Allianz Parque faz o comércio prosperar em Perdizes

APÓS 70 PARTIDAS, A ARENA ARRECADOU R$ 100 MILHÕES

Em meio ao momento politicamente conturbado do Brasil, muitos falam que vive-se uma crise. Porém o que se percebe no bairro das Perdizes é totalmente o inverso. Mais precisamente na antiga rua Turiaçu, número 1840, onde um novo conceito de estádio de futebol foi inaugurado, o Allianz Parque.

Além do seu prato principal, os jogos, a arena multiuso do Palmeiras tem atraído shows, como o de Andrea Boccelli e Aerosmith. Com essa visibilidade, muita gente passa por lá diariamente, fazendo com que o bairro se recuperasse do limbo econômico dos quatro anos da reforma.

Tradicional para os palestrinos, a esquina da rua Palestra Itália com a rua Caraíbas atrai milhares de torcedores antes dos jogos. Seja para comer um “churrasquinho” ou beber uma cerveja. Além disso, o novo prédio poliesportivo do clube faz com que vários novos atletas consumam no entorno da arena.

O vendedor Thiago Ferreira de 35 anos trabalha na loja oficial do Palmeiras há 15 anos e diz que foi uma surpresa positiva a volta dos jogos na arena. “Não imaginava que iríamos vender tanto aqui. As vendas subiram de 60 a 70%”. Ele ainda ressalta que para muitos torcedores é um costume antes dos jogos comprar algum item relacionado ao clube. Está enganado quem pensa que só palestrinos consumam nas imediações. “Vem gente até do Japão conhecer a arena e comprar algo aqui”.

Os quatro anos de reforma fez com que as vendas caíssem quase à metade, diz Edivan, de 33 anos, vendedor do bar “São Marcos”. “Agora, a gente vê todos os jogos lotados. Tem vez que o jogo é às dez horas da noite e às quatro da tarde já vemos gente aqui, comendo e fazendo aquele ´esquenta´. Acredito que isso se explica pela estrutura que a arena e o bairro oferecem. Além do prédio de estacionamento do próprio estádio, temos dois shoppings ao lado, aumentando bastante o número de vagas”.

O “efeito arena” também influenciou nas finanças do Palmeiras. O clube é quem obteve a maior média de público do campeonato brasileiro de 2016, cerca de 32.400 pagantes. Além disso, com ticket médio de R$ 68,00, em termos de comparação com o rival Corinthians, o Allianz Parque tem uma vantagem de cerca de R$ 150 milhões.

Esse fenômeno não é exclusivo de Perdizes. Na cidade de São Paulo, a Arena Corinthians, localizada em Itaquera, fez o bairro ganhar infraestrutura. O bairro já trazia consigo uma estação de metrô, a Corinthians-Itaquera, favorecendo o acesso ao local. Juan Jensen, de 39 anos, economista, CEO da Tendências Consultoria e professor do Insper, alerta que não é uma regra o avanço do comércio ao redor das novas arenas. “Esse avanço vai depender da forma que a arena é utilizada, do perfil dos frequentadores e da própria infraestrutura que a região oferece.”

Ele complementa que o Allianz Parque, por ser uma arena multiuso, localizada numa região central e de fácil acesso, certamente está fazendo com que o comércio e os serviços de seu entorno tenham avanços significativos.

Jensen diz que muitos dos estádios construídos para a Copa, por exemplo, estão sendo pouco usados e não trouxeram mudanças de grande porte ao entorno pois, para ele, não basta fazê- los, é necessário uma boa localização e dar uso ao espaço construído. “Para usar, há que ter demanda. Não adianta construir uma bela e moderna arena em um local distante dos grandes centros consumidores ou de difícil acesso”.

Por fim, ele salienta que o “efeito arena” será efêmero para as arenas que não derem certo, enquanto que nos estádios bem localizados e com boa infraestrutura, tem-se um movimento estrutural de aumento de demanda por serviços no entorno como um todo. “Essas arenas vão concentrar a oferta não somente eventos esportivos, mas também outros tipos de grandes espetáculos, como shows de artistas internacionais e nacionais”.

É possível visitar o Allianz Parque de quarta a domingo, nos horários: 10h, 11h30, 13h, 14h30 e 16h.

Luciano Lourenço Neto

Sobre Luciano Lourenço Neto

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Palmeirense fanático, resolveu fazer jornalismo por sua paixão pelo futebol. Atento às causas sociais e políticas, tenta, sempre que possível, aliar o esporte com as questões do interesse público. Tem como hobby escrever e se aventurar na rádio e televisão da faculdade.

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