Análise: há alternativa para vencer a imposição física

A teve um placar que não traduz exatamente o desempenho dos diabos vermelhos. O 3 x 0, elástico, supõe situações que não ocorreram, sobretudo no primeiro tempo, logo após os minutos iniciais. Contudo, o desempenho na segunda etapa ilustra, com perfeição, uma alternativa viável para vencer as famosas duas linhas de quatro e a imposição física de algumas equipes. Com a bola nos pés, o meio-campo belga acelerou o jogo e envolveu os adversários. Sem muita dificuldades, os gols saíram. E o primeiro passo no mundial foi dado.

O setor de criação da Bélgica é fortíssimo. Witsel, como primeiro volante, dá qualidade à saída de bola. Principal articulador, De Bruyne é um dos mais talentosos na atualidade. Contudo, o time europeu insistia em bolas alçadas na área. Bem colocado, o zagueiro e capitão panamenho, Roman Torres, herói da classificação para a Copa, limpou a área na primeira etapa.

Os diabos vermelhos, por isso, caíram na armadilha do jogo dividido, excessivamente físico. Os franzinos Hazard e Mertens não foram efetivos contra os fortes panamenhos. Mesmo com a pressão inicial, a seleção da América Central sobreviveu e desceu para o vestiário com um empate sem gols que coroava sua aplicação tática.

(Reprodução/Reuters)

Na etapa complementar, os belgas precisavam fazer o resultado. Fizeram, então, o que se espera de um selecionado que carrega a alcunha de talentosa. Houve aproximação entre o meio-campo e os pontas, Hazard e Mertens. Os alas, Carrasco e Meunier, deram amplitude, para abrir a zaga adversária.

O jogo da Bélgica adquiriu fluência. Em ritmo acelerado, deixaram os panamenhos desesperados. O terceiro e derradeiro gol, marcado por Lukaku, é o melhor exemplo disso. Hazard comandou a rápida transição; aberto pela esquerda, nas costas da zaga adversária, Lukaku recebeu em condições para dominar e vencer o goleiro Penedo.

(Reprodução/Reuters)

Nesta Copa do Mundo, o comportamento tático e a disparidade física já foram capazes de equiparar jogos em que havia um favorito claro. O sucesso belga passou pela variedade de jogadas. O repertório carente de Brasil e Argentina em parte explicam o desempenho pífio dos sul-americanos contra adversários tecnicamente inferiores, como Suíça e Islândia.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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