Brian Clough e Peter Taylor: Uma parceria marcada por altos e baixos que entrou para a história do futebol

Brian Clough e Peter Taylor pode ser considerada uma parceria de verdadeiro sucesso no futebol, contudo, como toda e boa dupla a relação entre os dois também ficou marcada por rupturas

Grandes duplas fizeram enorme sucesso na história, deixaram suas grandes contribuições e marcas para a humanidade. Contudo, muitas delas tiveram suas diferenças e até terminaram em rupturas permanentes, outras, até mesmo, tiveram arrependimentos. Como é o caso de Brian Clough e Peter Taylor. O primeiro, com uma personalidades mais extrovertida e marcada por falar na imprensa tudo que vinha a sua cabeça. O outro, todavia, era frio, calculista e sempre assertivo na contratação de jogadores. Ambos eram diferentes, tinha personalidades diferentes, mas tinham sempre em comum a mesma fome e o desejo pela vitória.

O INÍCIO DA PARCERIA

Brian Clough foi um excelente atacante em sua curta carreira como jogador de futebol. Nos seis anos pelos quais atuou pelo Middlesbrough, Clough marcou 197 gols em 213 partidas disputadas. Porém, teve que encerrar sua carreira aos 29 anos, quando jogava pelo Sunderland, após sofrer uma séria lesão.

Enquanto era jogador do Middlesbrough, Clough conheceu Peter Taylor, que jogava como goleiro da equipe. Depois de sua aposentadoria precoce, Brian Clough decidiu seguir carreira de treinador e escolheu como seu auxiliar ninguém menos que Peter Taylor, com quem tinha muita confiança.

Os dois assumiram a equipe do Hartlepool United da 4ª divisão do Campeonato Inglês para o início de seus trabalhos. Todavia, não obtiveram grandes resultados por lá. Não demorou muito para aceitarem o convite do Derby Country da segunda divisão. Em Derby, foram grandes momentos que Clough e Taylor viveram sob o comando da equipe. Foi lá que se iniciou a rivalidade de Brian Clough com o técnico do Leeds United, Don Revie, que jogava a Premier League.

O início da rivalidade se deu depois que Revie, em um jogo pela Copa da Inglaterra, não cumprimentou Clough. A partir de então, o técnico do Derby reuniu forças para levar o clube para jogar a primeira divisão e bater o Leeds de Don Revie. Peter Taylor teve papel fundamental em tudo isso, pois encontrou bons jogadores para reforçar o time. McGovern, McKay e O'Hare chegaram após a eliminação para o Leeds. Dessa forma, com a chegada dos três, o time arrancou na segunda divisão, obteve uma série de 22 jogos invictos e levou o campeonato.

Já na Premier League, depois de dois anos, o Derby foi surpreendente e derrubou Liverpool, Manchester City e o Leeds de Don Revie para se sagrar campeão inglês. Depois do triunfo, Clough obteve uma série de desentendimentos com a diretoria do clube, provocados principalmente por seu temperamento e forte personalidade. Com isso, sua saída do clube que foi vitorioso acabou dada como certa. Resultado que não agradou nenhum pouco Peter Taylor, que tinha ainda forte relação com o clube.

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A RUPTURA 

Depois da saída do Derby Country, no final de 1973, assumiram o Brighton que jogava a terceira divisão do campeonato. Contudo, não obtiveram grandes resultados. Clough acabou sendo seduzido por uma oferta para trabalhar no Leeds United, já que Don Revie havia assumido a seleção inglesa. Essa decisão de abandonar o Brigthon irritou bastante Taylor, que decidiu permanecer no clube. Foi a primeira vez que os dois romperam a parceria.

 A separação foi sentida principalmente por Clough, que sem seu fiel companheiro acabou passando por um verdadeiro vexame em Leeds. O treinador durou apenas 44 dias, não teve um bom relacionamento com as principais estrelas do time e acabou deixando o clube. Ficou claro de que Clough não era o mesmo sem Peter Taylor. Todo esse período é muito bem representado no filme Maldito Futebol Clube de 2009.

RECONCILIAÇÃO E O SUCESSO NO FOREST  

Em 1976, Taylor e Clough voltaram a trabalhar juntos, agora com um novo desafio. Treinar o Nottingham Forest da segunda divisão Inglesa. Terminaram em terceiro lugar na temporada 1976/1977 e colocaram a equipe na primeira divisão. Depois disso, o time engrenou e foi uma sucessão de importantes títulos conquistados. Dentre eles, duas Copa dos Campeões, uma Supercopa da Europa e também outros títulos nacionais. Taylor sendo fundamental também na escolha de jogadores como  Larry Lloyd, Kenny Burns, Gary Birtles e Peter Shilton para o fortalecimento do time e consequentemente a conquista dos títulos.

 

NOVA RUPTURA E ARREPENDIMENTOS 

Apesar de todo sucesso conquistado no Forest, não ficaram de fora os constantes desentendimentos entre técnico e  auxiliar. Quando em 1980, Taylor escreveu sua autobiografia, Clough ficou muito irritado por ele não ter sido consultado a respeito. Além disso, em 1982, Taylor assumiu o Derby County e contratou um dos jogadores mais experientes de Clough, Jonh Robertson, sem o conhecimento do técnico do Forest.

Esse fato fez com que a relação existente entre os dois acabasse. Quando Taylor morreu em 1990, Clough assumiu o arrependimento da separação do seu velho amigo e pediu para que o Nottingham Forest rebatizasse a bancada ‘Brian Clough' para ‘Brian Clough e Peter Taylor'. Os dois se tornaram verdadeiras lendas do futebol, é inconcebível pensar em Brian Clough sem a figura de Peter Taylor ao seu lado. Para Clough, ele se referia a si como sendo uma “vitrine de loja” e a Taylor como sendo “as coisas boas dentro”.

 

Foto Destaque: Getty Images 

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Gabriel Queiroz
Gabriel Queiroz
Sou natural de São Luis do Maranhão, mas faço faculdade em Brasília. Escolhi o jornalismo única e exclusivamente pelo amor que tenho ao futebol e a tantos outros esportes

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