Taça Libertadores da America

Durante os últimos anos, a maior competição de futebol do continente sul-americano vem sofrendo mudanças drásticas em seu jeito de atuar. Uma das mais recentes modificações foi a final em estádio único e neutro. Tais colocações alertam os mais fervorosos fãs do campeonato sobre uma tentativa de aproximar a Libertadores do modelo usado hoje na Champions League.

Com isso, a Coluna Rasgando o Verbo dessa terça-feira (14) vai elucidar o tema, onde a Libertadores não pode virar a Champions League.

CONHECENDO A HISTÓRIA DA LIBERTADORES

Antes de tudo, é necessário entender como surgiu a Libertadores. A competição mais quente do mundo da bola iniciou sua trajetória ainda no fim da década de 50. Foi então que durante o Congresso da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), realizada no Rio de Janeiro, foi tomada a decisão de criar uma competição continental para contar com a participação de todos os campeões nacionais da América do Sul.

Nesse primeiro momento, com apenas os vencedores de cada campeonato nacional, a competição se chamou Copa dos Campeões da América, e assim foi jogada em 1960, tendo como vencedor o Peñarol,  que derrotou o Olimpia, naquela oportunidade. Posteriormente, no ano de 1965, os vice-campeões dos embates nacionais foram inscritos na competição. Desde então, com essa mudança, o torneio teve seu nome alterado. Foi então que chegamos ao título “Libertadores da América”

EM RESPEITO AOS LIBERTADORES DA AMÉRICA

O nome dado a competição sul-americana homenageou os libertadores na história da América do Sul. Pessoas como Simón Bolívar e José de San Martín, que unidos após a Conferência de Guayaquil, juntam forças contra o Império espanhol estabelecido nas colônias. Ambos buscavam formar uma nação livre e única. Apesar desses nomes citados serem de descentes de europeus, o campeonato vem também para saudar todos os povos que sofreram repressão da da coroa portuguesa e espanhola.

Dessa forma, em respeito aos Libertadores, a competição deveria continuar única e livre das amarras europeias que não condizem com a história do povo.

EM RESPEITO A NOSSA CULTURA

A cultura latino americana anda de mãos dadas com o futebol. O esporte é o amor número 1. Ou seja, realocar a Libertadores aos padrões europeus destoa todo significado cultural que construímos. A competição mais amada do continente tem em seus pilares de formação cada aspecto de um país diferente, abrangendo assim, nossas dificuldades e nossas paixões.

NOSSO FUTEBOL NÃO PODE VIRAR UM TEATRO

Apesar do futebol ser um espetáculo, ele não deve ser tratado como um show de teatro. A torcida faz parte, ou melhor dizendo, constitui uma parcela muita grande no esporte. Desde as aproximações da Libertadores com a Champions League são esses quem mais sofrem. Por exemplo, a partir desse ano de 2020 os famosos bandeirões não poderão mais circular nos estádios da competição. No entanto, isso é algo pequeno. Por outro lado, mais dessas mesmas medidas podem tirar o torcedor de participante do evento e leva-lo à uma condição de mero espectador.

Quando comparamos as torcidas que participam da Libertadores e da Champions League, vemos o claramente a diferença. Enquanto os encasacados europeus aplaudem apenas em momentos específicos do jogo, a torcida presente na América canta, quando pode, os 90 minutos de jogo. E, é óbvio que existem exceções, que não viraram regras.

A FINAL ÚNICA QUE DÁ LUCRO E AFASTA O TORCEDOR

Desde o ano de 2019 foi decidido que as finais da Libertadores irão convergir em uma disputa de partida única, com o mando de campo neutro, assim como acontece na Champions League. Essa medida trouxe uma visibilidade inegável para decisão, tanto de transmissão televisiva, quanto de patrocínio. O que mostra que o modelo europeu consegue dá mais lucro aos participantes. Já que temos gente o suficiente para sair do Brasil, em um avião e pagar de R$350 à R$1000 em um ingresso.

Contudo, isso reitera uma questão que deve ser melhor abordada em outro texto, que é a elitização do futebol. Cada vez mais o esporte vem se modernizando e se afastando da camada mais pobre da sociedade. O que faz dizer que essa decisão de final única só acelera essa processo.

TRAÇOS ÚNICOS DA COMPETIÇÃO MAIS AMADA DA AMÉRICA

É claro que a Champions League tem seu glamour dos jogos em estádios super modernos. No entanto, a simplicidade que temos na fórmula da Libertadores é única. O a pressão da torcida na entrada dos jogadores que se perguntam o porquê de estarem ali. A  tenção do clássico e o poder da camisa de cada clube histórico. E, é claro a inexistência de um favorito.

Ah, Libertadores. Como és única.

POR FIM, A LIBERTADORES NÃO PODE VIRAR A CHAMPIONS LEAGUE

A Champions League é a maior competição de clubes do planeta, reúne os melhores jogadores do mundo e também é a que mais gera lucro. Ou seja, nesse sentido, também queremos que a libertadores cresça cada vez mais assim como a competição europeia. Contudo, o que muda é que precisamos evoluir sem nos separar das raízes que nos trouxeram até aqui.

A paixão do torcedor é a coisa mais importante do futebol. Se com devidas medidas para se igualar a Champions, a Libertadores torne-se um retrato longe do que temos em nosso continente, de nada valerá. Manteremos a torcida em seu local de destaque: cantando, pulando e balançando suas bandeiras. Com estádios que mais se parecem com o inferno.

Foto destaque: Divulgação / Libertadores 

 

Luiz Felipe Santos
Olá, meu nome é Luiz Felipe, tenho 19 anos de idade, que foram de total amor a tudo que era relacionado a esportes, principalmente o futebol. Atualmente sou estudante de jornalismo pela UFAL. Como todo (ou quase todo) brasileiro, sonhava em ser jogador de futebol, ao ver que isso não seria mais possível, escolhi algo que me colocasse o mais perto possível desse esporte. Hoje meu dever é tratar com ética e responsabilidade as informações que permeiam o mundo dos esportes.

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