Bomba Patch: a história de um dos mods mais marcantes de todos os tempos

A coluna Master League dessa semana contará a história do Bomba Patch, um dos mais marcantes jogos de futebol de todos os tempos. Adaptado de um game originalmente japonês, o mod criou sua própria identidade brasileira e conquistou o coração de todos que um dia foram donos de um Playstation 2. Então, conheça aqui um pouco de como surgiu essa ideia de tanto sucesso.

Um jogo que marcou geração

Quem foi dono de um PlayStation 2 sabe bem como era o ritual. Depois de ter ido na banca mais próxima e gastado cerca de 10 reais por 3 jogos, agora restava sentar na frente da televisão e cruzar os dedos para os discos estarem funcionando. Se tudo corresse bem, então uma música tocaria. Uma canção que todos que a escutaram ainda possuem o ritmo na cabeça. Afinal, não é todo jogo de futebol que sempre estava 100% atualizado e ruim de aturar. Esse era o Bomba Patch.

O responsável por marcar toda uma geração foi um dono de locadora formado em Engenharia de Computação, que encontrou em um jogo japonês a chance de fidelizar seus clientes brasileiros. Porém, o tiro foi tão certo que acabou atingindo praticamente todos que já jogaram um jogo de futebol no Playstation 2. Com uma variedade imensa de personalizações, o Bomba Patch ficou para sempre na história.

Allan Jefferson, a mente por trás do Bomba Patch

No início, o Winning Eleven era um jogo todo em japonês, incluindo o nome dos jogadores. Ou seja, para os brasileiros, era muito difícil de se conectar. Então, o dono de um locadora de bairro, Allan Jefferson, decidiu passar os nomes para o português, criando um exclusividade em seu negócio. Apesar da ausência de times brasileiros, essa alteração acabou atraindo mais clientes para a sua lan house.

Para superar a barreira dos times, Allan passou a modificar os times europeu e transformá-los em brasileiros. Por exemplo, o Barcelona era o São Paulo, enquanto o Real Madrid era o Corinthians. O escudo e o uniforme ainda eram dos europeus, mas os jogadores eram personalizados para representarem os do Brasil. Assim, com tudo salvo no Memory Card, surgia o embrião do que, no futuro, seria um dos jogos mais marcantes da história.

Num campeonato de locadora, o nascimento do Bomba Patch

O trabalho de salvar no Memory Card era muito braçal, então Allan percebeu que era possível fazer pelo computador. Assim, o dono da locadora começou a aprender a modificar também uniformes e escudos. Depois de muito empenho e muitos testes, o criador completou os vinte clubes da primeira divisão e organizou um campeonato de estreia, com cada um dos participantes representando uma equipe. Na primeira edição o grande prêmio foi uma bomba de chocolate.

Nas edições seguintes, o dono da locadora passou a investir em prêmios mais modernos, como um um leitor de CDs portátil. Os participantes não faziam ideia, mas presenciavam o nascimento de um dos mais marcantes jogos de futebol de todos os tempos. Assim, começava a se popularizar na região a Copa Bomba, que acabou dando origem ao nome do futuro Bomba Patch.

Popularização por “acidente”

Com o passar do tempo, um tal de “CD do Bomba” começava a ser procurado nas lojas. Assim, sabe-se lá como, a mídia física caiu nas mãos de algum lojista, que passou a comercializá-lo em larga escala. Porém, nem o próprio criador sabia de todo o sucesso que seu produto começava a fazer e, inclusive, havia parado de fazer atualizações no jogo pois havia se mudado para o interior da Paraíba por conta de seus estudos.

Até que ele visitou uma loja de games e se deparou com a sua versão à venda. Quando disse ser o criador daquele jogo, o vendedor ficou extremamente empolgado, pois aquele disco era um dos mais procurados. Então, o dono da loja se ofereceu para bancar os estudos de Allan para que pudesse voltar a se dedicar ao Bomba Patch. Fechada a parceria, a modificação mais conhecida do Brasil começou a crescer como nunca.

A resistência e a comunidade Bomba Patch

Para fortalecer a identidade do Bomba Patch, Allan Jefferson criou uma comunidade para que os jogadores pudessem compartilhar suas personalizações e contribuírem com o jogo. O próprio criador conta como era esse grupo:

“Lá tinha diversos materiais para você criar o seu patch. Suponha que eu já tenha feito o estádio do Maracanã, então qualquer outra pessoa não precisava fazer de novo, porque já tava criado”

Ainda hoje, mesmo com a nova geração de consoles, o Bomba Patch continua vivo e se atualizando. O jogo possui versões em PC e Playstation 4 para o PES2020. Além, de obviamente poder ser encontrado para Xbox 360, Playstation 3, PSP, Android e, é claro, o clássico Playstation 2.

Foto destaque: Reprodução/Twitter/Equipe Bomba Patch

 

 

 

Odilon Santiago
Tenho 19 anos de sonho e de sangue e de América do Sul. Apaixonado pela escrita e pelo futebol, sobretudo naquele que é praticado em canchas latinas, com muito papel picado, catimba e cachorro invadindo o gramado. Um tango argentino me vai bem melhor que um Blues. Jornalista em formação pela Universidade São Judas Tadeu.
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