Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o quarto de sete textos sobre a Seleção Inglesa.

A equipe que representa o futebol de certos países, por vezes, é também bastante conhecida por um apelido. Alguns são bem óbvios, como o Brasil ser chamado de Canarinho, a Itália de Azzuri, os franceses de Bleus, a Argentina de Albiceleste, e por aí vai. Outros, nem tanto. Na Inglaterra, o nome alternativo ao English Team necessita de um contexto histórico para ser entendido.

The Three Lions

“Os Três Leões”. Sim, essa é a alcunha da seleção inglesa de futebol. Se você acompanha a série Passaporte Rússia aqui no FNV, já notou, mas a verdade é que poucos sabem disso. Menos ainda são aqueles que conhecem a origem do apelido. A explicação está no brasão de Armas Reais da monarquia inglesa.

Brasão de Armas Reais inglês. (Reprodução)

Na Idade Média, época de poderosos impérios e dinastias, o uso de alguns animais era comum para representar o brasão de armas de uma nação – o leão era um deles. Com seu porte majestoso e sua imponência, o rei da selva intimida suas presas e protege seus semelhantes como poucos. Na heráldica inglesa, o desenho do felino foi adotado por Henrique II, no século XII. Porém, foi o seu sucessor, Ricardo I (ou Ricardo Coração de Leão, se preferir) que exibiu pela primeira vez o design com três leões passant-guardant (“passante” e “guardante” em termos heráldicos) em seu escudo. Este é o desenho da Royal Arms da Inglaterra.

O leão é tão simbólico e tão importante na cultura inglesa que está espalhado nas mais diversas manifestações. A estimativa é que existam mais de 10 mil esculturas em homenagem ao animal. No futebol, a “devoção” não é diferente. A Football Association tem no logo o mesmo desenho do brasão de Armas Reais em outras cores. Nele, tem também as Rosas de Tudor, que é a junção dos símbolos das casas de York e Lancaster naquela que ficou conhecida como a Guerra das Rosas.

O simpático Leo, mascote do time britânico, é um leão, e a Premier League tem o rei da selva como representante em sua logomarca. O troféu da principal competição do país também faz referência ao animal. Há uma coroa na parte superior e dois leões abaixo – um em cada extremidade –, sendo o capitão do time que levanta a taça o terceiro.  Adivinhe qual a espécie escolhida para dar vida a Willie e Pride na Copa de 1966 e nos Jogos Olímpicos de 2012 respectivamente? A mesma de Lofty, mascote do Bolton Wanderers: um leão.

Logo da Football Association (reprodução) e troféu da Premier League (via metro.co.uk).

São várias as manifestações. Os leões na Trafalgar Square e no memorial à Rainha Vitória, em frente ao Palácio de Buckingham; o leão de South Bank, próximo ao Big Ben; o leão do Museu Britânico, em Bloomsbury, e muito mais. O fato é que a seleção inglesa queira precisará muito mais do que três leões caso queira sonhar com o troféu da Copa do Mundo. Talvez uns 23, sendo 11 titulares.

Colaborou: Gabriel Bonani.

Seleção inglesa em partida disputada esse ano. (Reprodução/bookmaker-info.com)
Guilherme Guidetti
Guilherme Guidetti, paulista, nascido em São Caetano do Sul no dia 17 de fevereiro de 1994, mas residente de Santo André desde os primeiros dias de vida. A paixão por futebol vem da família, enquanto o gosto por escrever foi herdado do pai, caminhoneiro. Habilidoso com a canhota – exclusivamente segura a caneta na mão –, realiza diariamente o sonho de ficar perto do esporte através do jornalismo. De apresentador de programa de rádio a assessor de imprensa, sua ainda curta carreira na profissão já foi o suficiente para saber que faz aquilo que mais ama – e o faz com a mesma paixão com que joga bola com os amigos.

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