Em 1966, os Magriços fizeram história na primeira participação de Portugal em Mundiais (Foto: Reprodução / Zero Zero)

Olá, amigos e amigas do Brasil! Cá chegamos ao último dia do ano… ano deveras difícil para todos. Pensando em levar um pouco de alegria, decidi trazer para a O Gajo Conta a trajetória de um grupo de quem poucos acreditavam. A bem da verdade, era a primeira participação de um selecionado português que ousava dar seus primeiros passos à nível mundial. Neste 31 de dezembro, conheça um pouco da caminhada dos heróis de 66, liderados por Eusébio e Coluna, na famosa Saga dos Magriços no Mundial da Inglaterra.

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Parece-nos, de facto, muito apropriada a ideia na medida daquilo que o ‘Grão Magriço' representa, o belo episódio de suspense que Luís de Camões canta em ‘Os Lusíadas', um autêntico desportista que vai jogar a Inglaterra… e até ganhar”

Assim, buscando amparo no conto clássico do português Luis de Camões, o jornal A Bola fez com que a jornada épica de 66 ganhasse tal alcunha. Logo, uma trajetória que não se encerra e nem está exclusivamente perfilhada pelo desempenho na Inglaterra, quando a camisola vermelha chegou ao pódio mundial. Ora pois, ela já se inicia ainda na qualificação para o Campeonato do Mundo.

Naquela época, Portugal apurou-se num grupo com a Checoslováquia, Romênia e Turquia. Dessa forma, a Seleção das Quinas obteria um saldo de quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota, brilhante já de início, tás a ver?! Ainda assim, na fase final, o sorteio não foi dos melhores com Bulgária, Hungria e… Brasil, então bicampeão e que tinha Pelé no auge de seu esplendor. A bem da verdade, os brasileiros e húngaros eram apontados favoritos.

FASE FINAL

No entanto, nós tínhamos o Pantera Negra e toda a base da Seleção Portuguesa era composto pelo Benfica, bicampeão europeu, e Sporting, campeão da Taça das Taças. Apesar da primeira participação, a esperança era grande por uma boa campanha e que veio já de frente no grupo da fase final. Pois, com três vitórias, surpreendemos quem nos colocava como candidatos a eliminação prévia.

Logo, no jogo de estreia, José Augusto fez os dois primeiros gols daquele que viria a se tornar o segundo melhor marcador português da Seleção. Na sequência, José Torres marcou o terceiro gol do triunfo por 3 x 1 contra a poderosa Hungria. Muito embora não tenha feito golo, Eusébio já editada uma grande participação aos olhos dos ingleses.

No entanto, não tardaria para o Pantera Negra fazer seu primeiro golo em Mundiais. Ora pois, no segundo jogo, contra a Bulgária, ainda em Manchester, Portugal venceria o segundo duelo por 3 x 0 com o auto-golo de Ivan Vutsov e José Torres, mais uma vez completando o marcador. Em seguida, defronte o Brasil, os papéis se inverteram, pois quem precisava da vitória para avançar eram os brasileiros. Apesar disso, os Magriços provaram que podiam já ali ser colocados como candidatos e com dois gols do Pantera e um de Antônio Simões fechamos o grupo com 100% de aproveitamento, tás a ver?!

“ESTÃO A PERDER PARA UMA EQUIPA DA WALT DISNEY”

Aquela altura, a façanha já era gigante, eliminar o Brasil de Pelé, então bicampeão, na primeira participação em Mundiais, já seria um roteiro de filme. No entanto, aquele Campeonato do Mundo reservaria mais um jogo épico. Isso porque, nos quartos-de-final, Portugal enfrentou a Coréia do Norte. Muito embora pouco tradicional no futebol, a bem da verdade, os norte-coreanos já tinham eliminado a Itália e vinham de dois anos de preparação para a competição.

E, com um minuto de jogo, os Magriços tomaram o susto com o primeiro golo, 25 minutos depois, o marcador já assinalava o golpe: 3 x 0. No entanto, após o placar, o técnico, brasileiro, Otto Glória mudou a forma de jogar, com marcação individual, e, ao intervalo, já havíamos diminuído para 3 x 2, com dois golos de Eusébio, que teria ainda grande participação. Ora pois, em uma antológica atuação, o Pantera Negra ainda marcaria mais dois golos antes de José Augusto fechar a goleada por 5 x 3 que nos qualificou para as meias-finais.

AGORA, CONTRA OS INGLESES

Aquela altura,o futebol bem jogado dos portugueses já tinha encantado ingleses de Manchester e Liverpool. No entanto, precisaríamos de algo mais para superar os anfitriões que ainda não haviam sido vazados, após quatro jogos. A princípio, marcado para Liverpool, a partida foi alterada para Wembley Ora pois, tal mudança se deveu ao fato de não ter havido nenhum jogador local na seleção inglesa e a rendição dos nativos ao grandioso futebol de Eusébio e companhia.

Talvez, a mudança tenha sido determinante, pois deixando Liverpool, a Seleção Portuguesa perdeu por 2 x 1. Talvez, a ausência de Vicente, que lesionou a mão contra a Coréia, para marcar Bobby Charlton tenha contribuído para os dois golos do clássico marcador. Ou seria, talvez, a boa anulação britânica diante de Eusébio, que golo, apenas marcou em uma penalidade. No entanto, mesmo derrotados, já havíamos ido longe, onde nenhum português foi desde então até eu ter estado em 2006, na Alemanha.

Restava-nos a busca pelo pódio.

IMORTAIS DESDE SEMPRE

E ela foi conquistada contra a fortíssima União Soviética. Assim, em mais uma prova de superação e vontade de vencer, Portugal chegou ao 2 x 1 com Eusébio marcando seu novo golo no Campeonato do Mundo e José Torres anotando, perto dos descontos, o tento que nos garantiria o pódio mundial. Apesar de encerrada ali a participação portuguesa, começava então a imortalidade de deuses do futebol lusitano como o Pantera Negra, Mário Coluna e José Torres.

Especialmente, Eusébio da Silva Ferreira, moçambiquenho que conquistou e encantou não somente os corações portugueses, mas de todos os amantes da bola que o viram jogar. Nas palavras de Bobby Charlton: “O Eusébio foi o melhor marcador e só não foi considerado o melhor jogador porque os ingleses são os ingleses e foi preciso dar o prémio ao capitão deles“.

Foram seis jogos, cinco vitórias e uma derrota, esta para os campeões. Um inédito pódio que rivaliza com a minha conquista de quarto lugar em 2006. No entanto, aquela foi carimbada com a marca dos Magriços que desacreditados ousaram levar o emblema português para mares nunca antes navegados. Dessa forma, eles seguem imortalizadas nas lembranças de milhões de portugueses.

Foto Destaque: Reprodução / Zero Zero

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Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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