Chuteira velha é que joga bola boa?

Quando o assunto é bola na rede, o dono da camisa nove é especialista. O típico centroavante, que a revolução do futebol tentou abolir, é a referência dentro da área, a esperança de gol, o jogador que decide o jogo com uma única bola. O grande problema, entretanto, reside no fato do Brasil não ter produzido, nos últimos anos, grandes atacantes. As raras exceções, por sua vez, ascendem meteoricamente e são vendidos logo na sequência. Por consequência, os destaques ficam por conta de velhos conhecidos do torcedor.

Nos últimos anos, os artilheiros do Brasileirão foram Romário, aos 39 anos, Washington e Kléber Pereira, ambos com 33 anos, Borges e Fred, aos 30 anos e Ricardo Oliveira, aos 35. A única exceção desta lista é Éderson, que jogando pelo Atlético Paranaense, alcançou a artilharia da edição de 2013 aos 24 anos.

Mais do que isso, nomes como Luís Fabiano, Robinho, Guerrero, Emerson Sheik, Magno Alves, Grafite, Bruno Rangel e Roger são ou eram as maiores expectativas de gol de seus respectivos times. Muito se falou em abolição do centroavante fixo, mas é inquestionável o fato da maioria dos clubes ainda aderirem um esquema tático que preze pela existência do número 9 entre os zagueiros.

Os expoentes do futebol brasileiro nos últimos anos foram Neymar, Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa. O primeiro foi embora para o Barcelona, em uma transação polêmica e controversa, aos 21 anos. O camisa 33 do Palmeiras,  maior revelação alviverde dos últimos tempos e atual artilheiro do Campeonato Brasileiro, já teve sua transferência para o Manchester City acertada aos 19 anos. O dono da camisa 10 santista, por sua vez, é cobiçado por Juventus, Inter de Milão e Leicester City e dificilmente seguirá no Santos no ano que vem.

Os clubes brasileiros não conseguem competir com o poderio financeiro de seus rivais europeus, mas, em contrapartida, não investem da maneira correta em suas bases. Nada contra nenhum dos medalhões citados anteriormente, mas a conjuntura do futebol brasileiro suscita a pergunta: por que pagar salários astronômicos a estes jogadores se a solução pode ser caseira?

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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