Casillas ou Buffon: quem foi melhor?

Após compararmos as carreiras dos dois maiores goleiros recentes no futebol brasileiro, chegou a hora de falar dos maiores do mundo. Dessa forma, obviamente, vamos fazer uma comparação saudável entre Casillas e Buffon. Ambos campeões do mundo por suas respectivas seleções e ídolos de seus clubes – com uma certa vantagem ao italiano neste quesito. Portanto, vamos ao debate.

QUEM FOI MELHOR: CASILLAS OU BUFFON?

Gianluigi Buffon com apenas 17 anos fez sua estreia na Serie A, pelo Parma, num empate sem gols, contra o Milan em 19 de Novembro de 1995. Em sua segunda temporada como profissional já era o goleiro titular da equipe, por qual fez 220 partidas. Cinco temporadas depois foi anunciado pela Juventus, na época, um recorde mundial na transferência de um goleiro, por uma quantia aproximadamente de 52,88 milhões de euros.

Iker Casillas, por outro lado, estreou como titular do Real Madrid já com Vicente del Bosque, em 1999. No ano seguinte, se tornou o goleiro mais jovem a disputar uma final de Champions League, quando o Real derrotou o Valencia por 3 a 0, quatro dias depois do espanhol completar 19 anos.

A titularidade não durou por muito tempo, por oscilar em alguns momentos, mas o destino estava do seu lado. César Sánchez, na ocasião titular, sofreu uma lesão no 2º tempo da final da Champions League 2001/02, e Casillas com personalidade, realizou defesas importantes contra o Bayer Leverkusen, garantindo mais um título continental para o maior clube do mundo.

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QUEM SOFREU MAIS GOLS?

O início do Buffon foi mais consolidado e tranquilo, até pelo tamanho das equipes. Mas a diferença era enorme pelas exibições e conquistas do espanhol, já sendo protagonista com 19 e 21 anos no maior campeonato de clubes do mundo. Enquanto o italiano se transferiu para a Juventus já aos  23 anos de idade. Entretanto, ele foi quem menos sofreu gols na comparação, acumulando mais partidas.

Isso porque Casillas sofreu, ao todo, 866 gols em 881 jogos (por clubes). Um número impactante, principalmente por ter jogado a maior parte de sua carreira no Real Madrid. Certamente, o que justifica esse número, são as goleadas em que a equipe marcava 4, 5 ou 6 gols, mas sofria dois, três ou quatro. Somente na LaLiga foram 524 gols sofridos em 510 aparições. Numa década onde o Barcelona conquistou o mundo com Ronaldinho Gaúcho, Xavi, Iniesta, Messi e cia. Pouco tempo depois com a chegada de Guardiola, foram longos anos em que o Real sofreu e muito para o seu principal adversário.

Em contrapartida, na Itália, a Juventus de Buffon conquistava os títulos nacionais com autoridade, aproveitando as más fases (até hoje) de Inter e Milan. Assim, consequentemente, acumulando prêmios e prêmios de melhor defesa. Com a camisa de Parma, Juventus e PSG, hoje o camisa 77 soma 762 gols sofridos em 912 jogos. Vale ressaltar que esses números devem aumentar ainda mais, porque o ídolo da Velha Senhora está prestes a renovar seu contrato por mais um ano. O sonho de conquistar a Champions League, mesmo como reserva, ainda segue vivo.

AS FALHAS

Mesmo que Iker seja refém desses números, é de se pensar sobre essa marca que não será superada. Até porque o ex-goleiro do Porto sofreu com problemas cardíacos e, a princípio, infelizmente, não voltará aos gramados. Suas falhas foram mais constantes, o que causou até vaias dos torcedores madridistas em pleno Santiago Bernabeu no fim de sua passagem por lá.

Gianluigi, claro, também acumula algumas falhas de baixo das traves (principalmente com os pés). O mais recente foi contra o Manchester United, nas oitavas da Champions, ainda pelo PSG. Mas ambos vivenciaram mais momentos de glórias, com diversos milagres em suas carreiras, inclusive em finais de Copas do Mundo…. Zidane e Robben sabem muito bem disso. Por fim, usando o critério de regularidade e longevidade, Buffon leva vantagem.

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A IDENTIFICAÇÃO COM CLUBE E SELEÇÃO

Ambos têm uma grande representatividade em seus clubes, afinal são os dois goleiros com maior número de jogos oficiais por Juventus (667) e Real Madrid (725). A relação de Casillas com os torcedores do Real ficou um pouco ‘desgastada' já no fim de sua trajetória. Dessa forma, Buffon está um patamar acima na identificação com seus torcedores, até por ser um dos poucos atletas que permaneceram na Velha Senhora após o rebaixamento conturbado em 2006 e por ter dado a volta por cima com tantos e tantos títulos.

Na seleção é ao contrário. Buffon foi importante na conquista da Copa do Mundo em 2006, para a Itália, mas pela tradição de seu país no futebol é pouco, considerando os anos seguintes até 2017 quando se aposentou na seleção. Já Casillas fez parte da maior seleção espanhola da história, conquistando duas Eurocopas de forma consecutiva em 2008 e 2012 (a segunda em cima da Itália de Buffon por 4-0). Além de ser protagonista na final da Copa do Mundo em 2010, no duelo com Arjen Robben, talvez a maior defesa de sua vida.

EIS A QUESTÃO: O ESPANHOL OU O ITALIANO?

Buffon, já em fim de carreira, leva consigo a ausência do maior título para um clube, a Champions League. E por pouco não venceu, afinal, foram três finais com a Juventus: em 2003, onde o brasileiro Dida foi superior na disputa de pênaltis e o rival Milan ficou com o título. Há poucos anos atrás, em 2015 e 2017, Barcelona e Real Madrid superaram o clube italiano, por 3 x 1 e 4 x 1, respectivamente.

Título que Casillas conquistou três vezes, o primeiro ainda com 19 anos, e pouco tempo depois conquistou a segunda, sendo destaque ao lado de Zidane. Em 2014 conquistou o terceiro e último título de Champions League, após cometer uma falha no gol do Atlético de Madrid. O espanhol estava sendo o grande vilão da final, mas o placar foi revertido. Inclusive, após o gol de Marcelo, o terceiro no 4 x 1, foi as lágrimas com o brasileiro, aliviado.

Fato é que Buffon foi mais regular em alto nível em sua trajetória tanto que, foi considerado pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) o melhor goleiro nos últimos 25 anos. Apesar de Casillas ter sido melhor no auge de sua carreira e tecnicamente falando, foi quem teve defesas mais mirabolantes, mais complicadas.

E convenhamos, não houve outros goleiros no século passado que apresentou um nível técnico tão alto e duradouro como esses dois. Neuer, Van Der Sar, talvez Dida, seriam os nomes que brigariam por fora. E quem sabe no futuro Ter Stegen ou Alisson entrarão para essa lista…

Por fim, nessa disputa gigante, para esse que vos escreve (apesar dos números e prêmios individuais favorecem Buffon), o espanhol Iker Casillas não só ganha essa disputa por ser MELHOR, como é o MAIOR goleiro da história do futebol, querendo ou não, uma lenda no gol do Real Madrid, maior clube do mundo, e da Seleção Espanhola que também ganhou o mundo pela primeira vez.

Foto em destaque: Agência EFE

Thiago Lopes
Thiago Lopes, 20 anos. Estudante de jornalismo - 6º semestre.

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