Centro de Reabilitação de Riazor

No último dia 20 de março o Barça terminava a 30ª rodada do campeonato espanhol com um empate de 2 a 2 visitando o Villarreal. Um pequeno deslize do time, ainda mais seguido  da goleado imposta ao Getafe por 6 a 0 no Camp Nou na rodada anterior e a classificação para as quartas da Champions na vitória por 3 a 1 contra o Arsenal, também no Camp Nou.

Tudo perfeito, o time catalão quase alcançando o recorde de invencibilidade da Juventus, mas uma pausa FIFA para as seleções mudou toda a história da temporada do Barça, e isso começou com uma tragédia. Johan Cruyff morre no dia 24 de março. Uma lenda que deixa de luto todo o Barcelonismo. Um dos responsáveis pelo estilo do Barça, do toque de bola, do domínio do jogo. Um dos poucos da história que conseguiu ser um técnico tão bom quanto foi como jogador.

Nada melhor que homenagear essa lenda com uma vitória em sua própria casa contra seu maior rival. Mesmo com a gordura acumulada na tabela, que deixava o time catalão muito distante do Atlético e Real, a tragédia foi consumada. 2 a 1 para o Real Madrid, de virada, no jogo de homenagem à Johan Cruyffe e com quebra da invencibilidade do Barça. O que seguiu depois foi um show de horrores, um verdadeiro pesadelo.

Quartas da Champions. Barcelona vence o Atlético de Madrid por 2 a 1 em casa, de virada, em um jogo duríssimo, faltoso e cheio de polêmica, como todo clássico. Uma vitória para apaziguar um pouco os ânimos, mas o gol fora preocupava um pouco o torcedor catalão.

De volta ao espanhol, uma derrota por 1 a 0 contra o Real Sociedad, na casa deles em Anoeta. Um terreno difícil, onde um resultado contrário era esperado; há cinco temporadas o Barça não ganhava lá. Mas ainda havia gordura de pontos. Ainda havia esperança.

Jogo decisivo das quartas da Champions. O Barça jogava com a vantagem de qualquer empate, mas o que se viu não foi nem de longe a melhor versão do time de Luis Enrique. Deixaram o Atlético chegar, sofreram pressão desnecessária e saíram com uma derrota de 2 a 0 do Vicente Calderón. O Barça cai eliminado pelo Atlético de Madrid nas quartas de final da Champios pela segunda vez em três anos. Um Barça que não soube jogar atrás, que não soube se defender, que não soube adaptar o seu estilo contra um rival que conhece o seu jogo de A à Z. Qualquer torcedor sabia o que o Atlético iria propor e o Barça caiu em sua armadilha. Eliminado não jogando nada, quando poderia se classificar jogando feio. Qualquer torcedor iria preferir a classificação feia.

Acabou o sonho da segunda Champions consecutiva, um recorde inédito. Acabou o sonho do segundo triplete consecutivo, outro recorde inédito. Um time que inspirava mais do que na temporada anterior, que parecia estar em um estado de graça… caiu em desgraça. Para piorar, perdeu em casa contra o Valencia por 2 a 1 e viu os seus maiores rivais colarem na tabela. Atlético empatado com o Barça e Real apenas a um ponto atrás. O que distancia o Barça do Atlético é o confronto direto. E só faltava cinco rodadas do campeonato espanhol.

O tempo fechou na Catalunha. A equipe era pressionada, ninguém conseguia entender o que aconteceu com o time. Foi o tal do vírus FIFA? Foi magia negra? Foram as rotações não feitas por Luis Enrique essa temporada? Muitas perguntas e poucas respostas. Em sua primeira temporada Luis Enrique foi muito pressionado por nunca escalar o mesmo time. Rotacionava sempre e era muito criticado pelos jornais catalães. Uma grande crise surgiu justamente em Anoeta, quando o Barça perdeu para o Real Sociedad e começou a ficar para trás de seus rivais. Mas na segunda metade da temporada o time esteve impecável. Jogou em estado de graça e conquistou o triplete, surpreendendo a todos e encantando o mundo com o tridente MSN.

