Brasil e Colômbia tiveram que sair da América do Sul para a América do Norte para fazer uma final impossível de se esquecer. Embaladas com os brilhos das novatas, as brasileiras deram trabalho e se consagraram campeãs com uma goleada. Por isso, nesta terça-feira (15), a coluna Marcas da Copa contra como foi o embate dos Jogos Pan-Americanos de 2015.

COMO VINHAM AS EQUIPES?

A Seleção Brasileira entrou em campo para conquistar o seu terceiro título na competição. E não fizeram feio. Integrando o Grupo B, obtiveram 100% de aproveitamento. Venceram a Costa Rica, por 3 x 0, na estreia. Na 2ª rodada, brincaram de Alemanha e fizeram 7 x 1 no Equador. Já no fim da fase de grupos, derrotaram as anfitriãs, que perderam por 2 x 0. Além disso, na semifinal, enfrentaram o México, onde levaram a melhor por 4 x 2.

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Brasil na vitória diante Equador (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Enquanto isso, as colombianas entraram para somar a 28ª do país no torneio. Integrando o Grupo A, enfrentaram o México, onde venceram por 1 x 0, logo na estreia. Contudo, na sequência, tropeçaram. Ficaram no 1 x 1 com Trinidad e Tobago. Na terceira e última partida, bateram a Argentina por 2 x 0. Assim, na semifinal, foi a vez de encontrar as donas da casa. O Canadá foi eliminado por 1 x 0.

Colombianas bateram as mexicanas nas semifinais (Foto: FCF)

O CONFRONTO

A partida aconteceu em um sábado. Era 25 de julho de 2015. O cenário era o Hamilton Pan Am Soccer Stadium, mais conhecido como Tim Hortons Field, localizado em Ontário. As brasileiras, que estavam sob o comando do técnico Vadão, estavam com o uniforme todo de azul. Enquanto isso, a Seleção da Colômbia chegou de amarelo.

ESCALAÇÃO DE BRASIL X COLÔMBIA

  • Brasil: Barbara; Fabiana, Érika e Rafaelle; Thaisa, Tamires, Formiga, Andressa Alves (Poliana), Andressinha (Maurine) e Raquel (Gabi Zanotti); Cristiane.
  • Colômbia: Sandra Sepúlveda (Paulo Forero); Ángela Clavijo, Nataly Arias e Oriánica Velásquez; Isa Echeverri, Natalia Gaitán e Diana Ospina; Tatiana Ariza (Catalina Usme), Leicy Santos (Mildrey Pineda) e Ingrid Vidal.

APITA O ÁRBITRO

O Brasil já começou com tudo no confronto. Depois de alguns sustos, as brasileiras abriram o placar logo aos seis minutos. Depois de uma cobrança de falta, a experiente Formiga, no auge de seus 37 anos, aproveitou um cruzamento. De cabeça, mandou para o fundo das redes. Esta foi a primeira amostra de que o futebol feminino consegue ser mais surpreendente. Aos 10 minutos, Raquel quase marcou o segundo. Para animar as suas jogadoras, a torcida colombiana não parava de impulsionar. Com isso, Ariza começou a infernizar a vida da zaga brasileira.

A Seleção Canarinho iniciou um caminho de faltas. A arbitragem, inclusive, chegou a pedir calma às jogadoras. Contudo, elas estavam com sede de gols. Dessa maneira, as brasileiras permaneciam um bom tempo apenas no campo de ataque. Enquanto isso, as colombianas esperavam um erro para aproveitar um contra-ataque. Um choque de Cristiane e, na sequência, de Andressa Alves na goleira Sepúlveda viria trazer problemas na segunda etapa. Depois de dois minutos de acréscimo, acabou o 1º tempo.

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Brasileiras comemoram primeiro gol (Foto: AP)

HORA DO SHOW!

