Alex Morgan completa 31 anos.

Pensar na Seleção Americana de futebol feminino é lembrar de grandes craques, de jogadoras com raça e muita atitude, seja dentro ou fora das quatro linhas. Mas, um dos principais nomes da Seleção atual é, sem dúvida, Alex Morgan. Atacante, artilheira, vencedora, mãe, a californiana, que despontou como a maior promessa do futebol feminino nos Estados Unidos, hoje é um dos maiores nomes do esporte na “terra do Tio Sam”.  Por isso, hoje, a Coluna Parabéns ao Craque homenageia a jogadora do Orlando Pride, que comemora seus 31 anos.

Da Califórnia para o mundo

Alexandra Patricia Morgan Carrasco nasceu em 2 de julho de 1989, em Diamond Bar, na Califórnia. E, desde muito jovem, despontou como a maior promessa do futebol feminino do país. Ela começou sua carreira jogando pela equipe universitária Califórnia Golden Bears, enquanto ainda era estudante. Mas, em 2011, Morgan acertou com o Western New York Flash. Dessa forma, fez história ao se tornar a primeira jogadora do Golden Bears a jogar numa equipe profissional dos Estados Unidos.

Sua carreira vem em uma crescente constante desde então. Na temporada de 2011/2012 foi para o Seattle Sounders e, na temporada seguinte, foi para o Portland Thorns FC, onde foi campeã da liga feminina de futebol, a National Women's Soccer League. Em 2016, Alex  Morgan se mudou para o Orlando Pride. Mas, em dezembro, foi emprestada ao Lyon, da França, por seis meses. Desde sua estreia ela foi uma das peças principais da equipe e conquistou tanto o Campeonato Francês, quanto a Copa da França de Futebol Feminino. Na mesma temporada conquistou a Liga dos Campeões da UEFA, após vitória nos pênaltis contra o Paris Saint-Germain. E, após passagem pela Europa, Morgan retornou para o Orlando Pride.

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Uma carreira vencedora com a Seleção Americana

A californiana começou sua trajetória na equipe estadunidense na Seleção Sub-20, em 2008. E no Mundial Feminino da categoria, no mesmo ano, ela marcou quatro gols. Assim como, seu último gol marcado contra a Coréia do Norte chegou a ser eleito o mais bonito do torneio, e mais tarde, o segundo melhor do ano pela FIFA. Também, seu desempenho em campo lhe rendeu a Chuteira de Bronze, como a terceira melhor marcadora do Mundial.

E seu destaque em campo continuou na Seleção principal. Em 2011, disputou a Copa do Mundo de Futebol Feminino, na Alemanha e foi uma das principais peças do time. Em 2012, Morgan participou dos Jogos Olímpicos, onde os EUA foi campeão em cima do Japão. Ela terminou o torneio com três gols e cinco assistências. Assim como, no final do ano, foi indicada pela Fifa para a final do prêmio Bola de Ouro.

Em 2015, conquistou a Copa do Mundo, no Canadá, após as americanas vencerem novamente o Japão na grande final. E, na edição da Copa de 2019, já na estreia marcou cinco gols na vitória histórica, por 13 x 0, sobre a Tailândia. Essa foi, inclusive, a maior goleada da história das Copas do Mundo. E, Morgan terminou a competição sendo mais uma vez vencedora, quando a Seleção bateu, por 2 x 0, a Holanda, na grande final. Alex terminou a Copa, ainda, como artilheira, com 6 gols, ao lado de sua companheira de equipe Megan Rapinoe e da inglesa Ellen White.

Títulos e Prêmios

Em sua carreira, Alex Morgan possui dez títulos internacionais: dois mundiais femininos (com a Seleção principal), um mundial com a Seleção Sub-20, uma Olimpíada, três Algarve Cups, duas CONCACAF e uma Champions League. Já torneios nacionais com seus clubes, a atacante tem um título francês na D1 Féminine, uma Copa da França e duas National Women's Soccer League nos EUA.

