Pode-se dizer que o Fortaleza mudou da água para o vinho com a chegada de Juan Pablo Vojvoda. No entanto, esse salto qualitativo do Tricolor do Pici pode nos dar uma boa explicação através da forma como o técnico argentino pensa o futebol. Tricampeão cearense, o Leão bateu o arquirrival Ceará na final. Jogou com o regulamento debaixo do braço. Inicialmente, o objetivo de Vojvoda é classificar o clube para a Copa Sul-Americana. Todavia, caso a campanha no Brasileirão seja melhor que o esperado, quem sabe não belisca uma vaga na Libertadores?

O perfil do técnico do Fortaleza

Antes de Vojvoda, o Fortaleza era dirigido por um nome que nunca foi querido pela torcida. Egresso do Ceará, Enderson Moreira veio com a missão de salvar o Leão da degola. O futebol fraco e previsível não se sustentou a longo prazo. Insatisfeito, o conselho do clube buscou algo diferente no mercado. Objetivo, o Tricolor de Aço foi atrás de um nome conhecido por obter grandes resultados com um baixo poder de investimento. Ademais, Juan Pablo tem como diretriz na sua carreira um desejo obsessivo pela construção ofensiva.

A mentalidade de Vojvoda

O treinador tem uma filosofia de jogo pragmática. O time do Fortaleza não é de todo ataque. Vojvoda gosta de ter uma equipe que saiba valorizar a posse de bola sem abrir mão da solidez defensiva. A ideia é fazer a transição pelo domínio da faixa intermediária. A partir daí, a troca de passes cede lugar a uma velocidade assustadora na hora de tentar o arremate. A marcação da saída de bola é a estratégia de pressão caseira. Fora, o Leão joga mais compacto e se solta de acordo com o sabor do momento. Foi assim que derrotou o Atlético-MG na estreia do Brasileirão.

O plano de jogo do Fortaleza

Taticamente, para fins analíticos, nosso recorte será a partida contra o Galo. Jogo que o Fortaleza matou no apagar das luzes. A proposta de Vojvoda é clara. Disposto em um 3-5-2 clássico, o Leão do Pici executou em campo o que descrevemos no parágrafo anterior. O setor defensivo contava com Tinga, Marcelo Benevenuto e Titi. Nesse sentido, o volante Éderson cobria a frente da zaga. Com os meias de ligação, distribuia o jogo em triangulações a fim de municiar Wellington Paulista. Aos alas, cabia a função móvel.

O cinturão da meia cancha

Para entender como funcionou o planejamento tático de Juan Pablo Vojvoda, é necessário também avaliar o que cada peça deveria fazer. O corredor central era o coração do time. O elo entre os setores. Desse modo, o Fortaleza dependia de um alinhamento preciso no meio-campo quando teve que se defender. Na hora de atacar, os alas ficam mais soltos e o jogo flui. A bola chega redondinha lá na frente. No entanto, é um estilo perigoso. Travado na defesa e cirúrgico no ataque. Quem disse que isso preocupa o argentino? Ele gosta de apostar alto e dessa vez levou.

Foto destaque: Divulgação/OneFootball

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André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.

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