Bélgica x Japão: o quase fracasso que se tornou a grande virada da geração belga (Foto: Reprodução/FIFA)

Eliminada na semifinal da Copa do Mundo de 2018 pela campeã França, a famosa “geração de ouro da Bélgica” por pouco não obteve o selo de “fracasso”. Isso porque nas oitavas de finais do evento que aconteceu na Rússia, os belgas quase foram eliminados pelo Japão. Assim, é nesse contexto que a coluna Marcas da Copa desta terça-feira (29) vem relembrar o duelo épico que aconteceu em Rostov.

CONTEXTO – BÉLGICA X JAPÃO

Bastante amadurecida após cair para a Argentina na Copa do Mundo aqui no Brasil, a seleção da Bélgica chegou com grande expectativa para o torneio na Rússia. Vendo Hazard, Lukaku e De Bruyne no comando do time eu logo coloquei os belgas como grandes favoritos ao título inédito. Por outro lado, olhando para a equipe frágil do Japão, considerei que uma vaga nas oitavas de final já estava de bom tamanho para os asiáticos.

Na fase de grupos, os meus olhos se encheram com as boas atuações dos europeus. É claro que digo isso mesmo levando em conta que no mesmo grupos estavam a Tunísia e o Panamá (estreante). Além disso, os belgas também enfrentaram a Inglaterra, no que foi o principal jogo do grupo.

Já do lado dos asiáticos, a grande verdade é que tirando a Colômbia, líder do grupo, Japão, Senegal e Polônia “brigaram” para não se classificarem, sendo que a seleção de Honda e Kagawa acabou por conseguir a vaga nas oitavas, sem muitas perspectivas.

Como era de se esperar, a Bélgica “passou o carro” em Panamá e Tunísia no grupo G. Entretanto, no duelo diante da Inglaterra, os belgas, com time misto, tiveram dificuldades para vencerem o também “mistão” inglês. Já no agrupamento ao lado, o Japão surpreendeu ao vencer a Colômbia, mas sofreu para empatar com Senegal e ainda saiu derrotado para a Polônia.

APAGÃO BELGA E PRECISÃO JAPONESA

As escalações me chamaram a atenção. Como habitual, a seleção japonesa não possuía grandes (e aí eu digo em estatura mesmo) jogadores. Do outro lado, além do trio de zaga (Vertonghen, Alderweireld e Kompany), os europeus contavam com Lukaku. Entretanto, a ausência de Fellaini, o grandalhão que podia atuar em todas as funções me fez questionar o técnico Roberto Martínez. Qual o motivo de não querer explorar a “principal deficiência” do adversário? Enfim, o comandante deveria estar confiante na qualidade técnica de seus atletas pelo chão.

Os primeiros 45 minutos foram o que realmente esperávamos. A pressão da Bélgica espremia os japoneses no campo de defesa, que uma vez ou outra tentavam sair em contra-ataques, sem muita efetividade. Aposto que além de mim, você leitor também deve ter pensado que apesar do empate no intervalo, era questão de tempo para Hazard, De Bruyne ou Lukaku despacharem o Japão.

O 2° tempo veio, e com ele chegou o apagão belga. Em seis minutos, Haraguchi e Inui colocaram 2 x 0 no placar e um ponto de interrogação nas nossas cabeças. Assumo que temendo enfrentar a Bélgica nas quartas, torcia fortemente para o Japão se classificar. Contudo, me vinha na cabeça o filme de 2014, quando até as semifinais só tínhamos enfrentados rivais inferiores. Todos sabemos o que houve quando pegamos um time forte…

Inui comemora o 2° gol japonês diante da Bélgica (Foto: Reprodução/FIFA)
Inui comemora o 2° gol japonês diante da Bélgica (Foto: Reprodução/FIFA)

A ARTILHARIA AÉREA DA BÉLGICA

Lukaku precisou assustar pelo alto para Roberto Martínez perceber, finalmente, que esse era o caminho para a virada. Assim, o treinador logo colocou Fellaini e Chadli no jogo (anote esses nomes). Dessa forma, pouco tempo depois, Vertonghen (adivinhem como) diminuiu o placar.

Toda a técnica pelo chão dos belgas deu espaço para sua artilharia aérea. Dessa maneira, os europeus passaram a usar e abusar dos “chuveirinhos” na área para buscaram o placar. Confesso, a cada cruzamento o meu coração parava e eu torcia para que a bola passasse longe.

Contudo, não demorou muito para que a minha torcida fosse por água abaixo. Fellaini apareceu após cruzamento de Hazard e empatou o jogo. A partir daí, como diria o outro, “haaaaja coração amigo”. Kawashima e Courtois eram dois muros.

Nos acréscimos veio a punição ao Japão. Não pela partida, que nem de longe foi ruim, mas sim por uma decisão errada. O erro? Tentar cruzar uma bola na área em um escanteio mesmo sabendo da altura dos rivais. Quando Honda levantou a bola passou pela minha cabeça o famoso “pra quê?”. Não, a derrota não veio pelo alto, mas sim na técnica, como é o forte dessa geração belga. No contra-ataque, De Bruyne achou Meunier, que serviu Lukaku. O camisa 9, inteligentemente, fez o corta-luz e a bola ficou limpa para Chadli virar o jogo e colocar os europeus no nosso caminho.

Ao meu ver, Roberto Martínez mais se redimiu do seu erro inicial do que teve sua estrela brilhando, já que suas substituições deram certo. Como disse antes, sabendo da dificuldade do Japão pelo alto, o certo seria iniciar o jogo com seus jogadores mais altos.

Enfim, o que estava fadado a ser o fracasso da badalada seleção da Bélgica se tornou a virada crucial para que esse time ganhasse força e motivação para tirar o Brasil da Copa, mesmo que tenhamos jogado mais… Contudo, isso é tema para outra edição dessa coluna.

Foto Destaque: Reprodução/FIFA

Renan Liskai
Renan Liskai
Muito prazer! Sou Renan Liskai, paulista, natural de Santo André. Desde 1998 falando, respirando, sorrindo, chorando e enlouquecendo por futebol. A vida de goleiro não deu certo, mas o jornalismo sempre esteve ali. Descobri que se não podia estar dentro de campo ou das quadras, eu poderia estar do lado de fora, mas sempre vivendo tudo isso. Sou daqueles que não perde um jogo de futebol por nada, seja ele qual for. Costumo dizer que esse esporte é assunto mundial e que não há uma pessoa no mundo que nunca tenha falado sobre tudo que acontece dentro e além das quatro linhas. Assim como todo mundo, carrego uma história e experiências. Sou filho, irmão, neto, amigo e sempre serei um eterno aprendiz dessa vida.

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