CBF: Um caso de polícia

Quando eu era garoto não compreendia quando os mais velhos faziam caretas de desaprovação sempre que o nome de Ricardo Teixeira era citado. Em minha inocência não compreendia que mal poderia fazer aquele homem de sorriso bondoso e cabelos alvos como a neve. Cria que o presidente da CBF era um santo, por ver Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho vestindo a amarelinha. Só alegria. Só saudade. Mas o tempo é imbatível, e foi passando para me conceder a dádiva do saber. E eu soube, que os bastidores da cartolagem eram muito mal-assombrados. Aqueles engravatados teciam redes desonestas enquanto aqueles craques (que saudade) gingavam pelos campos do mundo. Como não há treva que possa rivalizar com a luz, o então presidente foi alvo de CPI, caiu na boca da mídia e do povo, espatifou-se. Virou uma lenda que dera fuga para algum palácio nos Estados Unidos. Um barão da sujeira, de branco só o cabelo mesmo.

Eis que entra em cena o tapeador de medalhas. José Maria Marin, novo presidente da parada. Logo que seu nome foi apontado como manda chuva, as imagens de seu triste surrupiar inundaram os veículos de comunicação. Os críticos do esporte espumaram de ira. Aquela medalha, que as escondidas foi parar no bolso do homem, serviu como triste profecia para o que estava por vir. E foi em Zurique que o mal agouro deu fruto: o FBI prendeu não só o ladrão de medalhas como também outros seis (se também roubaram medalhas eu não sei). O descortinar de uma máfia ardilosa, pega desprevenida.

Fifa encurralada e um presidente da nossa Confederação… preso.

Mas nesse meio um lobo acaricia outro. Vem então Marco Polo Del Nero. O presidente que temia pisar solo estrangeiro. Com medo do próprio passaporte. Substituíra um mandatário que agora estava cativo, e o seu bom nome já acenava nas investigações de um FBI disposto a terminar o que havia começado. Transformou-se num personagem odioso. Retrato de uma crise absurda, fugindo do eminente risco de também cair no xilindró. Quando já estava mais do que na cara, quando todos já estavam cansados de saber que neste angu tinha muitos caroços, veio o afastamento. Isto porque sua batata já estava assando pra valer nos inquéritos americanos, e Marcus Vicente assumiu o cargo provisoriamente. Mas esta manobra de Del Nero não foi vista com bons olhos por seus desafetos, e já tem levantado uma poeira que não vai baixar tão cedo. A crise do futebol brasileiro está mais acentuada do que nunca, sobretudo no ambiente administrativo.

Esperamos que o atual/provisório comandante da Confederação Brasileira de Futebol não seja elemento em mais um caso de polícia. Infelizmente não seria novidade.

Douglas Molgado
Douglas Molgado
Douglas Molgado Affonso. 1989. FIAM-FAAM. Twitter: @douglasmolgado)

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