Análise: o que tirar dos últimos jogos do Santos?

- Peixe vai ganhando forma, mas excesso de cruzamentos e chutões precisam ser repensados

O jogo entre Novorizontino e Santos foi sabotado pelo péssimo estado do gramado do Estádio Jorge Ismael de Biasi, o Jorjão. A partida atrasou dez minutos por conta da torrencial chuva com raios que caía no interior de São Paulo. Somado a isso, um símbolo do descaso das federações com o futebol: o campo não possuía uma drenagem digna. Então, o campo inundou-se e ficou intransitável, o que acabou com as pretensões das duas equipes.

A torcida santista adoraria ver um time envolvente, capaz de municiar o veloz e jovem ataque, que na noite desta quarta-feira foi formado por Rodrygo, Arthur Gomes e Yuri Alberto. Mais do que isso, era a estreia de Dodô, que seria testado no lugar do bizarro Jean Mota.

Todo o planejamento ruiu. Insistentemente, a bola ficava empoçada e a solução foi alçá-la, para ganhar preciosos metros em direção ao gol. Trocando em miúdos, ganharia quem errasse menos. E, nesta lógica, o Novorizontino foi mais preciso.

Por isso, apontar culpados na derrota de ontem é um equívoco. A atuação do Santos não foi boa, é verdade, mas não algo trágico, como foi o desempenho contra o Real Garcilaso, na estreia da Libertadores.

O que está errado no Santos?

Porém, em meio à anistia coletiva, alguns pontos devem ser ressaltados. O primeiro deles é a falta de triangulações e infiltrações pela faixa central do campo. Sinto falta dos lances nos quais os atacantes deslocam-se na diagonal, nas costas dos zagueiros adversários. Hoje, o time da Baixada exagera na quantidade de bolas cruzadas. Contra o Novorizontino pode ter sido o único recurso, mas, contra o Corinthians, na última rodada, o gol de Diogo Vitor saiu após o 34º chuveirinho.

Vecchio é um dos meias que deveria aproveitar seu passe para municiar os atacantes | Foto: Lance!

O segundo ponto é a falta de finalizações de média distância. É evidente que usar e abusar deste recurso anularia as infiltrações, por exemplo, mas é inadmissível que uma equipe apenas gire a bola na intermediária, com pouca ou quase nenhuma objetividade. Ontem, em um campo com gramado pesado, testar o goleiro Oliveira era obrigação.

Por fim, Jair Ventura deveria ser mais rigoroso com o excesso de chutões que seu time – a zaga, sobretudo – tem dado. No final da primeira etapa, Gustavo Henrique, como um limpador de área do futebol amador, deu duas bicas em um intervalo de dez segundos. Em um contexto de futebol moderno, em que impera o anseio pela aproximação entre as linhas, é dever do técnico conscientizar seus atletas do quão ridículo é levantar a bola sem o menor critério. Basta deleitar-se com jogos da Liga dos Campeões para ver que nem mesmo o mais acanhado preconiza o chutão.

O Santos de Jair vai ganhando uma cara. O primeiro teste foi contra o Corinthians. De modo geral, o Peixe, mesmo com o empate, teve uma atuação satisfatória. Agora, na próxima semana, um duelo de vida ou morte contra o Nacional-URU, pela Libertadores. O time uruguaio, copeiro, deve dificultar a vida dos brasileiros. Uma postura de time grande é a chave para somar os fundamentais três pontos.

Mais infiltrações, mais chutes longos e menos chutões.

Uma semana para treinar.

Vale o sonho do tetracampeonato continental.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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