Uma das maiores emoções que existe no mundo do futebol é ganhar um título inédito. É algo que, automaticamente, coloca todos os responsáveis por tal feito na história do clube. Sejam eles jogadores ou técnicos. Assim, em um domingo, no dia 8 de setembro de 2019, o Liverpool de Montevidéu viveu esse momento mágico. O modesto time, que carrega o nome de um gigante europeu, tinha conquistado sua primeira taça na elite do futebol nacional. Na coluna Desclausurando o Uruguaio desta semana vamos conhecer essa vitoriosa trajetória.

Altos e baixos

O Liverpool foi fundado em 15 de fevereiro de 1915, no bairro de Nuevo París, em Montevidéu, por estudantes do Colegio de Los Padres Capuchinhos. Portanto, após completar um ano de vida, em 1916, o clube já conseguia o título da 3ª divisão. Dessa forma, em 1920, já estavam disputando a elite do futebol uruguaio.

Apesar de virar um time gangorra, os Negriazules tiveram anos bastante inspirados. Conseguiram o 3° lugar em 1971 e 1974. No entanto, em 1990, ficou na vice-liderança do Apertura e, em 2003, novamente bateu na trave, conseguindo mais um vice-campeonato no Clausura.

Assim, nos anos 2000, graças ao Presidente José Luis Palma, o time conseguiu disputar alguns torneios internacionais. Porém, em ambas oportunidades, foram eliminados logo nas primeiras fases. Em 2009, na Copa Sul-Americana pelo Cienciano, do Peru, e em 2011, pelo Grêmio, na Copa Libertadores. Entretanto, em 2014, o clube acabou sendo rebaixado e, infelizmente, teve que comemorar seu centenário na segunda divisão

Caminho para o título

Após terminar na 8ª colocação do Apertura, o Liverpool acabou ficando no Grupo B do Intermediário. A campanha dos Negriazules foi praticamente perfeita. Tendo assim, seis vitórias e apenas uma derrota em sete jogos. Além disso, terminou a competição com o melhor ataque juntando os dois grupos, 18 gols ao todo. O grande responsável por esse saldo positivo é o centroavante Ignácio Ramirez, autor de oito gols em apenas cinco jogos da competição.

Apesar de ter sofrido com uma defesa bastante instável no decorrer do Apertura, tendo tomado duas goleadas, sendo elas um 5 x 3 do Progresso e 5 x 0 do Danúbio, a equipe conseguiu achar o equilíbrio. Assim, adotando um DNA bastante ofensivo, mas sem deixar de lado o compromisso defensivo.

Final emocionante

Era um final bastante aguardada, pois fugia da polarização entre os dois maiores times do Uruguai, o Nacional e o Peñarol. Entretanto, não ia ser uma tarefa nada fácil, pois do outro lado estava o tradicional River Plate, que tinha conseguido a façanha de ficar em 1° lugar no Grupo A (grupo da morte). Portanto, além de desbancar as duas maiores equipes do país, deixou para trás clubes como Danúbio e Defensor Sporting.

Assim, no Estádio Luis Franzini, em Montevidéu, as duas equipes se digladiaram em busca da taça. No geral, o jogo foi bastante equilibrado, porém a equipe comandada por Paulo Pezzolano era mais agressiva e criava chances melhores. Como esperado, tamanha insistência deu frutos, e, aos 20′, Ignácio Colo Ramírez inaugurou o marcador. Entretanto, o River empatou logo no começo da segunda etapa.  Já que nos 90 minutos iniciais nada se resolveu, a partida foi para prorrogação. Contudo, mesmo com o cansaço batendo, os Negros de la Cuchill marcaram e ficaram em vantagem. Todavia, alguns minutos depois, os Darseneros empataram novamente a partida, levando a decisão para os pênaltis.

Por incrível que pareça, o camisa 9 e artilheiro da competição desperdiçou sua cobrança. Logo, o Negrizul viu a chance de titulo ficar por um triz. Agora, estavam todos à espera de um milagre. Pois bem, ele aconteceu. Joaquín Rodriguíz chutou a bola no travessão e dos pés do goleiro Oscar Ustari sai a defesa que deu ao Liverpool o título mais importante de toda sua historia.

Foto de destaque: Divulgação/AUF

Felipe Pitas
Felipe Pitas
Sou um assíduo admirador da Comunicação, apaixonado por entretenimento, entre eles o futebol e a cultura pop.

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