Os eventos recentes envolvendo Grêmio e Internacional apontam uma brusca queda de rendimento dos rivais. Afinal, o Imortal Tricolor deixou a lanterna recentemente – apesar de continuar na zona de rebaixamento – enquanto o Colorado faz uma campanha irregular. O desempenho fraco no Campeonato Brasileiro fez ambos trocarem de técnico. Além disso, as eliminações nos torneios continentais frustraram as expectativas das duas torcidas. Pior para o Inter que também se despediu da Copa do Brasil. O que aconteceu com a dupla Gre-nal?

Grêmio: de Renato a Felipão

O Grêmio sofre uma metamorfose constante desde a saída de Renato Gaúcho em abril. Nesse sentido, um jogo lento que dependia do toque de bola para explorar espaços na área do adversário não tem mais vez. Veio Tiago Nunes e a equipe passou a construir mais pelas pontas. Deu certo no Gauchão e na fase de grupos da Copa Sul-Americana, mas a proposta se esgotou quando o nível técnico subiu no Brasileirão. A lanterna e a apatia que se lançou sobre o time enterraram qualquer possibilidade de continuar com Tiago no cargo. A queda foi inevitável.

Veio Felipão para colocar ordem na casa. A filosofia de jogo mudou mais uma vez. Para fazer o Grêmio forte, Luiz Felipe Scolari adotou uma estratégia cuidadosa. Manteve o esquema tático, mas mudou a forma de pensar as ações dentro de campo. Hoje o futebol do Grêmio é mais reativo, compacto. É a experiência do técnico que sabe a hora de fechar a casinha para conseguir respirar. Afinal, para poder sair da zona de rebaixamento o Tricolor precisa ganhar. Nem que seja por 1 x 0. Enfim, a ideia é expor a equipe o mínimo possível e vencer no erro do adversário.

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Internacional: de Abel a Aguirre

É surreal pensar que há poucos meses o Internacional quase foi campeão brasileiro. Até terminou fevereiro sem o troféu cobiçado, mas tinha um time pronto. Apalavrada com Miguel Ángel Ramírez, a diretoria colorada preferiu despedir o ídolo Abel Braga. Na minha opinião, a maior irresponsabilidade administrativa do passado recente do Inter. Tudo foi pelo ralo: o preparo físico, a sintonia coletiva, o ritmo intenso e a segurança que voltava a dar as caras pelo Beira-Rio. O Internacional perdeu sua identidade de jogo e também sofreu uma queda produtiva.

As derrotas em casa para Vitória (1 x 3) e Olimpia (0 x 0; 4 x 5 nos pênaltis) acenderam a luz vermelha. Agora só resta o Campeonato Brasileiro. Entretanto, na conjuntura atual é relativamente complicado colocar o Colorado como um dos postulantes ao título. Diego Aguirre reassumiu o comando do Internacional com o compromisso de reposicionar o clube na rota dos títulos. Fez ajustes importantes (especialmente no setor defensivo), porém ainda não me parece ter encontrado uma solução definitiva para as oscilações na performance.

A raiz do problema é a mesma?

Antes de mais nada, é interessante comparar o momento de Grêmio e Internacional quando entendemos que nos dois gigantes gaúchos há um fator em comum: diretoria. Os dirigentes do Imortal abdicaram de algumas funções de liderança quando Renato Portaluppi exercia esse papel. Pecaram nas contratações de jogadores velhos e caros que não vingaram e nem deram o resultado esperado. Não dá para colocar tudo nas costas da base. Os guris do Grêmio são promissores e merecem chances no time titular, mas falta visão de mercado à gestão de Romildo Bolzan.

Em síntese, se a diretoria do Grêmio é culpada por não saber o que fazer com seu superávit financeiro, o que dizer da direção colorada? Mandaram embora o maior técnico da história do Internacional para dar um tiro no escuro. Amadorismo puro. Há um mês atrás, tinha jogadores que se arrastavam em campo. Não por falta de vontade, mas por sobrepeso mesmo. Felipão e Aguirre são bons treinadores, mas não são milagreiros. A luta contra a queda é difícil. Ou os cartolas trabalham junto com eles ou a dupla Gre-nal vai caminhar abraçada em direção ao fracasso.

Foto destaque: Divulgação / GAZ

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.