Como diria a pensadora Anitta, “prepara que agora é hora do show das poderosas”, as brasileiras voltaram com um show digno de turnê. As colombianas até tiveram duas chances de empatar, mas a Seleção do Brasil conseguia segurar o resultado tranquilamente. Além disso, Sepúlveda deu espaço para a goleira Forero, de pouco mais de 1,65m de altura. Contudo, elas não entraram em campo para ficar na retranca. Aos 27′, Andressa cobrou uma falta direto no travessão da Colômbia.

GOL OLÍMPICO E CHUVA DE TENTOS DO BRASIL

Quando tudo parecia ter se acalmado, Andressinha iria cobrar um escanteio. Contudo, aconteceu a substituição, e a iluminada Maurine entrou em campo. Sem dúvidas, a menina foi correndo para o lugar da cobrança. Ela anotou um dos mais lindos gols. Ela cobrou um escanteio bem fechado. O que ninguém esperava era que a bola pegasse uma curva e fosse parar dentro do gol. Quando todo mundo percebeu: GOL OLÍMPICO. Contudo, a partida não parou por aí. Aos 40 minutos, Andressa chutou livre pela direita e ampliou. Por fim, nos acréscimos, Fabiana acertou uma bomba de fora de área, sacramentando a conquista.

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Maurine comemorando o seu gol pelo Brasil (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

TALENTO DE VERDADE

O Brasil havia entrado em campo para deixar para trás uma chuva de críticas. Isso porque havia sido eliminado da Copa do Mundo. Na ocasião, nas oitavas de final, foram derrotadas pela Austrália por 1 x 0. Como o usual, ouviram coisas além do normal. Contudo, uma história de ouro não se perdeu por aí. Nos Jogos Pan-Americanos entraram em campo para mostrar a raça e a garra que a mulher brasileira tem consigo. Entraram em campo para mostrar que a mulher pode tudo o que ela quiser. 

Formiga, um dos destaques da Seleção Brasileira, estava com 37 anos. Ela, mais do que ninguém, ensinava para as meninas o significado de luta, de força. Esbanjava dentro de campo uma determinação enorme. Mais uma vez encantou todos que assistiram e acompanharam a competição.

“Nada melhor do que ser campeã, levar essa medalha e coroar esse trabalho. Ficamos super tristes com a saída do Mundial. Fechamos e decidimos que nada melhor do que dar a resposta para quem nos criticou, que não sabe da nossa luta. Sabíamos que ia ser difícil, pela qualidade da Colômbia. Nossa resposta está aí.”

Brasil foi tricampeão no futebol feminino dos Jogos Pan-Americanos (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A GRANDEZA DO FUTEBOL FEMININO

Mesmo não sendo uma das competições de maior prestígio do mundo, a competição e a conquista brasileira conseguiu mostrar para inúmeras pessoas algo que ainda não havia se tornado claro: o futebol feminino tem sim uma grande qualidade. Assim, o tabu de que o esporte é coisa de homem teve mais um pedaço quebrado a cada jogo disputado. Inúmeros e gigantes talentos foram demonstrados através das quatro linhas.

Assim como falado em outros textos da coluna, deixamos aqui o nosso apelo: respeitem e valorizem o futebol feminino. Ele é de grande riqueza para o nosso esporte e nosso país. Que a diferença enorme entre a modalidade feminina e masculina fique para trás. Além disso, que as mulheres jogadoras tenham ainda mais suporte, apreciadores e apaixonados – e que não seja algo apenas em jogos, que seja no dia a dia. Por fim, mas não menos importante, que esse machismo e valores ultrapassados fiquem no passado! Respeitem as nossas jogadoras! Deixa as minas jogar!

Foto destaque: Divulgação/Tom Szczerbowski/USA Today Sports

Lauren Berger
Lauren Berger
Lauren Berger, gaúcha e apaixonada por futebol. Cresci vendo grandes nomes do Brasil em campo e um sentimento especial cresceu em mim. Vi Ronaldinho Gaúcho, Fernandão, Cristiano Ronaldo, Iniesta e foi amor à primeira partida. Estudo na Universidade Luterana do Brasil-RS.

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