Candidatura do Marrocos à Copa 2026 pode ser barrada por lei contra homossexuais no país

- Comitiva da Copa do Mundo visita o Marrocos para entender a realidade política do país para validar a candidatura para a Copa 2026
Marrocos 2026

Em sua sexta tentativa de sediar a Copa do Mundo, o Marrocos corre o risco de perder a chance de ir a votação no dia 13 de junho no Congresso da FIFA, devido a lei contra os homossexuais, tal decreto já discutido em reunião entre as Nações Unidas. O país africano concorrerá com os EUA, que fará um conjunto de sedes junto com Canadá e México. Estes países pleiteiam a chance de receber a Copa do Mundo de 2026.

Representantes da Fifa chegaram ao Marrocos na segunda-feira para inspecionar a candidatura à Copa 2026. O país escondeu o fato de que atos homossexuais são considerados crimes no país, o que infringe as novas regras da Fifa para sediar o seu principal evento. No documento de candidatura revisados pela agência Associated Press (AP), Marrocos não informa o fato da lei anti-LGT ser um risco, e muito menos mostra uma solução para o problema, como é exigido pelo chamado caderno de encargos.

Por pressão depois do que se vê tanto na Rússia, sede da Copa 2019, quanto no Catar, sede da Copa de 2022, a Fifa foi pressionada a fazer diversas mudanças. Uma delas foi mudar completamente as regras para a escolha dos países sede. Além de tirar a decisão do então Comitê Executivo, formado por 22 pessoas e que escolheu Rússia e Catar como sedes em dezembro de 2010. A escolha da Copa de 2026 será feita no Congresso da Fifa e todos os países filiados terão direito a voto.

Há também outra mudança importante sobre a questão de infraestrutura, que precisa há existir, ao contrário do que a Fifa parecia querer antes, exigindo gastos exorbitantes para atender a um padrão Fifa irreal – e com enorme tolerância a supervalorização e, por consequência, esquemas de corrupção. Além disso, por causa da pressão feita por grupos ativistas e pelas constantes denúncias por violação de direitos humanos na Rússia e no Catar – como por exemplo do uso de mão de obra escrava – fez com que a entidade incluísse restrições a esse tipo de violação como pré-requisito.

“O relatório de direitos humanos do Marrocos apresentado à Fifa traz um silêncio intencional sobre a questão que Marrocos sabe muito bem que é crime no seu território”, afirmou Ahmed El Haiji, presidente da Associação Marroquina de Direitos Humanos à agência AP. O artigo 489 do código penal marroquino, atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo são punidos com seis meses a três anos de prisão.

“Está evidente que se Marrocos fosse sediar a Copa do Mundo, as pessoas LGBT que forem assistir aos jogos enfrentarão muita discriminação. O Estado não será capaz de protege-los, nem será capaz de se comprometer a tomar medidas preventivas que possam ser tomadas contra eles tanto pelo Estado quanto pela sociedade”, disse ainda El Haiji.

A secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, escreveu a ativistas em 2017 que as Copas do Mundo devem acontecer em ambientes livres de “discriminação baseada em orientação sexual”, em relação a preocupações relativas à Rússia. A carta da dirigente gerou, depois, uma política incorporada às exigências feitas aos países candidatos a sediarem uma Copa do Mundo.

“Nas novas exigências contra discriminação nos estatutos da Fifa e nas políticas de Direitos Humanos, um dos pontos críticos trata sobre atividades, leis e políticas contra homossexuais”, afirma Minky Worden, diretora de atividades globais da Human Rights Watch, uma entidade que denunciou diversas vezes as violações do Catar com, por exemplo, trabalho escravo. “Se Marrocos quer mesmo vencer, precisará estar preparado para repelir o código penal que pune as pessoas por serem gays”.

Um dos problemas para as escolhas da Rússia e do Catar para as Copas de 2018 e 2022 foi que mesmo tendo feito inspeções nesses países que constataram problemas, os relatórios foram ignorados. Como se suspeitava, muitos dos dirigentes entre os 22 que votaram estiveram envolvidos em esquemas de corrupção e alguns deles são acusados de receberem propina. Por tudo isso, a Fifa agora exige que os países passem por inspeção previamente antes da votação e que, caso não cumpram os requisitos, seja de infraestrutura, seja de questões relativas a direitos humanos, seja vetado de participar da disputa para sediar a Copa.

Assim como no caso de infraestrutura, a candidatura dos países da América do Norte para sediar a Copa 2026 traz informação sobre isso em 33 páginas, com estratégias de combate à discriminação, incluindo sexual. O comportamento pouco transparente de Marrocos pode ter a ver com a forma como o país se comportou em relação a propostas das Nações Unidas para a descriminalização de relações de pessoas do mesmo sexo e violência baseada na orientação sexual das pessoas. Em agosto de 2017, Marrocos respondeu às Nações Unidas dizendo que “rejeita completamente” a proposta.

É bem possível que a candidatura de Marrocos para a Copa 2026 seja mais um teste importante para o discurso da Fifa, que diz estar mudada e é vista de modo muito cético por muitos ao redor do mundo, com toda justiça. Confiar na Fifa será algo que demorará a acontecer e levará muitos anos de boas práticas para ser minimamente possível.

Talvez essa questão da candidatura para 2026 seja só um capítulo sobre isso. Afinal, ainda que a visão para 2026 seja melhor, no mínimo seria importante ser mais duro com a Rússia de 2018 e especialmente com a Copa de 2022. Por enquanto, o discurso da Fifa ainda está distante da prática. A entidade precisa mudar isso.

Fonte: Trivela

Diego Monteiro

Sobre Diego Monteiro

Diego Monteiro já escreveu 66 posts nesse site..

Jovem jornalista apaixonado por futebol, música e resenha boa. Sou paranaense na terra da garoa. Alguns dizem que sou doido, mas doido é quem me chama. De loucura e razão, todos nós temos um pouco.

BetWarrior


Poliesportiva


Diego Monteiro
Diego Monteiro
Jovem jornalista apaixonado por futebol, música e resenha boa. Sou paranaense na terra da garoa. Alguns dizem que sou doido, mas doido é quem me chama. De loucura e razão, todos nós temos um pouco.

    Artigos Relacionados

    Comments are closed.

    Topo