Guillermo Ochoa. Provavelmente você se lembra tão bem como eu do quanto o goleiro mexicano evitou a vitória do Brasil sobre o México na Copa do Mundo de 2014. Nesse contexto, a coluna Marcas da Copa vem nesta terça-feira (9) relembrar como se desenrolou o segundo jogo da seleção brasileira no evento que aconteceu aqui no nosso país, mais precisamente no estádio do Castelão.

BRASIL X MÉXICO – CENÁRIO

Os dois países venceram na estreia. Assim, o Brasil bateu a Croácia, por 3 x 1, de virada, jogando em São Paulo. Por outro lado, o México venceu Camarões, por 1 x 0, na Arena das Dunas, em Natal. Dessa forma, sul-americanos e norte-americanos tinham encontro marcado na 2ª rodada da fase de grupos.

A vitória, independente do lado, colocaria o vencedor com uma mão e meia na vaga para a fase mata-mata do principal torneio de futebol do mundo, ainda que, para mim, os dois países fossem os favoritos para alcançarem a próxima etapa, o que se concretizou depois.

Apesar da vitória de virada na estreia, a seleção brasileira de Felipão não me convenceu. Dependendo muito das jogadas individuais de Neymar, logo imaginei que o Brasil teria jogo duro frente a defesa bem postada dos mexicanos.

Por outro lado, apesar do placar magro contra Camarões, de Samuel Eto'o, o México se apresentou bem na Arena das Dunas. Mesmo sem Chicharito entre os 11 iniciais, os mexicanos desenvolveram boas jogadas de velocidade com Giovani dos Santos. Além disso, o esquema com Layún e Aguilar como alas no ataque e laterais na defesa deu boa consistência defensiva e bom apoio ofensivo.

A CONSAGRAÇÃO DE OCHOA

“Ele resolveu não deixar o Brasil ganhar”. Essa frase dita por Galvão Bueno na narração resumiu o que foi o duelo entre Brasil e México. Não que os visitantes não tivessem buscado o gol, muito pelo contrário, mas a estrela daquela tarde não poderia ser mais ninguém do que Guillermo Ochoa.

O jogo valia pela fase grupos, mas o clima no Castelão parecia de mata-mata. A verdade é que ao meu ver, o jogo se desenrolou como uma prorrogação de 90 minutos. A todo instante torcedores, fossem eles brasileiros ou mexicanos, se espremiam ao ver o time adversário indo ao ataque.

Desconhecido, o camisa 13 mexicano me surpreendeu. Mais experiente e com renome no futebol mexicano, principalmente pelos longos anos de Cruz Azul, Jesús Corona deu lugar a Ochoa. Vale ressaltar que a mudança de goleiro na seleção do México se deu no curto prazo de um ano. Em 2013, o famoso arqueiro havia sido titular do país na Copa das Confederações, inclusive tendo enfrentado o Brasil na ocasião.

Confesso que em 2014 estava desiludido com a seleção, principalmente pelas entrelinhas que sempre se sobressaem na CBF. Então, vendo Ochoa brilhar não fiquei angustiado. Como goleiro frustrado que sou, apenas apreciei os milagres do mexicano.

Pelo chão o Brasil pouco chegou. A dependência de Neymar e seus dribles deu espaço a um show de ‘chuveirinhos' na área adversário. Sem resultado. Quando não desperdiçava a posse de bola, a seleção brasileira encontrava o muro mexicano pela frente.

Thiago Silva pelo alto, Paulinho em sobra dentro área e Neymar tanto de cabeça como com os pés, todos pararam em Ochoa. Não tinha jeito, a tarde era dele. Inclusive, seria pecado o México achar um gol nas tentativas de fora da área, porque assim o show do arqueiro seria prejudicado.

AS LIÇÕES DAQUELE BRASIL X MÉXICO

Cuidado! Se você veste a camisa da seleção brasileira, joga uma Copa do Mundo em casa, e enfrenta um time que veste vermelho e preto a chance de se dar mal é grande. Para quem gosta de superstição, o México, mesmo que indiretamente, deixou um recado para nós naquela tarde. Sem utilizar a sua tradicional camisa verde, com shorts brancos e meiões vermelhos, os visitantes nos deram uma amostra do sofrimento que passaríamos pouco tempo depois com a Alemanha.

Falando de futebol, a partida no Castelão me deixou clara a ideia de que depender apenas de um jogador não nos levaria a lugar algum, mesmo que jogando na nossa casa e com a presença dos nossos torcedores. Além disso, as transições rápidas de contra-ataque evidenciaram a deficiência da seleção brasileira na recomposição defensiva quando tentava propor o jogo.

Foto Destaque: Reprodução/Reuters

Renan Liskai
Renan Liskai
Muito prazer! Sou Renan Liskai, paulista, natural de Santo André. Desde 1998 falando, respirando, sorrindo, chorando e enlouquecendo por futebol. A vida de goleiro não deu certo, mas o jornalismo sempre esteve ali. Descobri que se não podia estar dentro de campo ou das quadras, eu poderia estar do lado de fora, mas sempre vivendo tudo isso. Sou daqueles que não perde um jogo de futebol por nada, seja ele qual for. Costumo dizer que esse esporte é assunto mundial e que não há uma pessoa no mundo que nunca tenha falado sobre tudo que acontece dentro e além das quatro linhas. Assim como todo mundo, carrego uma história e experiências. Sou filho, irmão, neto, amigo e sempre serei um eterno aprendiz dessa vida.