Além disso, a jogadora tem outras conquistas pessoais. Alex foi eleita chuteira de ouro da Copa do Mundo de Futebol Feminina de 2019 (seis gols), bola de prata da Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub-20 de 2008 e chuteira de bronze na mesma competição. Ela foi também chuteira de prata da Algarve Cup de 2011, jogadora do ano da CONCACAF em 2013, 2016, 2017, 2018, artilheira da CONCACAF de 2018 e melhor jogadora e artilheira da She Believes Cup em 2016. E, em 2019

Mamãe Alex Morgan: jogadora defende que atletas não deviam ter que optar entre esporte e maternidade

2020 é um ano especial na história da americana. Isso porque, Charlie Elena Carrasco, a primeira filha de Alex Morgan e seu marido, o também jogador Servando Carrasco, nasceu no último dia sete de maio. Além de ser um momento especial para o casal, Alex aproveitou a oportunidade para discutir a questão da maternidade e o trabalho. No esporte, assim como em muitas profissões, mulheres precisam optar por trabalhar ou serem mães. Ou, ainda, acabam perdendo contratos e não ganhando o amparo necessário, mesmo quando demonstram qualidade profissional.

E, esta realidade também é a mesma para nomes famosos como Morgan. Por exemplo, quando anunciou que estava grávida, em outubro do ano passado, a americana ouviu comentários de alguns fãs questionando o momento escolhido por ela para ser mãe. Isso porque ela vivia, o auge da sua carreira. Foi artilheira da Copa do Mundo de 2019, uma das finalistas do prêmio de melhor do mundo da Fifa no mesmo ano, além disso, havia os Jogos Olímpicos em vista. Por isso, muitos pensaram que teria sido uma decisão precipitada engravidar às vésperas de uma competição tão importante para a seleção americana de futebol.

Mas, Alex rebateu as críticas: “Eu gosto de falar abertamente sobre isso porque eu quero que mulheres vejam que não precisam escolher entre uma coisa e outra. Quanto mais atletas mães nós tivermos ainda no meio da carreira esportiva, melhor – só olhar o exemplo de Allyson Felix (multicampeã e medalhista de ouro no Mundial de Atletismo de 2019 após ter filho), Serena Williams (campeã do Australian Open grávida em 2017), e minha companheira de equipe Sydney Leroux (voltou a jogar pelo Orlando Pride três meses após dar luz ao segundo filho). Quando mais mulheres desafiarem o sistema, mais ele vai mudar”, afirmou a americana em matéria especial de capa para a revista Glamour nos Estados Unidos.

Lutas femininas no esporte

Na mesma entrevista, a americana destacou ainda a multipotencialidade feminina. “Não é como se uma mulher não conseguisse fazer as duas coisas (carreira no esporte e maternidade) – nossos corpos são incríveis -, é o fato de que o mundo parece não ter sido feito para as mulheres prosperarem”, disse. Mas, ela reconhece que a gravidez ainda é um tabu para mulheres no esporte. “Eu pensei comigo mesma: eu tenho uma rede de apoio para conseguir voltar a jogar. Não tenho motivos, hoje, para me aposentar do futebol só porque quero começar uma família”, observou. Morgan reconheceu, ainda, seus privilégios como uma jogadora, afinal conseguiu manter seu emprego e seus ganhos com patrocinadores mesmo durante a gravidez. Isso porque, a luta de outras atletas, que antes dela falaram disso publicamente e fizeram a Nike mudar sua política para atletas grávidas, acabou ajudando.)

No entanto, a atacante faz sua parte e segue na luta para que essa realidade mude para mais mulheres. Isso porque a mãe de Charlie luta, junto com outras atletas, por um mundo mais igual no esporte. Morgan é uma das líderes no processo judicial da seleção americana contra a US. Soccer pedindo igualdade de tratamento e pagamento com relação à seleção masculina. E a atacante já projeta um futuro mais promissor para a filha.

“Eu não lembro de ter ouvido falar sobre a discriminação que meninas e mulheres enfrentam no esporte quando eu era criança. Mas agora eu vejo meninas de oito anos de idade com cartazes dizendo: ‘Alex, obrigada por me dar um futuro melhor'. Eu mal posso esperar para compartilhar todas essas histórias com minha filha e poder contar para ela um pouco da história de luta que a mãe dela teve”, finalizou.

Foto destaque: reprodução/AP Photo/Laurent Cipriani

Carla Taíssa
Estudante de jornalismo, escritora e fotógrafa freelancer. Futebol, esportes de velocidade, futebol americano e basquete são suas paixões quando não está escrevendo ou viajando. Conheça suas fotos no Instagram @25springs.

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