Doria

O Futebol na Veia entrevistou de forma exclusiva o zagueiro Dória, do Santos Laguna, do México. O defensor afirmou que busca fazer história no time mexicano e que um retorno ao Botafogo seria apenas mais para frente. Do mesmo modo que, também falou do carinho dos torcedores do São Paulo e se sonha ou não em ainda defender a seleção brasileira, hoje, comandada pelo Tite.

Dória, agora em 2020, completará 26 anos e está no seu sexto clube na carreira. Revelado no Botafogo, passou pela França, Turquia e Espanha, além de atuar no São Paulo, em 2015. Chegou ao Santos Laguna em 2018.

“A minha vinda para cá [México] foi para abrir portas para outros brasileiros. A mentalidade do clube é essa. Sondei amigos espanhois e franceses, que, me disseram que o nível de competitividade era bom.”

Embora tenha sido revelado no Botafogo em meio a um período que muitos jovens foram lançados, isso não o deixou afoito. Logo se destacou como profissional. Fora também, que foi chamado para a seleção brasileira de base, ainda em 2012, para a disputado Sul-Americano da categoria do ano seguinte. Aliás, neste mesmo ano, participou da classificação botafoguense a Libertadores de 2014, algo que não acontecia no clube há 17 anos.

“O Botafogo é sonho pro futuro. Queira ou não, me colocaram no cenário mundial da bola”, relatou com carinho o zagueiro que, hoje faz parte do elenco do Santos Laguna, clube seis vezes campeão mexicano. Há dois anos no país, Dória comenta como enxerga o apoio dos torcedores mexicanos.

BOLA ROLANDO

O tamanho da ansiedade dos torcedores da cidade de Torreón, norte do México, para a volta do futebol se explica: Lá, como aqui, o futebol no país, por conta da pandemia causada pelo coronavírus foi paralisado por quatro meses. Sem contar que, os mexicanos convivem com triste número de ser a 3ª nação que mais morre gente em virtude da Covid-19. Atrás somente dos seus vizinhos do continente americano, Estados Unidos e Brasil, respectivamente. Lembrando que a região ainda comporta os times do Monterrey e o do Tigres.

“Durante o período de quarentena fiquei mais próximo da minha família. Não fomos autorizados a retornar aos nossos países. Afinal, tem estrangeiros do mundo todo, então o Santos Laguna se preocupou com a segurança de todos”, salientou Dória.  O atleta também confirmou em papo exclusivo com o FNV que fez treinos até em dois períodos, quando necessário.

Em casa, o camisa 21 disse ter sido liberado 15 dias da programação para poder descansar. A revelação botafoguense foi vendida ao Olympique de Marseille, em 2014, pela quantia de 10 milhões de euros. No entanto, apenas 30% desses valores foram repassados aos cariocas. O xerife da zaga dos Guerreros, busca fazer história nos mexicanos.

“Abraçam o clube e seus atletas como se fossem uma religião. Imagino fazer história por aqui.”

DÓRIA DENTRO E FORA DE CAMPO

O time mexicano fez uma pré-temporada de um mês, antes do retorno aos jogos oficiais pela Liga MX Guarda1nes. Os jogadores realizam exames para detectar se foram ou não contaminados pelo vírus, a cada duas semanas. Há dois anos no México, Dória é querido dentro e fora de campo. Sobretudo com as atuações seguras na defesa ou mesmo quando chamado ao ataque para contribuir ofensivamente não deixa barato.

Saiba mais

Poucos sabem, mas Dória, se chama Matheus e suas experiências pelo campeonato espanhol atuando no Granada e no turco, Malatyaspor, lhe trouxe visões diferentes dos estilos praticados de futebol.

“Faz [México] lembrar o Brasil e a Espanha. Muito técnico e rápido. Tanto nas condições de passes quanto no quesito de jogadores. A França, por exemplo, é muita força física”.

RELAÇÃO BRASIL E DÓRIA

Depois de deixar o Brasil com sentimento de dever cumprido com o Fogão, por ter conquistado um carioca, vencendo os dois turnos, uma vaga numa competição internacional, depois de quase duas décadas. Simultaneamente, pela seleção brasileira, teve o bicampeonato do Torneio de Toulon (2013 e 2014), como capitão e ajudando acabar com o jejum brasileiro, que não vencia o tradicional torneio francês desde 2002. Dessa maneira, se esperava uma experiência europeia de sucesso imediato, mas não aconteceu como o esperado.

A zaga são-paulina o recebeu de volta em 2015 para um período de empréstimo de seis meses, a pedido de Muricy Ramalho. “ O São Paulo, claro, por ter me acolhido no retorno da europa, já que queria jogar e não tinha sequência lá. Agradeço muito o carinho nas redes sociais que eles [torcedores] têm comigo. Sempre mando energias positivas pra lá“, relatou Dória.

“Estou na idade. Agora, num momento de mudança, estou disponível. Jogadores que foram referência estão chegando no fim da carreira. Vou fazer de tudo para chegar ao nível máximo de jogos em alto nível por aqui [México]. Hoje, sou jogador mais tranquilo na hora de tomar decisões dentro de campo. Identifico isso como autocrítica evolutiva para melhorar.”

Concluiu Dória, que ainda pensa em fazer carreira na seleção brasileira principal comandada por Tite. Assim sendo, sonha ser testado no novo ciclo para a Copa do Mundo de 2022.

SEMELHANÇAS

Por fim, o nome Santos Laguna, sim, tem referência ao homônimo do Brasil. Inclusive, no jogo que reinaugurou o estádio do laguneros, depois de uma reforma para o aumento de assentos disponíveis aos torcedores, foi realizado um amistoso, com vitória dos mexicanos por 2 a 1. Aliás, Neymar, neste jogo, fez sua primeira partida internacional na carreira e Edu Dracena estreava pelo time da baixada Santista. Enfim, até o rei Pelé deu as caras na peleja.

Foto Destaque: Reprodução/RecordMX/ElsiglodeTorreon

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Alysson Rodrigues

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