Aztecazo: conheça a partida que quase tirou o México da Copa do Mundo de 2002

- Derrota para a Costa Rica foi a primeira dos La Tri jogando no México em Eliminatórias
Aztecazo: conheça a partida que quase tirou o México da Copa do Mundo de 2002

A coluna Papo Azteca desta semana traz a história do Aztecazo, um evento que ficou conhecido por esse nome pelo fato de ter sido a primeira derrota mexicana em casa jogando por Eliminatórias da Copa do Mundo de 2001. Na ocasião, a Costa Rica venceu o México por 2 x 1, em pleno Estádio Azteca, na Cidade do México. O duelo em questão aconteceu no dia 16 de junho de 2001, pela 4ª rodada da qualificação para a Copa do Mundo da FIFA 2002.

Chegada ao Aztecazo

México e Costa Rica chegaram à rodada com quatro pontos, ambos perdendo como visitantes contra os Estados Unidos. Arnoldo Rivera, do jornal costarriquenho La Nación, descreveu a partida como “crucial”, pois os resultados ruins de ambas as equipes levantariam dúvidas sobre os times. O mesmo jornal da Costa Rica nomeou o evento como Aztecazo, clara referência ao Maracanazo de 1950, quando o Brasil perdeu a final da Copa do Mundo em casa para o Uruguai.

Antes da partida, o México nunca havia perdido uma partida de qualificação para a Copa do Mundo da FIFA em casa, no Estádio Azteca. As únicas perdas derrotas pela equipe mexicana no estádio foram amistosos contra Hungria, Brasil, Itália, Peru, Chile e Espanha, entre 1967 e 1981. O encontro anterior entre México e Costa Rica no Azteca foi nas Eliminatórias de 1998, em 9 de novembro de 1997. A partida viu os Ticos arrancarem um empate em 3 x 3, citado pelo La Nación como “histórico e inútil”, pois a igualdade foi insuficiente para a Costa Rica se classificar para a Copa do Mundo da FIFA de 1998.

O fatídico jogo

O México começou indo para cima e marcou no início da partida. No sétimo minuto, Víctor Ruiz cobrou um escanteio e mandou um passe para José Manuel Abundis. O jogador cabeceou por cima de Erick Lonnis. Abundis comemorou levantando sua camisa, mostrando uma camiseta que tinha os dizeres: “Profe Meza, estamos confiados” (Professor Meza, estamos com você) em apoio ao treinador pressionado, Enrique Meza. Por outro lado, a Costa Rica não teve coordenação em sua linha defensiva e não mostrou segurança ao goleiro Lonnis. Paulo Wanchope teve uma chance bloqueada por Oswaldo Sánchez.

Porém, com a desvantagem, os costarriquenhos mexeram ainda no 1º tempo, colocando Rolando Fonseca no jogo. Durante o 2º tempo, o meia costarriquenho Wilmer López ressurgiu e foi descrito como “a vela de ignição” da equipe. O treinador Alexandre Guimarães colocou William Sunsing em campo e sua velocidade forçou o zagueiro mexicano Duilio Davino a cometer falta perto da área. Na cobrança, Rolando Fonseca marcou com o pé direito aos 72 minutos, empatando a partida. Aos 80′, Hernán Medford entrou no lugar de Paulo Wanchope.

Entretanto, apenas dois minutos depois, Fonseca chutou com o pé direito a longa distância, pegando Oswaldo Sánchez de surpresa. Sánchez conseguiu desviar o chute, mas Medford pegou o rebote e virou para os Ticos. O árbitro guatemalteco Carlos Batres admitiu em 16 de março de 2017 que Medford estava impedido quando Fonseca fez o chute e, portanto, seu objetivo não deveria ter sido validado. Durante os minutos finais, Erick Lonnis fez uma defesa crucial para garantir a vitória costarriquenha.

Período pós-Aztecazo

Assim, após a partida, a imprensa descreveu como “uma batalha feroz”. Antes da partida, o jogador costarriquenho Hernán Medford questionou o status do México como gigantes da CONCACAF, alegando que “o México não é o gigante da CONCACAF nem o time invencível da região”. Pós-jogo e polêmica, o sorridente Medford descreveu a vitória como “um resultado histórico” e agradeceu ao técnico Alexandre Guimarães por se lembrar do passe que ajudou Medford a marcar contra a Suécia na Copa do Mundo da FIFA de 1990. “Onze anos atrás marquei um gol graças a um passe de Guima, hoje devolvi o favor e quebramos um recorde tão importante que foi superar o México no Azteca”.

O técnico Guimarães disse que “este é o triunfo mais importante da minha carreira como técnico, jogador e até como mejenguero [jogador amador]”. Ele então elogiou sua equipe, comentando: “conseguimos algo que poucas seleções fizeram. Esse grupo mereceu por causa da convicção, dos desejos e da qualidade. Cada um dos garotos quer fazer algo grande”. A mídia da Costa Rica comemorou o triunfo.

Em 17 de junho, o jornal La Nación publicou a manchete “¡Aztecazo!”, na qual Medford e Fonseca comemoram o segundo gol. O jornal mexicano Reforma observou a importância histórica do triunfo para a Costa Rica: “quando o Azteca se transformou em um funeral para a maioria dos espectadores, a festa da Costa Rica desencadeou com mais de 10 mil torcedores da equipe da América Central, que começaram a agitar suas bandeiras e cantar em agradecimento à sua seleção”.

Classificação à Copa do Mundo

Portanto, a Costa Rica terminou como líder das Eliminatórias com um recorde de 23 pontos, se classificando para a Copa do Mundo da FIFA 2002. Quatro dias após o Aztecazo o México foi derrotado fora de casa para Honduras por 3 x 1. Assim fazendo com que Enrique Meza pedisse demissão e fosse substituído por Javier Aguirre. Dessa forma, o novo comandante classificou Los Tri para a Copa do Mundo como o 2º colocado depois de derrotar Honduras por 3 x 0 no estádio Azteca. Depois do Aztecazo, a Costa Rica passou 12 anos sem uma única vitória contra o México.

Foto destaque: Reprodução/Diez

Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.

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