O primeiro reforço do Santos para o segundo semestre foi anunciado na tarde desta quarta-feira. Trata-se de Bryan Ruiz, costarriquenho de 32 anos, camisa 10 e capitão de sua seleção e ex-jogador do Sporting, de Portugal. Articulador de ofício, Ruiz desembarca na Vila Belmiro com a árdua missão de resolver a falta de criatividade do meio-campo santista, maior defeito da equipe treinada por Jair Ventura na primeira metade do ano. Com vínculo até dezembro de 2020, a torcida espera que o jogador seja o maestro do time na Libertadores, no Brasileirão e na Copa do Brasil, competições que o Peixe disputará até o final do ano.

Sem Lucas Lima, a incompetente diretoria liderada pelo presidente José Carlos Peres falhou nas inúmeras tentativas de suprir a carência no setor. Perdeu oportunidades de mercado, termo que gosta de utilizar para se referir ao perfil de jogador buscado pelo Santos. Nenê, por exemplo, hoje no São Paulo, rescindiu com o Vasco e foi contratado apenas com valores de luvas. Até a transferência de Rodrygo para o Real Madrid, a situação financeira da equipe em nada ajudava, mas o novo presidente insistiu em um discurso pouco convincente e cheio de promessas, mas que nada trouxe de positivo e concreto para o clube. Então, o instável Jair Ventura escalou sua equipe como pôde. Tentou Vecchio, Vitor Bueno, Diogo Vitor, Jean Mota e Léo Cittadini. Todos decepcionaram, com um desempenho aquém das expectativas. O treinador tentou, ainda, uma formação com quatro atacantes, na qual Rodrygo atuou mais recuado.

A ausência de um articulador transformou o Santos em um time previsível, incapaz de envolver os adversários e trocar meia dúzia de passes. Sem infiltrações, o time adotava a balela do futebol reativo: sem a bola, fechado com duas linhas de quatro jogadores, esperava a retomada da posse para contra-atacar. Mas, sem o regista, essa bola não chegava ao ataque nem mesmo nessas situações.

Bryan Ruiz atuou os 90 minutos nas três partidas da Costa Rica nesta Copa (Reprodução/Murad Sezer/Reuters)

É exatamente por isso que a expectativa em cima do futebol de Bryan Ruiz é grande. Com a volta de Bruno Henrique e a permanência de Rodrygo até meados de 2019, o ataque do Santos ganha em qualidade. Mas, para brilhar, precisa ser acionado. Se o uruguaio Carlos Sanchéz também for contratado, a qualidade do meio-campo será ainda melhor. O ponto negativo, mesmo sem Sanchéz, é falta de velocidade do setor. Em uma formação ideal, com Alison, Pituca e Ruiz, apenas o primeiro tem o vigor físico como característica. Seu companheiro Pituca também rouba bolas, mas se destaca pelo passe, pela saída de jogo. O costarriquenho, por sua vez, com 1,88m, é um jogador técnico, que cadencia o jogo e, por sua altura, pode ser uma arma no jogo aéreo.

O auge da carreira de Ruiz deve ter sido na última Copa, em 2014, quando a Costa Rica fez campanha surpreendente e o meia tinha 28 anos. Mesmo assim, é difícil imaginar que hoje, quatro anos depois, seja um jogador menos eficiente que Jean Mota, por exemplo. Com a bola nos pés, já deixou claro que pode desequilibrar. Por isso, vale o investimento.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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