Chivas e seu código de contratar apenas mexicanos

- Um dos clubes mais vitoriosos e tradicionais do México, o Chivas prova que investir no futebol nacional tem retorno
Chivas de Guadalajara conquista o Clausura Mexicano de 2017.

A coluna Papo Azteca desta semana vem contar sobre a história do Chivas Guadalajara e o seu código de contratar apenas mexicanos. O clube que é um dos mais vencedores e conta com a maior torcida do país, mostra que investir no futebol nacional gera resultados, e que mesmo com muito dinheiro e  rivais que investem muito em jogadores estrangeiros, mantém sua tradição ativa.

O clube

O Club Deportivo Chivas Guadalajara, foi fundado em 08 de maio de 1906, por um imigrante europeu. Dessa forma, seus primeiros elencos tinham jogadores belgas, franceses, espanhóis e mexicanos, porém, dois anos depois o clube decidiu que apenas jogadores nascidos no país poderiam vestir e representar suas cores, e desde então segue essa regra à risca.

O dono do Chivas, o empresário mexicano Jorge Vergara, que adquiriu o clube em 2002, é um dos principais defensores da filosofia rojiblanca. “Não vamos parar de brincar com os mexicanos, pelo menos enquanto eu viver”, disse ele. Por conta disso, muitas vezes o time é comparado ao Athletic Bilbao, time espanhol que, similarmente só aceita jogadores nascidos em  territórios do País Basco.

Em mais de 100 anos de história, o clube, além de ter a maior torcida do do país, ainda é um dos mais vencedores, colecionando 12 títulos nacionais da Primeira Divisão do Campeonato Mexicano, empatado com seu maior rival, o Club de Fútbol América, e foi o primeiro campeão da  Liga dos Campeões da Concacaf.

Filosofia ímpar

Os Chivas de Guadalajara são uma exceção  da Liga Mexicana. Por conta disso, sua filosofia histórica de ter apenas jogadores mexicanos contraria a tendência das 17 outras equipes que disputam o torneio.

Sua escolha por jogadores nascidos no país vai contra a polêmica “regra 10-8”, já que permite que todas as equipes no México convoquem até dez estrangeiros e apenas oito mexicanos para cada partida. Porém, os treinadores não têm limite para projetar suas escalações. Inclusive, os técnicos, que são em sua maioria estrangeiros, podem incluir todos os estrangeiros desde o início da partida, dessa maneira é obrigado a escalar apenas um jogador mexicano na formação inicial da equipe.

O Chivas afirma que são passiveis de contratação aqueles que a Constituição do país define como mexicanos: os que nasçam no território, seja qual for a nacionalidade dos pais; os que nasçam no estrangeiro filhos de pais mexicanos; os que nasçam a bordo de aviões ou embarcações mexicanas. Nesse modelo, o time pode ter, por exemplo, jogadores nascidos a norte da fronteira, nos EUA, como Miguel Ponce, nascido na Califórnia.

Essa politica, tal como o Bilbao, não se aplica a treinadores, visto que, Ricardo Ferretti de Oliveira, treinador brasileiro assumiu o Chivas de 1996 a 2000, e venceu o Campeonato Mexicano de 1997. Além do time de Guadalajara, o carioca já comandou times como Toluca, Pumas, seleção mexicana e hoje está à frente do Tigres. Em 2010 recebeu o premio de melhor treinador do Campeonato Mexicano.

 

https://twitter.com/Chivas/status/1237440439839531010?s=20

Clausura 2020

No ultimo domingo (15) o  Chivas recebeu o Rayados de Monterrey , a partida terminou com o placar de 1 x 1 no Torneio Clausura 2020. Os visitantes são um dos modelos que tirou vantagem do novo regulamento, onde jogadores de futebol mexicanos podem ser relegados a um papel totalmente secundário. Os Rayados possuem 14 jogadores estrangeiros em seu plantel. Seu treinador, o argentino Antonio Mohamed, usou apenas 4 jogadores mexicanos no empate em 2 x 2 contra o Atlético San Luis.

Foto destaque: AFP / CONMEBOL.com

 

 

 

 

 

 

 

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Pedro Henrique Vilela
Pedro Henrique Vilela
Meu nome é Pedro Henrique Vilela, tenho 22 anos e sou apaixonado por esportes. Estudo Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo.

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