AH, MAS QUE SAUDADE!

“Ah, mas que saudade, quando no Brasil tinha futebol de verdade…”

Péssimo improviso, eu sei, já peço desculpas por essa composição horrorosa, mas ela servirá de gancho para o assunto que abordaremos a seguir. Trata-se desse saudosismo exagerado que tem se impregnado na cabeça em alguns torcedores e admiradores do futebol brasileiro.

Já é corriqueiro ouvir e ler comentários de torcedores nessa linha. Reclama-se de tudo ou quase tudo.
O campeonato não pode ser em pontos ocorridos, não tem emoção, só mata-mata que presta.
Será?
Tal afirmação é rude e cruel, quantos bons campeonatos já não assistimos na era dos pontos corridos, alguns terminam antes do esperado, é fato, mas se isso ocorre é porque ele premia o melhor, o mais preparado e mais coeso. Que mal há nisso?

Os tempos mudaram e é claro que com isso, o futebol tende a se atualizar e sofrer modificações também, e sejamos sinceros, isso é e com certeza será extremamente benéfico para o esporte. Vejamos quão controversa foi a Copa Joao Havelange de 2000, regulamento que até hoje é colocado em duvida, desastre em uma das partidas finais, clubes que sobem de divisão sem precedente, não há rebaixamento e toda essa algazarra já é fruto de outra bagunça ocorrida no Brasileirão de 1999, uma desordem. É disso que o torcedor sente falta? Duvido.
Outro exemplo, campeonatos inflacionados, mais de 40 times na Série A, como ocorreu em 1979 onde 94 times, sim, é serio. NOVENTA e QUATRO clubes em uma divisão, surreal. Regulamentos bagunçados, diversas viradas de mesa, clubes que são rebaixados e não cumprem tal situação, inaceitável. Não há mais espaço para situações deste tipo. Outra falácia que corre por ai é a de que antigamente maioria dos estádios viviam cheios, não é bem assim, segue aqui um exemplo: Na 5ª rodada da segunda fase do Brasileirão de 1997, Juventude e Portuguesa se enfrentaram para um ótimo publico de… 55 pessoas, um absurdo. Na rodada seguinte, Santos e Atlético Mineiro jogam no Morumbi sob olhar de 1.034 pessoas. Cadê o sucesso da fórmula? Estádio sempre cheio? Não era bem assim…

Há uma explicação para tamanha saudade de alguns torcedores, fora as diversas figuras carismáticas e marcantes que habitavam os gramados nacionais (e imagino que estas jamais deveriam ter sumido), o Brasil ganhava muito. Era dominador, seu selecionado era temido em qualquer lugar do mundo, o brasileiro não gosta de ser esportista, competir, ele quer é ganhar! Então, quando se esta ganhando a época é melhor, o futebol era melhor, era mais legal.

Cabe aqui um recado e até um conselho aos amigos que exageram nesse saudosismo. A saudade quando em excesso acaba nos fazendo perder um pouco do senso crítico, tudo que passou era melhor do que é, nos tira o discernimento. O conselho é aproveitar a atualidade do Futebol, temos ídolos hoje, sim poucos, mas temos. A saudade também não deve ser dizimada, deve ser aproveitada com moderação, pois é com ela acesa que mantemos ainda a essência do futebol e suas raízes históricas.

Matheus Antunes

Sobre Matheus Antunes

Matheus Antunes já escreveu 7 posts nesse site..

Matheus Antunes, 20 anos, caiçara e estudante de Jornalismo. Torcedor e apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube, admirador do Real Madrid, mas antes disso fissurado, maluco, doido por futebol.

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Matheus Antunes, 20 anos, caiçara e estudante de Jornalismo. Torcedor e apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube, admirador do Real Madrid, mas antes disso fissurado, maluco, doido por futebol.

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