Acima das críticas

508 gols. 28 títulos. Cinco vezes o melhor do mundo. Maior artilheiro da história do Barcelona. Maior artilheiro da história da Argentina. Números respondem às críticas. Lionel está acima delas. Caso se aposentasse hoje, estaria entre os 10 melhores de todos os tempos, talvez dos cinco. E olha que se a eleição for de todos os tempos, precisamos recordar dos nomes da era amadora – Miller e Friedenreich – da transição para o profissional – Leônidas e Fausto – do bicampeonato mundial – Didi e Garrincha – das gerações de 70 – Tostão e Jairzinho – e 82 – Sócrates e Zico; dos craques do tetra e do penta – Romário e Ronaldo – isso só para falar dos brasileiros. Poderíamos supor que Kocsis, Di Stéfano, Cruyff e Zidane estariam na seleção. Ou seja, é muita gente boa para lista tão enxuta e, seja qual for o critério de escolha, uma injustiça com os excluídos. De qualquer forma, se um saudosista o considera melhor do que muitos dos seus ex-pares, é porque Messi é mesmo bom demais.

No entanto, ele tem razão de se martirizar. Nas últimas quatro finais em que esteve em campo, não marcou um gol sequer. Diversos jogadores passam por ressacas mais longas, mas quando se trata de um gênio – de quem não se espera menos que o talento encante sempre – a expectativa não correspondida gera frustração. A ausência de títulos com a seleção principal, ainda que as duas medalhas de ouro olímpicas não devam ser ignoradas, é uma cobrança com que ele terá de lidar. Não deveria ser assim. Lionel é brilhante e está cansado de provar. Conquistou (quase) tudo muito novo e o que lhe falta ainda pode alcançar.

Curioso porque há uma década temos dito que ele tem estrada longa pela frente, apesar de o tempo passar rápido quando se faz bom uso dele. Aos 29 anos, a estrada começa a se encurtar, mas sem ultimatos radicais. Messi é aluno daquela classe que não precisa vencer mundial para se tornar imortal. Mesmo assim, terá outra chance daqui a dois anos, e tomara que não seja a última. Se triunfar, será a glória máxima de uma carreira perfeita e um cala-boca aos que ainda insistem em compará-lo ao maior ídolo do futebol argentino, que por acaso não deixaria de ser em hipótese alguma por razões que fogem ao campo que o consagrou.

Aliás, qual o demérito em ser o segundo maior craque de uma das mais tradicionais nações de futebol do planeta? Nunca vi Zico, Zizinho, Romário ou Ronaldo reclamar de tal posto. Quem joga com a pretensão de ser o maior, jamais o será. Para ser ídolo, não precisa ganhar tudo; precisa ser mais que jogador. Precisa vibrar na vitória e lamentar a derrota. Mas não um lamento murcho com falas protocolares e desculpas esfarrapadas. Não se trata de tristeza enrustida, choro forçado ou drama teatral, apenas reação espontânea, dor verdadeira.

Maradona cativava pelas posições que defendia fora de campo, pelas declarações acaloradas, pelo orgulho que demonstrava ao vestir a camisa sagrada. Messi cativa com timidez. Não precisa forjar personagem, implorar simpatia ou fazer tudo igual ao antecessor. É único. Teve a opção e escolheu vestir a camisa do país onde nasceu. O que um torcedor exige na vitória ou no fracasso? O semblante ao perder o pênalti diz muito, mas esta não será a última imagem que os argentinos se lembrarão do ídolo mundial.

Caio Araújo

Sobre Caio Araújo

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Bem, posso dizer que, como tantos outros jovens brasileiros, comecei a gostar de futebol bem cedo. No início, o meu barato era mais jogar do que assistir, por isso escolhi um time para torcer já mais velho. Depois estes papeis se inverteram, e, infelizmente, hoje jogo muito pouco. De uns tempos para cá - nos últimos cinco anos - passei a investir mais esforço para fazer da brincadeira de menino um ofício. Fiz alguns cursos na área, acompanhei as notícias com maior frequência e escrevi um pouco sobre esportes em geral, e não só futebol.

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Bem, posso dizer que, como tantos outros jovens brasileiros, comecei a gostar de futebol bem cedo. No início, o meu barato era mais jogar do que assistir, por isso escolhi um time para torcer já mais velho. Depois estes papeis se inverteram, e, infelizmente, hoje jogo muito pouco. De uns tempos para cá - nos últimos cinco anos - passei a investir mais esforço para fazer da brincadeira de menino um ofício. Fiz alguns cursos na área, acompanhei as notícias com maior frequência e escrevi um pouco sobre esportes em geral, e não só futebol.

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