dessa forma, tornando a escolha a mais razoável para o momento. No entanto, para além disso, a decisão atesta um crescimento de relevância no continente nos últimos 15 anos através de trabalhos individuais e coletivos.

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Pois, no âmbito esportivo, Portugal ganhou o protagonismo na cena mundial com os sucessos do técnico José Mourinho e do atacante Cristiano Ronaldo. Dessa forma, viraram celebridades em diversas liga nacionais. Além disso, no final desta década, a Seleção Portuguesa, enfim, ganhou troféus de elite na Europa: a Eurocopa 2016 e  a Liga das Nações 2018/2019. Atestando o bom momento que vive o país. Em nota no site oficial do Benfica, o presidente dos Encarnados, Luis Filipe Vieira, comentou a escolha:

É uma escolha que orgulha o futebol português e um meritório reconhecimento à capacidade de organização da Federação Portuguesa de Futebol e à qualidade das infraestruturas existentes no nosso país para a realização de um evento com esta exigência, a começar pelos estádios que serão anfitriões desta fase final da Champions“.

AS EXPERIÊNCIAS DE PORTUGAL

Dessa forma, com a escolha, Lisboa volta a sediar uma final de Champions League após seis anos. Além disso, essa será apenas a terceira vez que Portugal receberá a decisão da principal competição europeia. Isso porque, em 1967, no Estádio Nacional, o país sediou o campeonato quando ainda se chamava Taça dos Campeões Europeus e foi conquistada pelo Celtic, da Escócia, ao bater a Inter de Milão. Já em 2014, no Estádio da Luz, a casa do Benfica recebeu uma final madrilenha, entre Atlético e Real Madrid, onde Cristiano Ronaldo levantou a taça em seu país.

Além da Liga dos Campeões, o Estádio da Luz foi palco da antiga Taça das Taças, atual Europa League, em 1992, entre Werder Bremen e Mônaco, vencida pelos alemães. Ainda, o Estádio José Alvalade foi o cenário de uma das maiores frustrações do Sporting ao perder a Liga Europa para o CSKA, da Rússia, em 2005. Para além dos clubes, Portugal sediou a Eurocopa de 2016, no famoso Luzaço lusitano, e recebeu a fase final da Liga das Nações, essa conquistada pelo emblema de Cristiano Ronaldo, em 2019, no Estádio do Dragão.

FIGO ABRIU PORTAS PARA O FUTEBOL PORTUGUÊS

Assim, no último século, Portugal era apenas um coadjuvante no cenário esportivo europeu e mundial. Apesar de ter alcançado uma grande campanha na Copa do Mundo de 1966, com Eusébio e cia., não conseguia ser presença fixa nos Mundiais. Enquanto que à nível de clubes, apenas o Benfica, do próprio Eusébio, na década de 60, e o Porto, no final dos anos 80, conseguiram ser campeões da Liga dos Campeões. No entanto, ainda são apenas quatro títulos da principal competição europeia, somando a conquista de 2003/2004 dos Dragões.

Todavia, tudo começaria a mudar com a chegada de Luís Figo, tanto ao Real Madrid como na Seleção Portuguesa. Isso porque, na virada do século, o meia já era o craque das Quinas e foi eleito Bola de Ouro da FIFA, em 2000. Além disso, levou Portugal a uma Copa do Mundo depois de 16 anos. Em 2006, já com um jovem Cristiano Ronaldo e Felipão, alcançaria o quarto lugar na Copa da Alemanha. Dois anos antes, sediariam a Eurocopa e seriam vice-campeões continentais, perdendo a final para a Grécia.

MOURINHO E CRISTIANO RONALDO: PROTAGONISMO DE PORTUGAL

A partir de então, Portugal nunca ficou de fora de uma Copa do Mundo. Assim, com Figo caminhando para a aposentadoria, Cristiano Ronaldo virou protagonista e José Mourinho se tornou um dos técnicos mais vencedores do futebol mundial. Abrindo portas para outros treinadores portugueses se espalharem pelo Mundo. Logo, algo que se reflete no Brasil com o trabalho multi-campeão do técnico Jorge Jesus no Flamengo. Além disso, Fernando Santos entrou para a história como o Mister dos únicos e maiores títulos da Seleção nos últimos quatro anos.

Por fim, Cristiano Ronaldo se imortalizou sendo eleito o Melhor do Mundo pela FIFA, com suas cinco bolas de ouro e cinco Champions League. Além disso, se tornou o maior artilheiro do Real Madrid e apontado como um dos maiores jogadores de todos os tempos no futebol mundial. Agora, ainda falta um salto maior, pois qualidade esportiva está comprovada, mas investimentos na base dos clubes e melhor estrutura para o campeonato local podem ser um caminho para colocar a Liga Portuguesa de vez entre as principais da Europa.

Foto destaque: Reprodução / Reuters

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Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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