Alemanha x México: o dia em que os mexicanos jogaram pimenta no chopp alemão (Foto: Divulgação/FIFA)

Dois continentes diferentes, povos distintos e seleções com ideias de jogo opostas. Esse era o cenário de Alemanha e México na Copa do Mundo de 2018. O estádio Luzhniki, em Moscou, foi palco da primeira surpresa do evento na Rússia e também do primeiro passo para a eliminação alemã ainda na fase de grupos.

O México começou a ganhar a partida já no hino nacional. O semblante dos atletas transparecendo a concentração e o orgulho em defender as cores do seu país era completamente diferente dos frios alemães, que pareciam acreditar que o título de quatro anos atrás entraria em campo. A grande questão para eles era que a taça conquistada no Brasil não faria a diferença – mesmo que na equipe titular sete atletas tivessem disputado a final contra a Argentina, no Maracanã -.

Vale ressaltar que, em 2017, na Copa das Confederações, Alemanha e México já haviam se enfrentado. Naquela oportunidade, os europeus, mesmo sem seus principais jogadores, massacraram os mexicanos na fase semifinal, com um sonoro 4 x 1.

O confronto

Em entrevista coletiva antes do confronto, o zagueiro mexicano Carlos Salcedo revelou que Juan Carlos Osorio disse ao elenco que os adversários não eram invencíveis. De fato, o ex-treinador do São Paulo estava certo! A Alemanha não era invencível e muito menos a mesma de quatro anos antes.

As escalações espelhadas no esquema 4-2-3-1 mostravam a maneira como os dois treinadores podiam pensar o jogo em um mesmo esquema, mas como iriam utilizá-lo de formas diferentes. Löw misturou a experiência com a juventude, além de deixar clara a ideia de manter a posse da bola e trocar passes até encontrar a melhor oportunidade. Já o “Profe” Osorio deixou evidente que sua equipe entraria em campo bem postada defensivamente e apostaria nos contra-ataques com jogadores de velocidade como Lozano, Chicharito e Vela.

1° Tempo

Bastou a bola rolar para que o estádio parecesse mais com o lendário Azteca. O calor da torcida mexicana empurrando sua seleção e vaiando os alemães quando detinham a posse da bola pareceu aumentar mais ainda a gana da equipe, que logo no primeiro minuto trocou passes rápidos, até que a bola chegasse a Hirving Lozano. O camisa 22 dominou, entrou na área, mas teve seu chute travado por Boateng. Werner respondeu no minuto seguinte, batendo cruzado e assustando Ochoa.

O México era arrojado. No melhor estilo Osorio, não se acovardava e batia de frente com a Alemanha. Apelar para o chutão? Nem pensar! A bola passava de pé em pé com qualidade. E foi assim, em uma transição rápida entre defesa e ataque, que Lozano, aos 34 minutos, abriu o placar. Parafraseando o hino mexicano, o estádio em Moscou explodiu, como o sonoro rugido do canhão. Festa mexicana na Rússia.

Lozano festeja após marcar (Foto: Reprodução/Christian Hartmann/Reuters)
Lozano festeja após marcar (Foto: Reprodução/Christian Hartmann/Reuters)

Sem conseguir criar e parando na forte marcação, os campeões mundiais começaram a ficar nervosos e pareceram perceber que o jogo daquela tarde não seria tão fácil quanto achavam. Não bastava só chegar. Pela frente, o ataque alemão tinha Ochoa, aquele mesmo que nós brasileiros conhecemos bem. Seguro, o camisa 13 parava os chutes adversários, inclusive fazendo milagre na cobrança de falta de Toni Kroos, logo após o gol.

2° Tempo

A segunda etapa não foi muito diferente da primeira. Insistente, a Alemanha pressionou, martelou e tentou de todas as formas possíveis, mas o “muro mexicano” era intransponível. Nem mesmo o chute acrobático de Kimmich e a classe de Toni Kroos, arriscando de fora da área, foram suficientes. E até quando não havia nada que a defesa e nem Ochoa pudessem fazer, a trave foi Tricolor.

O México, aliás, seguiu à risca sua estratégia de jogo e continuou levando perigo nos contra-ataques. Os erros no último passe impediram a seleção da América do Norte de aumentar a vantagem no placar, mas nem mesmo isso impediu que os mexicanos extravasassem após o apito final com a vitória de 1 x 0.

Camisa pesa?

É como muitas pessoas dizem por aí… Copa do Mundo é outra coisa. Não tem essa de camisa pesar porque quando a bola rola é cada um defendendo as cores do seu país e não importa se o adversário é o atual campeão ou estreante. No entanto, é claro que há um respeito maior quando você enfrenta uma seleção com mais tradição. Isso é óbvio e indiscutível. A grande questão é que, nessa partida, venceu quem obedeceu melhor a sua estratégia de jogo e se entregou mais.

Aí está a graça do futebol. Ter posse de bola, jogadores rodados, finalizar mais, jogar bonito é importante sim, mas o que faz a diferença é a precisão. Uma equipe que finaliza inúmeras vezes e não marca gols tem 0% de aproveitamento, enquanto a outra que finaliza em uma oportunidade e acerta tem 100%.

Campeã mundial em 2014, a Alemanha foi derrotada pelo México (Foto: Reprodução/Francisco Leong/AFP)
Campeã mundial em 2014, a Alemanha foi derrotada pelo México (Foto: Reprodução/Francisco Leong/AFP)

Não estou aqui para dizer que a Alemanha jogou mal, mas sim dizer que o México jogou melhor e surpreendeu o mundo derrotando a campeã mundial até então. Aliás, o choro de Chicharito ao final do jogo externou o sentimento de que para os mexicanos, aquilo era como uma verdadeira final, a qual eles tinham vencido, tendo se doado ao máximo.

Por fim, naquele dia, a gelada Moscou, do frio povo russo, pareceu mais com a calorosa e agitada Cidade do México. Luzhniki se tornou o estádio Azteca, e o chopp alemão ficou muito apimentado.

Foto Destaque: Divulgação/Fifa

Renan Liskai
Renan Liskai
Muito prazer! Sou Renan Liskai, paulista, natural de Santo André. Desde 1998 falando, respirando, sorrindo, chorando e enlouquecendo por futebol. A vida de goleiro não deu certo, mas o jornalismo sempre esteve ali. Descobri que se não podia estar dentro de campo ou das quadras, eu poderia estar do lado de fora, mas sempre vivendo tudo isso. Sou daqueles que não perde um jogo de futebol por nada, seja ele qual for. Costumo dizer que esse esporte é assunto mundial e que não há uma pessoa no mundo que nunca tenha falado sobre tudo que acontece dentro e além das quatro linhas. Assim como todo mundo, carrego uma história e experiências. Sou filho, irmão, neto, amigo e sempre serei um eterno aprendiz dessa vida.

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