Depois do italiano Marcelo Lippi deixar a seleção chinesa, a CFA recorreu a Li Tie para “tapar o buraco” até definir um nome para o cargo. O ex-técnico do Wuhan Zall foi um dos destaques do futebol chinês em 2019 e se apresentou para comandar um plantel alternativo na Copa do Leste Asiático, disputada em dezembro. Posteriormente, no dia 2/1/2020, a federação tomou sua decisão e efetivou Tie. A coluna Escalando a Muralha desta semana traz a trajetória do treinador, que, aos 42, superou a concorrência de Li Xiaopeng e Wang Baoshan e agora comanda a seleção principal da China.

Li Tie – Sonhando e alcançando

Cria do Liaoning FC, Tie atuou por Everton e Sheffield United, sendo um dos primeiros chineses a jogar a Premier League. Ainda mais, atuou pela seleção chinesa em sua única participação em Copas do Mundo, em 2002. Mas ambos os assuntos são para outros textos da coluna. Sua carreira como jogador se encerrou em 2011 depois de muitos problemas físicos. Sendo assim, passou a se aventurar no mundo da comissão técnica.

Já em 2012, o ex-meia aceitou convite do então treinador do Guangzhou Evergrande, Marcello Lippi, e seguiu como assistente quando o brasileiro Luiz Felipe Scolari, o Felipão, dirigiu a equipe. Portanto, Li Tie ganhou muita experiência ao lado de dois técnicos renomados e que participaram do alavancar da hegemonia do Evergrande ao longo dos últimos anos.

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Em 2014, ele também se tornou assistente da comissão do francês Alain Perrin, que treinava a seleção na época. No ano seguinte, 2015, Tie decidiu ir para o Hebei Fotune, clube da 2ª divisão na ocasião. Após alguns meses sendo auxiliar, manager e diretor de esporte, sua caminhada como treinador finalmente começou. Após a saída de seu antecessor, Tie conseguiu vencer oito partidas de nove restantes e levou o Hebei a disputa da CSL de 2016.

No final da temporada 2016, depois de uma péssima sequência, seu nome foi desligado do clube, que trouxe o argentino Manuel Pellegrini como substituto. Todavia, sua carreira começou a mudar em 2017, logo após assumir o Wuhan Zall. Com a mesma equipe, já em 2018, o título da China League One com três rodadas de antecedência e o acesso a CSL depois de cinco temporadas coroaram, então, o trabalho feito.

O salto rumo ao sonho

Já em 2019, a campanha na 1ª divisão foi surpreendente. Em 30 partidas, a equipe de Wuhan venceu 12 jogos, empatou oito e perdeu 10. Logo, o desempenho resultaram na inesperada 6ª colocação, atrás apenas de Guangzhou Evergrande, Beijing Guoan, Shanghai SIPG, Jiangsu Suning e Shandong Luneng. Na festa de gala após o término do campeonato, Tie foi premiado como um dos três melhores treinadores chineses do ano.

Falando de seleção, Marcello Lippi pediu demissão da mesma após um revés nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. Para o lugar, pelo menos de forma provisória, a CFA optou por chamar Tie, que vinha de uma grande temporada e já conhecia o ambiente da equipe nacional. Sua missão foi comandar um time alternativo na Copa do Leste Asiático, que ocorreu no último mês de 2019.

Os resultados não foram dos melhores, com derrotas para Coreia do Sul e Japão, além de apenas um triunfo contra Hong Kong. Mas o futebol apresentado agradou a federação, que efetivou o trainador logo após a virada do ano. Chris van Puyvelde, um dos diretos técnicos da CFA elogiou Tie e exaltou o que o chinês conseguiu fazer em tão pouco tempo na competição.

“O que eu vi da equipe é um time compacto, não o tempo todo, mas em geral você podia ver que era uma equipe muito compacta, e esse para mim é o primeiro passo que você deve fazer no futuro. Se você olha para o futebol de alto nível, todos jogam entre 12 e 15 metros um do outro. É um bloco dinâmico. Um bloco dinâmico foi o que eu vi que Li Tie trouxe em um período muito curto”.

O dever o chama

Em sua coletiva de apresentação, Tie comentou do tempo de contrato, o objetivo Copa do Mundo e de seu sonho que acabara de se tornar realidade. A missão de buscar uma classificação no Mundial não é nada fácil. A Síria é líder do grupo da China com 21 pontos, cinco a mais que a seleção do país mais populoso do globo. Só o primeiro colocado de cada chave avança, e esse é o principal objetivo do novo comandante para esse ano.

“Em 35 anos, deixei de ser uma criança que não sabia jogar futebol para ser técnico da seleção. Estou muito feliz. Posso dizer com orgulho aos meus filhos: ‘Papai alcançou um dos sonhos de sua vida‘. Meu contrato vai até 9 de junho de 2020, se nos classificarmos para a próxima fase, ele será renovado automaticamente.”

Em sua primeira convocação, pra uma espécie de “pré-temporada” da seleção, os naturalizados Ai Kesen e Li Ke figuraram entre os escolhidos. Perguntado sobre a utilização dos “estrangeiros”, Tie disse que “Eles terão que lutar para ter um lugar na equipe”. Ou seja, nada de preferências na hora de montar o time. A estreia oficial do técnico deve ser no mês de março, em dois confrontos válidos pelas eliminatórias da Copa do Qatar.

Foto destaque: Reprodução/Sports Sina

Leonardo Abrahão
Leonardo Abrahão, 20 anos, paulistano e estudante de jornalismo na Universidade Nove de Julho. Redator do Futebol na Veia desde 2019, cobrindo futebol italiano, asiático e brasileiro.

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