Essa temporada foi o contrário. Uma primeira metade sublime, e o time com gás e perfeição… até a queda brusca de rendimento. Um Barça que teve muito mais jogos que seus adversários diretos. Jogou Supercopa da Espanha, Supercopa da Europa, Mundial de Clubes e ainda teve muito mais jogos na Copa do Rey, uma vez que Real Madrid foi desclassificado logo no início e o Atlético eliminado precocemente. Mais jogos e menos rotações. Suarez e Messi só ficavam no banco quando estavam suspensos. Intocáveis. Mas a conta chegou no momento mais crucial. Luis Enrique disputou seis jogos contra o Atlético de Madrid desde que assumiu o Barça e perdeu apenas um jogo, justamente o que não poderia perder. Justamente o que valia tudo.

Assim que chegamos ao jogo dessa rodada, contra o Deportivo La Coruña, lá no estádio de Riazor, na casa deles em Galícia. De um momento em que o Real Madrid tinha dito através de seu técnico Zidane que a Liga estava perdida para eles, até um momento em que o Barça estava quase perdendo a Liga mais ganha de todos os tempos. O time catalão precisava de uma recuperação com extrema urgência, e ela veio. Riazor serviu como um centro de reabilitação para o Barça. A rehab necessária para devolver esperança e confiança ao time e aos torcedores para conquistar o que resta nessa temporada, o doblete com a Liga e a Copa do Rey.

Um passeio histórico de 8 a 0 com Luis Suarez fazendo uma de suas melhores partidas. 4 gols e três assistências. Messi também brilhou, marcando um gol e servindo seus companheiros em outras oportunidades. Neymar não esteve em sua melhor versão, mas conseguiu fazer mais do que fez em todos os últimos jogos somados. Serviu o Suarez em um gol que poderia ter feito ele mesmo e depois foi recompensado com o oitavo e último gol. O trio MSN voltava a marcar no mesmo jogo. O torcedor do Barça sorri e sente lampejos de confiança voltando.

Enquanto isso, Atlético vencia o Athletic de Bilbao na casa adversária por 1 a 0. Placar mínimo que garantiu os três pontos para o time não sair da cola do Barça. E o Real vencia o Villarreal em casa por 3 a 0, se mantendo forte na briga. Como torcedor blaugrana, a goleada não me convenceu. Com certeza gostei de ver a equipe voltar a se entrosar e ter um momento de espetáculo mais uma vez, mas fica a sensação de “por que não fizeram SÓ UM GOL nos outros jogos?”. Um gol contra o Atlético na Champions mudaria tudo.

Não se deve ficar pensando no “e se”. Nada vai mudar na tabela, nada vai voltar. A vitória animou, mas ainda não afastou a decepção recente. O que significa que o processo de reabilitação do Barça ainda não acabou. Restam cinco jogos nessa temporada. A equipe recebe o Sporting Gijón, visita o Betis, recebe o Espanyol e termina visitando o Granada. Teoricamente são adversários fáceis, mas a inconstância foi tão grande que não é possível ter certeza de mais nada. O Barça fez 7 a 0 no Valencia nessa mesma temporada nas eliminatórias da Copa do Rey, depois perdeu por 2 a 1 no mesmo estádio. Empatou contra o Deportivo no Camp Nou por 2 a 2, depois de estar vencendo por 2 a 0, e agora faz 8 a 0 na casa deles. Tudo está muito improvável, mas segue a esperança da reabilitação, que termina dia 22 de maio, contra o Sevilla, na final da Copa do Rey.

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Sobre Diego Rey

Diego Rey já escreveu 22 posts nesse site..

Diego Rey, 27 anos, jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sua paixão pelo futebol começou em 2006, ao ver Ronaldinho fazendo mágica em Barcelona. Desde então se tornou um torcedor culé fanático e não perde nenhum jogo do Barça. Morou na cidade catalã em 2013 e fez do Camp Nou sua segunda casa enquanto esteve lá.

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Diego Rey
Diego Rey, 27 anos, jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sua paixão pelo futebol começou em 2006, ao ver Ronaldinho fazendo mágica em Barcelona. Desde então se tornou um torcedor culé fanático e não perde nenhum jogo do Barça. Morou na cidade catalã em 2013 e fez do Camp Nou sua segunda casa enquanto esteve lá.

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